A evolução histórica da poesia reflete a dissolução dessa função mítica, observando-se que a quantidade musical da sílaba no verso latino deixou de ser respeitada no fim do Império e que a Igreja, conforme demonstrado por G. Lotte e exemplificado pelo poema contra os donatistas de Santo Agostinho, favoreceu o silabismo como meio mnemotécnico para o ensino de populações analfabetas e para combater o paganismo, o que levou a uma separação progressiva entre a cultura poética erudita dos letrados e as expressões populares; este processo culminou, desde a Renascença, numa decadência da atividade poética nas sociedades ocidentais, onde o historicismo situou a arte na história produzida e não na perspectiva genética do mito criador, uma visão consolidada por
Hegel, para quem a arte é apenas uma fase imperfeita da história do espírito destinada a ser ultrapassada pela cultura reflexiva, e diagnosticada por Viollet-Le-Duc, que apontou a perda do sentido simbólico nas classes populares e a redução da arte a um diletantismo de amadores cercado de bárbaros, fenômeno inseparável de uma mitologia da produção que domina a civilização moderna e se opõe à contemplação.