====== Montaigne ====== //STAROBINSKI, Jean. Montaigne en mouvement. Paris: Gallimard, 1982 (Coleção Bibliothèque des Idées).// * Prefácio * I. "E então, para quem escreveis?" * 1. A acusação * 2. O espaço votivo * 3. A questão da identidade * 4. A vida teorética e a função do exemplo * 5. A exceção * 6. O desdobramento, os monstros, a melancolia * 7. A arte do pintor * 8. A iminência da morte * 9. O amigo perdido * 10. "Mas para ti, o combate é maior" * II. "Essa máscara arrancada" * 1. "A verdadeira face das coisas" * 2. O ato supremo: o suicídio * 3. Crítica da morte * 4. A felicidade de sentir: entre a vigília e o sonho * III. "A relação com o outro" * 1. A tentativa de independência * 2. A relação restabelecida * 3. A recusa dos livros, os empréstimos, a apropriação * 4. Economia da relação * 5. A "revolta do estômago" e os "braseiros ardentes" * 6. O desejo e o mundo aberto * 7. Nota sobre o agrupamento ternário * IV. O momento do corpo * 1. O despudor * 2. A rebelião do corpo * 3. Os "erros médicos" * 4. As confissões estudadas * 5. O copeiro eloquente * V. Dizer o amor * 1. Livros proibidos, livros desejados * 2. Os serviços mútuos * VI. "Cada um está, de algum modo, em sua obra" * 1. A natureza e a obra * 2. Aspectos do movimento * 3. A obra-prima de viver * VII. Quanto aos "assuntos públicos" * 1. Da simpatia à crítica * 2. A obediência desiludida * 3. A ação serena * 4. "Conservar e perdurar" * 5. O crédito recusado: o tempo limitado e a "grande imagem" * 6. Depois de Montaigne * Bibliografia ---- **Prefácio** **Prefácio** 1. Quando o pensamento melancólico de Montaigne denuncia o artifício e o disfarce das aparências em nome do ser, da verdade e da identidade, permanece em aberto a possibilidade de alcançá-los, sobretudo porque a tentativa de pôr a si mesmo à prova nos Ensaios depende da linguagem, cujo valor ele próprio põe em dúvida. 2. O movimento do pensamento de Montaigne nasce de um ato de recusa e pode ser acompanhado pelas consequências lógicas dessa negação inicial, independentemente da ordem em que determinadas ideias e atitudes intelectuais ganham relevo nas sucessivas edições dos Ensaios. 3. A contestação do poder enganador das aparências constitui, em Montaigne e Rousseau, um ato de pensamento e de existência que dá origem a percursos distintos, pois Montaigne reconhece a legitimidade da aparência diante da impossibilidade de alcançar o ser, enquanto Rousseau, inconciliado com o mundo que percebe como hostil, preserva a convicção de que a transparência encontrou seu último refúgio no próprio coração. 4. A denúncia da mentira, comum à antiga retórica moral e a muitas formas contemporâneas de suspeita, permite interrogar Montaigne a partir de inquietações modernas e, ao mesmo tempo, esclarecer a situação de quem o lê por meio do confronto com uma obra viva em sua distância histórica e em sua singularidade. 5. Embora o ceticismo possa conduzir à reabilitação dos fenômenos, à valorização do instante, ao recurso à experiência sensível e, em contexto cristão, ao fideísmo, o percurso singular de Montaigne se revela nas variações pelas quais o pensamento retorna às aparências e aos artifícios inicialmente rejeitados, passando pela amizade, pela morte, pela liberdade, pelo corpo, pelo amor, pela linguagem e pela vida pública. 6. A advertência de Montaigne contra a proliferação de comentários sobre comentários convive com a expectativa de um leitor capaz de imaginar, a partir dos Ensaios, outros ensaios possíveis e de reconhecer, naquilo que o acaso trouxe à escrita, achados que ultrapassam a intenção e o saber de quem escreveu. {{tag>Starobinski Montaigne}}