====== Fontes do Self ====== //TAYLOR, Charles. Sources of the Self: The Making of the Modern Identity. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1989.// * Prefácio **PARTE I - IDENTIDADE E O BEM** * 1. Estruturas de referência incontornáveis * 2. O si-mesmo no espaço moral * 3. Ética da inarticulação * 4. Fontes morais **PARTE II - INTERIORIDADE** * 5. Topografia moral * 6. O autodomínio em Platão * 7. "In Interiore Homine" (No interior do homem) * 8. A razão desvinculada de Descartes * 9. O si-mesmo pontual de Locke * 10. Explorando a "condição humana" * 11. Natureza interior * 12. Uma digressão sobre a explicação histórica **PARTE III - A AFIRMAÇÃO DA VIDA COTIDIANA** * 13. "Deus ama os advérbios" * 14. Cristianismo racionalizado * 15. Sentimentos morais * 16. A ordem providencial * 17. A cultura da modernidade **PARTE IV - A VOZ DA NATUREZA** * 18. Horizontes fragmentados * 19. Iluminismo radical * 20. A natureza como fonte * 21. A virada expressivista **PARTE V - LINGUAGENS MAIS SUTIS** * 22. Nossos contemporâneos vitorianos * 23. Visões da era pós-romântica * 24. Epifanias do modernismo * 25. Conclusão: os conflitos da modernidade ---- **Prefácio** 1. A identidade moderna compreende o conjunto, em grande parte não explicitado, das concepções de interioridade, liberdade, individualidade e inserção na natureza que caracterizam a compreensão do agente humano no Ocidente moderno, cuja articulação histórica envolve dificuldades decorrentes tanto da amplitude do empreendimento quanto da definição gradual de seus próprios objetivos. 2. Os ideais e as interdições constitutivos da identidade moderna orientam, frequentemente sem reconhecimento explícito, o pensamento filosófico, a epistemologia e a filosofia da linguagem, de modo que doutrinas aparentemente derivadas de uma investigação neutra, como a epistemologia representacional de Descartes a Quine, incorporam concepções normativas acerca do sujeito. 3. Uma compreensão renovada da modernidade exige esclarecer as transformações culturais e sociais dos últimos três ou quatro séculos, pois a relação com esse passado, investigada diretamente por pensadores como Foucault, Habermas e MacIntyre ou pressuposta em outras posições filosóficas, constitui uma condição indispensável do autoconhecimento contemporâneo. 4. As interpretações da modernidade como ascensão a um estágio superior ou como processo de decadência, perda e esquecimento deixam escapar sua combinação singular de grandeza e miséria, cuja compreensão exige reconhecer tanto o envolvimento inevitável na identidade moderna quanto a superficialidade dos juízos unilaterais formulados a seu respeito. 5. A riqueza e a complexidade da identidade moderna tornam-se inteligíveis mediante a reconstrução de sua gênese, que permite compreender como a concepção moderna do sujeito se desenvolveu a partir de configurações anteriores da identidade humana. 6. A formação da identidade moderna articula três dimensões fundamentais: a interioridade e a concepção do sujeito como dotado de profundidade interna, acompanhadas de Agostinho a Descartes, Montaigne e à contemporaneidade; a afirmação da vida cotidiana, desenvolvida da Reforma ao Iluminismo e às suas formas atuais; e a compreensão expressivista da natureza como fonte moral interior, surgida no final do século XVIII e transformada ao longo dos séculos XIX e XX. 7. A reconstrução analítica e cronológica da identidade moderna pressupõe o esclarecimento das relações entre as concepções do sujeito e as visões morais, pois a ligação entre identidade e bem, frequentemente obscurecida pelas filosofias morais predominantes, exige reconhecer a presença constitutiva do bem na orientação moral e na vida humana. 8. Uma compreensão mais fecunda e menos unilateral da modernidade depende da recuperação de suas fontes morais, cuja riqueza é negada por seus críticos e obscurecida pela linguagem filosófica empobrecida de seus defensores mais incondicionais, tornando urgente resgatar possibilidades que a própria defesa da identidade moderna tende a tornar invisíveis. 9. A longa elaboração da investigação foi favorecida pelo intercâmbio com colegas de Oxford, McGill, Berkeley, Frankfurt e Jerusalém, entre eles James Tully, Hubert Dreyfus, Alexander Nehamas e Jürgen Habermas, bem como pelas conferências em memória de John Main, promovidas por Lawrence Freeman e pelo Priorado Beneditino de Montreal, que ofereceram uma ocasião decisiva para desenvolver e discutir uma interpretação da modernidade. 10. A conclusão do projeto tornou-se possível graças a um ano de pesquisa no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, ao apoio e às discussões com Clifford Geertz, Albert Hirschman e Michael Walzer e ao financiamento concedido pela Fundação Nacional para as Humanidades dos Estados Unidos. 11. A bolsa Isaak Killam, concedida pelo Conselho do Canadá, proporcionou um afastamento decisivo de um ano, enquanto a licença sabática da Universidade McGill e a bolsa do Conselho de Pesquisas em Ciências Sociais e Humanidades do Canadá permitiram concluir o manuscrito. 12. O auxílio de pesquisa concedido pela Universidade McGill contribuiu para a reformatação do manuscrito e a preparação do índice. 13. A preparação final da obra contou com os comentários de Mette Hjort, as sugestões de Alba e Miriam, a abertura a dimensões pouco familiares da existência proporcionada por Karen e Bisia, o pragmatismo de Beata e a colaboração editorial de Gretta Taylor, Melissa Steele e Wanda Taylor na preparação, revisão e indexação do manuscrito. 14. A reprodução de poemas e excertos de W. B. Yeats, Ezra Pound, W. H. Auden, Rainer Maria Rilke, Paul Celan, Charles Baudelaire, Tadeusz Różewicz e Zbigniew Herbert foi viabilizada pelas autorizações dos respectivos titulares de direitos e editoras, incluindo as traduções de Stephen Mitchell, Michael Hamburger e Czesław Miłosz. {{tag>CTaylor eu si}}