A intuição de Heraclito sobre o ser do devir-devir do ser como jogo, formulada na aurora do pensamento ocidental, adormeceu por vinte e cinco séculos até o momento da completude desse pensamento e da história mundial mediterraneo-ocidental-europeia como vontade de poder, quando
Nietzsche soube compreender, em instantes, o tempo do mundo como devir inocente — além do bem e do mal, sentido e não-senso, na verdade-errância, na totalidade que é tudo e, ao mesmo tempo, não existe, na unidade-multiplicidade, na aceitação da necessidade e do acaso, através do tempo do eterno retorno do mesmo que borra ser e aparência — como jogo. Logos e lógica, Deus, o divino e o religioso, a natureza, o natural e o físico, o humano e o antropológico, o poético, o artístico e o técnico, tendo existido sucessiva e simultaneamente como princípios primários, fundamentos e horizontes, continuarão a existir além e através do niilismo, para retornar no mesmo, mutando e combinando-se multiplamente como figuras e apelações do jogo sem nome próprio, inominável, impraticável e injogável.