Pressupostos e objetivo inicial da filosofia segundo Baader
A rejeição de Baader em fornecer “primeiros elementos” da filosofia, pressupondo-os como conhecimentos prévios.
A definição do objetivo primordial da filosofia como a busca pelos meios e condições para o uso livre da capacidade de aprender.
O princípio cardinal da epistemologia e metafísica de Baader
A reformulação do cogito cartesiano: “Sou pensado, portanto penso” ou “Sou amado, portanto existo” como fundamento objetivo.
A crítica ao subjetivismo do Cogito de
Descartes, da filosofia crítica de
Kant e da metafísica do Eu de
Fichte.
A insistência na identidade entre o fundamento do ser e o fundamento do conhecimento, localizados em Deus.
A afirmação de que a capacidade humana de conhecer e amar é derivada e participativa do conhecimento e amor divinos.
A crítica a Descartes por colocar um pensamento derivado (Nachdenken) no lugar do pensamento originário (Urdenken), abrindo caminho para o ateísmo.
A negação de que a participação no conhecimento divino transforme o homem em uma “parte” de Deus.
O objetivo do princípio de Baader de reunir ontologia e epistemologia, superando o solipsismo, o subjetivismo e a autonomia humana absoluta.
A síntese entre idealismo e realismo e o conceito de “realismo ideal”
A pressão interna de Baader para sintetizar e reconciliar o idealismo platônico com o realismo aristotélico em uma síntese superior.
A caracterização de sua filosofia como “realismo ideal”.
A vinculação do “realismo superior” à necessidade de um fundamento interno e externo para todo ser plenamente existente.
O papel do meio, da ideia ou do espírito como elemento de equilíbrio entre o interno e o externo.
A oposição constitucional de Baader ao pensamento unidimensional e abstrato
A insistência na autoridade e fundamentação interna e externa em todas as áreas do conhecimento e da fé.
A oposição a soluções do tipo “ou-isso-ou-aquilo” e a qualquer forma de abstração.
A rejeição da unilateralidade, identificando como inimigos intelectuais os “sem coração, sem alma e sem cabeça”.
A defesa da interdependência entre especulação e empirismo.
A crença na unidade última por trás de toda multiplicidade, fundamentada em Deus como Centro comum.
A relação entre conhecimento, fé e autoridade na filosofia religiosa
A distinção, porém não separação, entre conhecimento e fé, caracterizando Baader como um “filósofo religioso”.
A afirmação da necessidade humana de fé, conhecimento e autoridade.
A concepção do dogma religioso como “modelo original para o conhecimento”.
A defesa do estudo da teologia por leigos e clérigos.
A disputa com
Hegel sobre a cognoscibilidade dos objetos da religião, afirmando que os mistérios são relativamente investigáveis.
O reconhecimento dos limites do conhecimento humano, rejeitando a posição kantiana sobre a incognoscibilidade da coisa-em-si (Ding an sich).
O princípio do “terceiro superior” como resolução de dualismos
A aplicação do princípio do “terceiro superior” na teoria do conhecimento, mediando entre razão e sentidos, e entre sentimento e imaginação.
A citação que ilustra a relação dialética entre conceito, sentimento e imaginação.
A conexão íntima entre conhecimento e vida
A visão do conhecimento como compartilhamento no ser da coisa conhecida.
A aprovação da visão de Lamennais sobre o instinto de aprender como expressão do instinto de existir.
A fundamentação teológica na passagem bíblica “Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti”.
A afirmação de que não existe “aprendizado ocioso”, vinculando-o à criatividade e procriação.
A compreensão de que o homem conhece como um todo: razão, sentimento, intuição e vontade.
A distinção básica entre o conhecimento primordial de Deus e o conhecimento derivado do homem.
A teoria da revelação e os três modos de ser
A categorização tripartite de todo ser:
Deus: ser que conhece, quer e age, sem ser conhecido, querido ou agido por outro.
O espírito: ser que é conhecido, querido e agido por um ser superior, mas que também conhece, quer e age.
A natureza não inteligente: ser que é meramente conhecido, querido e agido, sem ele próprio conhecer, querer ou agir.
A correspondência entre as três categorias de ser e os três tipos de revelação.
A crítica a Hegel por fazer Deus depender da criação.
A concepção do homem como microtheos e o axioma de Saint-Martin: “explicar as coisas através do homem, não o homem através das coisas”.
A atribuição de funções na revelação: Deus como princípio, o homem como órgão e a natureza como instrumento.
A advertência contra a confusão entre o papel de órgão e de instrumento.
Os conceitos de polaridade, fundamento e causa
A distinção entre fundamento (Grund) e causa (Ursache), sendo o fundamento o “meio” ou centro de toda ação.
A relevância dessa distinção para a autorrevelação de uma causa através de seu fundamento.
A lei de que aquilo que se revela deve diferenciar-se e apartar-se de algo em si mesmo.
A influência de Jacob Böhme: a noção de que todo ser consiste essencialmente em polaridade (“sim” e “não”).
A lei paradoxal da manifestação, condicionada e mediada pela ocultação (Aufhebung).
A afirmação de que não existe “sim” sem “não”, nem luz sem escuridão.
A predileção por padrões triádicos e a quaternidade
A afinidade de Baader com o
Romantismo e o Idealismo Alemão na utilização de tríades.
A influência de Paracelsus, Saint-Martin e Böhme na compreensão de que uma tríade completa é uma quaternidade.
A explicação de que o quarto elemento é o fundamento da unidade da tríade, não um elemento no mesmo nível.
O modelo de Paracelsus dos três elementos unificados por um quarto (o ar).
O axioma de Saint-Martin “Quand on est à trois, on est à quatre, c'est-à-dire à un” como analogia suprema da Trindade divina.
A ilustração diagramática da tríade com um ponto central representando a unidade.
O contraste entre a trindade dada de Baader e o desenvolvimento dialético de
Schelling e Hegel
A base da analogia trinitária de Baader em uma trindade e unidade pré-dadas, servindo de modelo para as criaturas.
A crítica a Schelling e Hegel por partirem de um dualismo de oposição, perdendo a prioridade da existência atual sobre o desenvolvimento.
A consequência panteste da dissolução da existência de Deus no desenvolvimento, destruindo a entelequia das criaturas.
O conhecimento de Deus e as provas de sua existência
A crença no conhecimento imediato de Deus através da consciência, concordando com Kant sobre a percepção de Deus nos “sussurros tranquilos da consciência”.
A rejeição das provas tradicionais da existência de Deus que partem de algo que não é Deus.
A aceitação de um testemunho externo de Deus na natureza, além do testemunho da consciência.
A distinção entre mera crença na existência de Deus e a crença em Deus como livre vinculação a Ele.
Os modos da presença de Deus: Inwohnung, Beiwohnung e Durchwohnung
A relação entre o status de uma região ou pessoa e os modos da presença divina.
A correlação entre as dimensões temporais do céu (três), da terra (duas) e do inferno (uma) e a presença de Deus.
A definição dos três modos de habitação divina:
Inwohnung (“habitação interior”): presença como amor, própria de Deus que é amor.
Beiwohnung (“habitação conjunta”): presença na cooperação livre de um agente inteligente que age como órgão de Deus.
Durchwohnung (“habitação através de”): presença apenas através do poder, tratando a natureza inanimada ou agentes resistentes como instrumentos.
A elucidação de aforismos de Baader sobre a vontade de Deus para o bem e para o mal à luz desses modos de presença.
A citação de Angelus Silesius que ilustra os diferentes modos de relação de Deus com a criatura.
A rejeição do panteísmo e a defesa da transcendência e imanência divinas
A afirmação de que a revelação não justifica o panteísmo, pois a unidade da essência de Deus é indissolúvel e intransferível.
A concepção de Deus como um ser pessoal, cuja marca é a incomunicabilidade.
A negação de que Deus seja uma parte do mundo ou o mundo uma parte de Deus.
A defesa da dupla natureza de Deus: transcendente e imanente.
O elogio a Jacob Böhme por conceber a interioridade e exterioridade de Deus de forma imanente, sem confundi-las com a existência criatural.
A crítica ao Deus dos filósofos panteístas como um ser híbrido ou centauro.
A afirmação de que a “externalidade” de Deus é anterior e independente de qualquer referência ao mundo.