====== Simbólica do Sonho – Prefácio (Schubert) ====== PELO DOUTOR GOTTHILF HEINRICH SCHUBERT [Edição de 1814] O autor dedica este livro aos seus amigos Georg Matthias Burger, de Nuremberg, e Matthias Conrads, de Brinke, na Vestfália, como testemunho temporal de uma amizade eterna. ==== PREFÁCIO ==== O autor não quis expor nas páginas seguintes uma verdadeira teoria do sonho; contentou-se, mesmo na parte fisiológica desta pequena obra, em chamar a atenção do leitor para uma certa “parte vergonhosa” do ser humano, cuja verdadeira natureza é, na vida cotidiana, muitas vezes desconhecida. Essa parte adormecida e sonhadora de nós mesmos, que sabe tão bem se esconder aos olhos destreinados, nos levará além da fronteira obscura com tanta certeza quanto a parte desperta, e a educação dessa primeira parte deveria, em mais de um aspecto, representar para nós uma preocupação importante; um sistema muito antigo, mas altamente pedagógico, próprio de todos os povos e de todas as épocas, expõe-nos o método. O autor, por várias razões, considerou oportuno dar esse tom particular a este tratado, com um tom de conversa leve. Parece ter chegado o momento em que mesmo os surdos do lado do espírito começam a ouvir novamente e em que a ciência, em particular a ciência da natureza, está finalmente em condições de nos pagar parte de sua antiga dívida. Além disso, não parecia inadequado, precisamente no momento em que a vitória sobre um inimigo externo acabara de ser comemorada, chamar a atenção para um destruidor e usurpador estabelecido em nosso íntimo. Ainda nos resta combater este último, cuja saúde geralmente prospera com a claridade do sol e a paz exterior, e essa luta, que só pode terminar com uma vitória total e não com negociações para um armistício, pode muito bem se tornar, por múltiplas razões, mais séria em nossa época do que em qualquer outra. É por isso que devemos aproveitar ao máximo este breve momento de descanso e receptividade, tanto mais que pode ser tarde demais para administrar medicamentos se um acesso de febre reaparecer. Por fim, esta Simbologia deveria constituir o prefácio sucinto de um capítulo bastante extenso do próximo volume de nossos Pressentimentos, que redigiremos assim que o terreno propício, o material e a clareza do alto nos forem concedidos. Nuremberg, 17 de abril de 1814, O autor