====== Poesia, mito e racionalização na decomposição cultural do Ocidente ====== PTGI * Prestígio residual da noção de poesia entre os espíritos distinguidos do Ocidente, apesar de seu esvaziamento efetivo. * Existência de um ensino literário mínimo que garantia apenas um contato superficial com a poesia. * Persistência, até o final do século XX, de indivíduos capazes de recitar versos clássicos, sem que isso implicasse compreensão de sua função cultural. * Dissociação crescente entre a presença formal da poesia e sua eficácia real na vida social. * Perda da função vital da poesia na sociedade industrial. * Incapacidade de reconhecer que a poesia mantém a conexão viva entre o indivíduo e o todo social. * Condenação progressiva dos homens ao isolamento, à atomização e à perda de sentido na vida coletiva. * Restrição da poesia a círculos marginais, privados de qualquer influência sobre a cultura dominante. * Redução da poesia a entretenimento inofensivo ou ornamento cultural. * Transformação do poeta em figura socialmente inofensiva ou excêntrica. * Substituição da poesia viva por produtos culturais de consumo rápido. * Incapacidade das elites modernas de compreender o papel estruturante da poesia nas culturas humanas. * Função essencial da poesia como força de ligação simbólica e espiritual. * Capacidade da poesia de estabelecer conexões significativas entre os elementos da realidade. * Produção de uma visão unificadora do mundo e da experiência humana. * Desaparecimento da cultura propriamente dita quando a poesia é esquecida ou desprezada. * Relação indissociável entre poesia, mito e cultura. * Impossibilidade de existência de uma cultura viva sem mitos. * Função dos mitos como guardiões invisíveis das normas, valores e sentidos da vida humana. * Redução da existência humana à sobrevivência biológica quando os mitos são destruídos. * Destruição sistemática dos mitos e crenças fundamentais pelo Ocidente moderno. * Identificação da poesia e do mito como ilusões ou superstições. * Empobrecimento radical do horizonte simbólico e espiritual. * Redução do homem a um ser isolado, privado de sentido e de orientação. * Incapacidade das elites modernas de compreender a natureza dos mitos. * Confiança absoluta na Razão como critério exclusivo da verdade. * Desqualificação de toda forma de conhecimento simbólico, poético ou mítico. * Suposição de que a racionalidade científica poderia substituir integralmente os mitos. * Oposição estrutural entre racionalismo moderno e pensamento simbólico. * Identificação da civilização com a racionalidade. * Associação do mito e da poesia à irracionalidade e ao atraso. * Exclusão sistemática do simbólico da vida pública e das instituições. * Consolidação de uma pedagogia da racionalização integral. * Subordinação da educação à utilidade técnica e econômica. * Desvalorização das artes, da literatura e da formação espiritual. * Formação de indivíduos altamente especializados e culturalmente mutilados. * Ideal de racionalidade como princípio organizador exclusivo da sociedade. * Transformação da razão em instrumento de cálculo, previsão e controle. * Eliminação da dimensão afetiva, imaginativa e simbólica da existência. * Redução do humano ao mensurável, ao funcional e ao rentável. * Confusão entre racionalidade e verdade absoluta. * Pretensão de que apenas o que é racionalmente demonstrável possui valor. * Negação de toda forma de conhecimento não redutível ao método científico. * Supressão do mistério, do sagrado e do poético como dimensões constitutivas do real. * Hostilidade ativa do racionalismo moderno à poesia. * Identificação da poesia como inimiga da razão. * Desqualificação do poeta como figura inútil ou perigosa. * Exclusão da poesia do espaço legítimo da cultura. * Substituição do mito pela ideologia do progresso. * Crença na ciência como único fundamento do sentido histórico. * Expectativa de que o avanço técnico resolveria todos os problemas humanos. * Ilusão de que a história poderia ser integralmente dominada pela razão. * Redução da vida humana à eficiência, ao rendimento e à performance. * Transformação do trabalho em valor supremo. * Subordinação de todas as atividades humanas à lógica produtivista. * Desaparecimento da contemplação, do jogo e da criação gratuita. * Empobrecimento afetivo e espiritual como consequência direta da racionalização. * Desconfiança sistemática em relação às emoções. * Valorização exclusiva do olhar frio, analítico e calculador. * Masculinização simbólica da cultura e desprezo pelo princípio feminino. * Associação do feminino ao irracional e ao inferior. * Identificação da emoção, da sensibilidade e da imaginação como ameaças à razão. * Tentativa de eliminar o feminino tanto na cultura quanto nos indivíduos. * Empobrecimento antropológico decorrente dessa mutilação simbólica. * Legitimação científica da repressão do afetivo. * Psicologização redutora das crenças e dos sentimentos. * Interpretação do religioso e do poético como patologias. * Consagração do racionalismo como norma absoluta do humano. * Incapacidade da racionalidade instrumental de fundar uma civilização. * Produção de sociedades tecnicamente avançadas e espiritualmente vazias. * Ausência de sentido compartilhado e de finalidade comum. * Crescente frustração existencial mascarada pelo consumo. * Incapacidade das elites científicas e técnicas de compreender essa falha. * Formação exclusiva em esquemas mentais racionalistas. * Desconhecimento radical da função cultural do mito e da poesia. * Inaptidão para perceber a própria cegueira simbólica. * Exclusão do sonho, da imaginação e da interioridade. * Identificação do sonho como fuga ou regressão. * Incapacidade de articular razão e imaginação. * Redução da vida ao imediato, ao mensurável e ao útil. * Diagnóstico da falência cultural do Ocidente como falência poética. * Incapacidade de criar símbolos vivos. * Substituição da cultura por uma acumulação de objetos e informações. * Transformação da civilização em sistema técnico sem alma. * Retorno desordenado do irracional sob formas degradadas. * Proliferação de crenças fragmentárias e práticas supersticiosas. * Reaparecimento do mágico sem estrutura simbólica coerente. * Incapacidade de distinguir entre mito fundador e superstição caótica. * Paradoxo da repressão do mito produzindo sua revanche. * Supressão das grandes narrativas simbólicas. * Emergência de crenças desarticuladas, esotéricas ou mercantis. * Desorientação espiritual generalizada. * Incapacidade final da modernidade de compreender o sentido da cultura. * Redução da cultura a lazer, consumo ou patrimônio morto. * Desaparecimento da cultura como princípio de orientação da vida. * Dissolução do laço simbólico que funda a comunidade humana. * Confirmação da Grande Implosão como consequência inevitável desse processo. * Esgotamento interno anterior ao colapso visível. * Morte espiritual precedendo a ruína institucional. * Civilização tecnicamente poderosa e simbolicamente deserta.