====== 3.2 Relação restablecida ====== //STAROBINSKI, Jean. Montaigne en mouvement. Paris: Gallimard, 1982 (Coleção Bibliothèque des Idées).// **"A RELAÇÃO COM OUTREM"** **A RELAÇÃO RESTABELECIDA** 1. No final da Apologia, Montaigne deixa o homem no seio de um universo incognoscível diante de uma divindade inacessível da qual nada pode ser afirmado, mas nem por isso o desespero o tomou. 2. A reflexão cética, depois de haver provado que as aparências barram todo acesso ao ser, restitui-lhes uma legitimidade nova, pois se não revelam a essência dos objetos não são por isso menos ricas nem menos deleitáveis. 3. Já que as aparências nos impedem de ir ao encontro de uma ordem ontológica superior, é preciso acomodar-nos a isso e conceder-lhes nossa mais grave atenção e nossa avisada adesão, abandonando-nos despreocupados e ignorantes à grande lei geral que rege o mundo. 4. O homem não sai dos fenômenos mas pode aí provar da alegria, e o mundo fenomênico abre à experiência sensível e aos prazeres perceptivos um campo infinito aquém de toda verdade certa. 5. A vertigem e a lassidão espreitam talvez a consciência desejosa de desposar o ritmo dessas imagens em perpétua mudança, mas sua equivalência, sua igual fraqueza ontológica e a igual verossimilhança das opiniões são um motivo paradoxal para permanecer em repouso e deixar os semelhantes em repouso. 6. O mesmo ocorre com a verdade do eu, pois o ser estável e permanente não se deixa apreender e é como se não fosse, não podendo contar nem com o estado agonizante nem com o estado nascente. 7. Se o homem não se acomoda nem ao seu reflexo na consciência dos outros nem à ficção que se inventa a todo instante em seu foro íntimo, nada lhe é oferecido em troca, e a consciência deve reconsiderar suas recusas. 8. A consciência não encontrou abrigo seguro nem deu a si mesma melhores possibilidades por ter rompido com o exterior, mas vê a exterioridade invadir e esvaziar paradoxalmente o centro subjetivo que se pretendia autônomo e sólido, fazendo dele um mundo analógico entregue ao movimento e participando da agitação universal. 9. Ao recusar a relação com outrem não se faz mais do que transferir a alteridade para si mesmo, de maneira que jamais se pode conviver consigo mesmo senão no modo da relação com outrem, e é forçoso reconhecer que a opinião nos segue em nós mesmos como nossa sombra. 10. Era preciso desconfiar da consciência de outrem, mas ela só é armadilha para aqueles que aí não sabem encontrar uma referência a um só tempo revogável e necessária, frágil e proveitosa, e desde o começo de seu trabalho de escritor Montaigne recorreu ao poder estabilizador do olhar dos outros. 11. A presença da testemunha exige uma mobilização e um esforço construtivo que contribui para a definição de uma forma, e a noção de forma aplica-se com igual pertinência ao que realiza a natureza quando produz um indivíduo e ao resultado do ato de trabalho regido pela vontade do próprio indivíduo. 12. Uma forma nossa nos foi atribuída de fora, de uma vez por todas, pela natureza ou por Deus, e então todo ato saído de nossa condenável liberdade, todo ato solicitado por nossa relação com outrem, será pelo menos suspeito de trair a forma primeira e de nos contra fazer e de nos deformar. 13. Se ao contrário temos o direito legítimo de participar na constituição de nossa forma e se nos é concedido fazer-nos, então é ao dar forma a uma obra exterior que teremos possibilidade de dar forma a nós mesmos, como Montaigne afirma ao dizer que fez o seu livro tanto quanto o seu livro o fez. 14. Montaigne acrescenta que não objetiva outras obras nem fim outro que não a personalidade do autor, recusando apenas a finalidade prática e a destinação utilitária que o declara fidalgo e desdenhoso de exercer atividade plebeia, mas não recusa de modo algum o olhar dos outros, que presta uma assistência decisiva à descrição de si. 15. Ao fazer o molde de seu próprio rosto com mais de uma vez precisou enfeltrar-se e ajustar-se, de modo que o modelo se afirmou e tomou forma sozinho, pintando-me para outrem e pintando a minha alma com cores mais nítidas do que apresentava primitivamente. 16. A consideração de outrem provoca uma acentuação da imagem, e o pintor exagera, mas se o modelo muda e chega a se parecer com o retrato mais nítido que traçou, terá incorporado as cores do retrato, ter-se-á pintado em si. 17. A presença da testemunha provoca por vezes uma exageração da palavra, mas em outras circunstâncias o interlocutor intervém para reprimir e contrabater o excesso verbal em que Montaigne se deixa arrebatar. 18. Mesmo em um homem de boa-fé, o perigo da mentira e da hipérbole é inseparável do próprio ímpeto da palavra, mas o arrebatamento não chega até a vertigem, havendo um limite para essa exageração e um retorno possível à verdade nua e crua. 19. O significativo é que, depois de ter encontrado seu estímulo em uma resistência exterior, o impulso deformador se vê impor igualmente de fora seu limite e seu freio, e a verdade nua é redescoberta graças ao diálogo e às objeções do interlocutor. 20. O afastamento é causado pela relação com outrem, sem a qual não teria havido palavra viva, mas o retorno à veracidade lhe é igualmente devido, sendo a relação alternadamente o que compromete e o que restabelece a verdade. 21. Nada garante antecipadamente a exatidão do movimento que nos comunica com os outros nem que saberemos encontrar as palavras adequadas, mas Montaigne sente-se protegido por seu natural horror à mentira, sendo a veracidade uma necessidade vital para aquele que descobriu que sua imagem não é nada sem referência às consciências estranhas. 22. Se meu ser e minha forma se tornam inconcebíveis fora da relação com outrem, a mentira não é apenas uma deslealdade condenável em relação ao próximo, mas para nós mesmos uma catástrofe ontológica, pois perco minha verdadeira forma já que não me é possível preservá-la intacta em meu foro íntimo. 23. Mentir aos outros é enganar a si próprio e lograr-se por não querer ser logrado, e não se pode salvaguardar pelo embuste a fidelidade que se deve a si mesmo, devendo a veracidade ser ininterrupta. 24. No mundo dos fenômenos em que se joga o nosso destino, o homem se vê cortado de toda relação com as essências eternas e não lhe resta mais que a relação temporal com o mundo e com os vivos. 25. Já não somos obrigados a estabelecer uma relação estável com a transcendência, pois Deus é incognoscível, mas nosso dever é instaurar relações eqüitativas no seio da imanência, e a verdade é sustentada pela frágil relação com os outros, esses viventes tão precários quanto nós. 26. A sinceridade, relação instável com outrem, nos é tanto mais indispensável que, se viesse a faltar, sofreríamos um aniquilamento definitivo, não podendo recorrer nem à transcendência nem à própria intimidade, ambas inapreensíveis. 27. Nossas relações recíprocas estabelecem-se pela palavra, e faltar à palavra é trair a sociedade, porquanto é o meio de comunicar nossos pensamentos e o único intérprete de nossa alma. 28. Que os homens deixem de se conhecer mutuamente não é de pouca conseqüência para um autor que tem o maior desejo de se mostrar como é e que sentiria grande desprazer em ser considerado diferente do que é, pois sem ter a quem se opor nem a quem se mostrar não lhe resta nenhuma preensão sobre si mesmo. 29. Ele pode variar a distância que o separa dos outros e, levando-a ao grau extremo, acreditará ter-se reencontrado, mas tão logo empreende conhecer-se e descrever-se os outros estão participando novamente, ainda que de maneira surda e sub-reptícia. 30. A sós não somos capazes de nos esboçar, e logo que intervém a exigência de uma forma uma testemunha ainda que imaginária torna-se-nos indispensável, pois conhecer-se e ser conhecido são atos solidários e a falência de um seria ao mesmo tempo a ruína do outro. 31. Quem não se conhece pode empanturrar-se com elogios imerecidos, mas Montaigne não, porque se vê, se analisa e sabe muito bem o que é, agradando-lhe que o louvem mas com conhecimento de causa. 32. A dissimulação diante de outrem desemboca fatalmente no desconhecimento de si, pois esconder-se dos outros conduz a esquivar-se diante de si mesmo, e é preciso discernir seu vício e bem analisá-lo para o contar. 33. Nada é visto no interior senão para ser repetido no exterior, nada é dito senão para ser melhor visto, e nesse ponto o parecer não é mais uma potência inimiga nem o reflexo fantasmático nos olhos dos outros, mas o agente que do exterior nos ajuda a solidificar nosso ser. 34. Dessa vez os outros passam à categoria de interlocutores, de leitores, de público, e assim fazendo chega-se ao reconhecimento da legitimidade relativa da primeira dependência, pois o homem não se concebe fora de uma sociedade civil. 35. Pode-se doravante fazer justiça a esses laços artificiais e a esses costumes de que de início se desobrigara como de uma servidão, voltando a eles livremente e daí extraindo o que convém, pois as inflexões vigorosas da linguagem familiar provêm dessa região. 36. A ruptura e a concentração na existência individual não podem ser mais que uma fase intermediária entre dois estilos de relação com outrem: o primeiro imposto pelo enraizamento social e pelos vínculos costumeiros, sofrido de maneira quase inconsciente e ligado aos interesses especiosos do prestígio; o segundo infinitamente mais amplo, implicando a plena posse de si, virtualmente aberto para o universal e reconhecido e consentido com toda a clareza. 37. O trajeto assim percorrido vai da dependência cega à relação dominada, e o exemplo de Sócrates intervém de maneira decisiva, pois ele representa o homem que, por ter-se desprendido das servidões locais e ter-se afirmado em sua individualidade racional e livre, com isso apenas se torna mais capaz de contrair laços universais e de consentir no veredicto dos juízes de sua cidade. 38. Vivemos todos apertados dentro de nós mesmos e não vemos um palmo diante do nariz, e perguntando a Sócrates de onde era ele não respondeu de Atenas mas do mundo, pois sua inteligência mais vasta abarcava o universo e dele fazia sua cidade, tendo por objeto de sua afeição o gênero humano. 39. A lição das viagens é da mesma ordem, pois a partida nos desliga e rompe por um tempo os vínculos familiares e locais, mas essa ruptura nos torna aptos a entrar em uma ligação humana geral e universal, ganhando-se com a troca pela substituição de um laço de necessidade por um laço de solidariedade e de uma comunidade restrita por uma comunidade mais ampla. 40. Montaigne pleiteia a favor e contra nossos vínculos segundo se trate de uma ligação universal ou particular, empregando a palavra comum e seus derivados em sentido alternadamente pejorativo e laudatório, renegando a comunicação imediata e impensada do clima e do parentesco que nos são impostas sem nosso livre consentimento. 41. Nada é mais legítimo que uma relação aprovada pela razão, fundada na consciência e não mais nos laços de sangue, e que nada impede de estender-se à humanidade inteira, e o laço desde então já não é um entrave mas uma garantia de liberdade. 42. A natureza pôs-nos neste mundo livres de quaisquer compromissos, e nós nos prendemos dentro de estreitos limites, mas no instante da partida abandonamos a prisão e recuperamos a liberdade original, e porque sabemos reconhecer que esta nos é comum com todos os homens nossa libertação implica imediatamente a adesão a uma sociedade mais vasta. 43. Todos os homens são meus compatriotas, e Montaigne abraça um polonês como abraçaria um francês, fazendo passar os laços que unem os indivíduos de uma nação após os que vinculam uns aos outros os habitantes do mundo. 44. O benefício da viagem não pára aí, pois tendo conduzido Montaigne do particular ao geral permite-lhe em seguida voltar ao particular e revê-lo sob outro aspecto, e a separação prepara um retorno e o torna desejável ao fim de certo tempo. 45. O viajante que vem de longe e retoma o gosto por sua casa não pode mais olhar com o mesmo olho o seu domínio privado, nele descobrindo uma nova face e um novo valor revelados pela distância atravessada, e sabe melhor que está tratando com o particular e pode amá-lo como tal. 46. Se o conhecimento do universal tem por efeito relativizar o amor instintivo que dirigíamos outrora aos nossos próximos, não abole de maneira alguma esse amor mas lhe dá uma justificação mais completa, e o desejo que nos chama de volta para a segurança doméstica já não é o vínculo impensado e triste que nos retinha à distância de um mundo mais vasto. 47. Os lugares familiares que se redescobrem não são mais a prisão que nos incomodava, e da distância conquistada ao afastar-se de sua morada uma plenitude harmoniosa parece realizável naquela casa onde, cansado de seus primeiros vínculos, via de início apenas impedimento. 48. Montaigne chega mesmo a fazer da interrupção uma fonte de plenitude, como se não se chegasse à verdadeira presença senão pela intercessão do afastamento, pois o prazer de ver-se continuamente não iguala o de se encontrar após uma separação. 49. Essas interrupções avivam o amor que dedica aos seus e tornam mais aprazível o tempo que passa em casa, e sucedendo o lar à viagem e reciprocamente com muito mais agrado vai de um a outro prazer. 50. Por um oxímoro surpreendente o impedimento adquire um valor positivo, pois desde que não entrava mais a nossa liberdade o obstáculo presta o insigne serviço de definir nosso ser, delimitando um espaço sujeito a nossa vontade e recusando-nos o acesso a um horizonte em que nossas forças se extenuariam. 51. O homem precisa pedir-nos a esmola de uma resistência, e sua felicidade é incompleta e ele sofre com isso, e nossa maior riqueza está no consentimento à finitude e no enfrentamento do obstáculo. 52. Depois de haver desejado o espaço aberto dos caminhos estrangeiros, Montaigne retorna a seu ponto de partida, onde de início se sentira apertado e desprovido de verdadeira comunicação, e agora aí descobre a possibilidade de se realizar segundo seu ser. 53. Tal é a pulsação do pensamento de Montaigne: a paixão das distâncias é alternadamente aceita e condenada, ora é tolice fechar-se entre quatro paredes, ora é loucura lançar-se para os confins incertos. 54. Depois de haver declarado que só culpa o nosso espírito de uma coisa, a de preocupar-se com tudo, Montaigne escreve o mais belo elogio da extensão e define a vida do espírito como uma caçada no espaço aberto. 55. Nenhum espírito generoso se detém por si mesmo, antes vai sempre para diante e além de suas forças, e se não se afana, não se apressa, não acua, não se choca, não gira sobre si mesmo é porque não está vivo, vegeta, e suas buscas não têm forma nem fim, alimentando-se de admiração, de pesquisas e de dúvidas. 56. Em um mesmo ensaio Montaigne declara-se pouco apto aos contatos humanos e depois se apresenta como uma consciência destinada por natureza à comunicação, afirmando ter uma maneira de pensar que o isola dos outros para acrescentar pouco depois que é essencialmente comunicativo e exuberante, nascido para a sociedade e a amizade. 57. Nenhum prazer tem sabor para ele se não pode entreter-se a respeito com alguém, e o mais insignificante pensamento gosta de tê-lo a quem dizer, e essas declarações se contradizem apenas para completar-se e condicionar-se reciprocamente. 58. A aparente contradição se explica pelas relações do espírito com o espaço que se oferece a ele, pois o espaço está aberto para aquele que medita solitariamente, mas para aquele que se mistura à multidão o único espaço livre é interior. 59. A solidão causada por um isolamento efetivo tende a dilatar as ideias e a fazê-las voltar-se para os fatos exteriores, e quando só Montaigne medita principalmente acerca dos negócios do Estado e do mundo, mas no Louvre e em numerosa companhia recolhe-se em si mesmo. 60. A multidão impele-o a fechar-se em si mesmo, e nas conversações que então mantém consigo os assuntos são bem menos agradáveis e pessoais do que quando se encontra em lugares em que se observam o respeito e o silêncio. 61. O pensamento de Montaigne se determina negativamente em relação ao meio que o cerca, pois a distração no sentido mais forte é sua regra e pensamos sempre em outra coisa, e a partir daí não é de surpreender que o jogo dos contrários faça nascer a expansão na solidão e o monólogo interior em plena multidão. 62. Assim se explicam o interesse e a indiferença que Montaigne exprime alternadamente em relação à vida pública, pois no interior de suas atividades políticas se pretende incapaz de se entregar inteiro às tarefas que o requisitam, delas se desobrigando por princípio e protegendo-se com uma margem de indiferença entre os negócios e sua própria vida. 63. Mas reengajado em si mesmo e recolhido em sua tranqüilidade privada, Montaigne não tarda em descobrir a significação histórica e moral de sua abstenção e de sua ociosidade, e em comparação com os infortúnios da época sua solidão lhe parece dificilmente justificável. 64. Ele lança seu pensamento para os negócios do Estado e se acusa de ser co-responsável pelas misérias da França, e a vida livre, o otium cum litteris e todo o recolhimento estudioso de que fixara o programa nas inscrições de sua biblioteca despertam-lhe o sentimento de uma deserção. 65. Diante da corrupção do século tem alguns remorsos, pois a corrupção do século deve-se à cooperação de cada um em particular, uns contribuindo com a traição, outros com a iniqüidade, a irreligião, a tirania, a avareza e a crueldade, e os mais fracos dando a estupidez, a vaidade e a ociosidade, e Montaigne se inclui entre estes. 66. Ei-lo então mais solidário, mas solidário na participação no mal, do que quando tomava parte nos negócios públicos, e o escrúpulo que lhe inspira a sua ociosidade vem corrigir a inação e o reconduz ao pensamento dos infortúnios do século. 67. O escritor refugiado em sua torre é tomado de má consciência em relação à situação dramática de seu país, e a mania de escrever parece ser sintoma de um século perturbado, pois nunca se escreveu mais do que depois que a era das agitações se iniciou. 68. Montaigne retorna a seu país, a sua morada e a sua família depois de haver tomado consciência da ligação universal, e essa ligação universal fora-lhe inicialmente uma razão para afirmar sua liberdade ao se libertar de seus primeiros laços familiares e nacionais. 69. A dependência primeira, imediata e impensada, foi superada, mas esse afastamento por sua vez foi ele próprio superado para dar lugar a um retorno refletido e dominado aos antigos vínculos, e tal é o modelo do movimento percorrido através dos três tempos da relação. 70. O primeiro tempo era aquele da dependência, o segundo é marcado pela vontade de reapropriação e pelo afastamento liberador, e em um terceiro tempo uma plena legitimidade é restituída à ligação tecida de obrigações e de deveres concretos que nos une ao que nos cerca, sendo o particular redescoberto tal como se inscreve doravante no universal. 71. Isso permite a Montaigne preconizar um ajustamento maleável da relação segundo a exigência do momento e a qualidade dos parceiros, convindo a cada circunstância um tipo de relação adaptada e cabendo avaliar as conseqüências, o risco e o que está em jogo. 72. A relação deve modular-se com delicadeza, ora no interesse de sua beleza própria ora para a salvaguarda de nosso repouso, e sempre no respeito pela vida e pela independência dos outros, havendo certo respeito não somente pelos animais mas também por tudo o que encerra vida e sentimento. 73. Aos homens devemos justiça e às demais criaturas capazes de lhe sentir os efeitos solicitude e benevolência, pois entre elas e nós existem relações que nos obrigam reciprocamente, e a obrigação, de início suspeita, torna-se a regra geral de todas as nossas relações. {{tag>Starobinski Montaigne outrem relação}}