====== DEFINIÇÃO COSMOLÓGICA DO HOMEM (PUENTE) ====== //REY PUENTE, Fernando. As concepções antropológicas de Schelling. Sao Paulo: Loyola, 1997.// Resumos: {{topic>Puente}} ---- * Reabilitação do topos do homem como microcosmos no interior da Filosofia da Natureza * O motivo do microcosmos é retomado como estrutura conceitual fundamental da tradição filosófica, atravessando Antiguidade, Idade Média e Modernidade, e reapresentado de modo sistemático no pensamento schellinguiano inicial * Essa reabilitação não assume caráter meramente histórico ou metafórico, mas visa reinscrever o homem como lugar efetivo de concentração da totalidade do real * A Filosofia da Natureza fornece o horizonte ontológico no qual o microcosmos deixa de ser imagem ilustrativa e passa a operar como princípio constitutivo da definição do homem * Inserção da antropologia no âmbito cosmológico e orgânico * A determinação do homem é deslocada do campo exclusivo da subjetividade transcendental para o interior da natureza concebida como organismo * O homem é compreendido a partir de sua posição estrutural no todo natural, e não a partir de sua interioridade psicológica * A noção de organismo permite pensar o homem como totalidade concreta, na qual se articulam e se refletem todas as forças da natureza * Identificação entre homem, organismo e totalidade do mundo * O homem não é um organismo entre outros, mas aquele no qual a ideia de organismo alcança sua expressão mais completa * Todas as potências e dinamismos da natureza encontram no homem seu ponto máximo de integração * A definição do homem como coroamento e florescência do mundo exprime a consumação interna da natureza, e não sua superação externa * Consequências epistemológicas da centralidade do homem * A ciência que tem por objeto o organismo humano adquire uma posição privilegiada no conjunto dos saberes * Essa primazia decorre da estrutura ontológica do humano enquanto síntese das leis universais da natureza * O conhecimento do homem oferece acesso privilegiado à inteligibilidade do mundo natural como um todo * Delimitação metodológica da investigação antropológica inicial * A análise não visa uma exposição exaustiva da antropologia schellinguiana * O procedimento adotado consiste no estabelecimento de analogias estruturais entre o homem, o organismo singular e o mundo * A analogia funciona como método adequado à identidade interna entre microcosmos e macrocosmos, sem redução causal ou mecanicista * Função sistemática da analogia * A analogia permite predicações recíprocas entre homem e mundo mantendo a diferença entre os termos * Ela exprime uma identidade estrutural e dinâmica, e não uma identidade numérica * Esse método substitui explicações lineares por correspondências orgânicas fundadas na unidade do real * Inserção da forma humana no contexto da Filosofia da Arte * A discussão antropológica emerge no interior da reflexão estética * A arte é compreendida como manifestação privilegiada do Absoluto * A forma humana aparece como a representação simbólica mais elevada dessa manifestação * Significação cosmológica da forma humana * A forma humana é interpretada como imagem reduzida do universo * O corpo humano condensa em sua configuração a estrutura do todo cósmico * Essa simbolização funda-se na identidade ontológica entre homem e mundo * Verticalidade e simetria como determinações cosmológicas * A verticalidade do corpo humano exprime a superação da dependência imediata da terra * A simetria corporal indica a reconciliação das polaridades espaciais * Essas determinações são condições para o pleno significado cosmológico do homem * Centralidade da cabeça na economia simbólica do organismo * A cabeça corresponde ao céu e ao sol enquanto princípio governante * Ela ocupa a posição superior e diretiva no organismo humano * Essa centralidade expressa a dimensão inteligível e luminosa do homem * Respiração e mediação entre céu e terra * A respiração é apresentada como o primeiro movimento de troca entre os polos do cosmos * O tórax torna-se o lugar dessa mediação dinâmica * A vida humana encarna, em sua própria estrutura fisiológica, a relação entre superior e inferior * Linguagem simbólica dos membros e dos sentidos * Os pés exprimem a separação relativa da terra * Braços e mãos manifestam a força produtiva e configuradora da natureza * Os olhos ocupam posição privilegiada como órgãos da luz e da aparição externa da vida * O organismo humano como paisagem condensada do mundo * O sistema muscular corresponde ao sistema geral do movimento cósmico * O corpo humano reúne em miniatura os dinamismos da natureza inteira * O homem é o ponto mais elevado de concentração do universo e da inteligência nele presente * Definição do homem como imagem não potenciada da identidade absoluta * O homem é definido como imagem imediata da identidade não potenciada * Ele não é afetado por nenhuma potência particular * Sua essência precede as diferenciações próprias do devir * Dupla determinação do homem como órgão da terra e do sol * O homem pertence simultaneamente aos dois polos do cosmos * Ele estabelece a ponte viva entre ideal e real * Essa posição fundamenta sua função mediadora * Limite interno da definição cosmológica * A primazia do homem refere-se à ideia do homem, não ao indivíduo empírico * O indivíduo concreto não constitui o objeto central da investigação nesta fase * Surge a tensão entre universalidade da ideia e particularidade da existência * Emergência da intuição intelectual como exigência do sistema * O problema do acesso ao Absoluto impõe a necessidade de um modo de conhecimento imediato * Apenas a essência da alma possui a capacidade de unificação com o Absoluto * O conhecimento do Absoluto não pode ocorrer por mediação objetiva * Definição da intuição intelectual * A intuição intelectual é o conhecimento imediato do Absoluto * Ela não é sensível nem discursiva * Onde há objeto não há Absoluto, e por isso não há intuição sensível do Absoluto * Relação crítica com Kant * A intuição intelectual marca o limite da filosofia crítica * A negação kantiana da intuição intelectual é considerada inconsistente * O sistema crítico pressupõe tacitamente aquilo que recusa explicitamente * Crítica a Spinoza * O erro fundamental de Spinoza consiste na objetivação do Absoluto * A identificação do Absoluto com a substância elimina o sujeito * Schelling preserva o sujeito ao conceber o Absoluto como experiência interior * O Absoluto como experiência interior do Eu * O Absoluto encontra-se no interior do sujeito * Ele é acessível apenas pela contemplação de si * A intuição intelectual ocorre quando o Eu contemplante se identifica com o Eu contemplado * Preservação do sujeito e da liberdade * A intuição intelectual não implica autoaniquilação do sujeito * A identidade absoluta funda a liberdade incondicional * A aproximação do infinito ocorre por deixar-se conduzir, não por esforço ativo * Intuição intelectual como órgão do pensamento transcendental * Ela constitui o princípio mais elevado do conhecimento * Nela coincidem o conhecimento do Absoluto e o próprio Absoluto * Essa identidade não pode ser demonstrada, apenas manifestada * Fundamentação da Filosofia da Natureza * A intuição intelectual é instaurada como fundamento da filosofia da natureza * A natureza é simultaneamente produtiva e produzida * A contemplação da natureza é inseparável da identidade sujeito e objeto * Intuição intelectual e intuição estética * A intuição intelectual objetiva-se na intuição estética * A arte possui valor privilegiado como manifestação do Absoluto * A arte é o instrumento verdadeiro e eterno da filosofia * Limite da discursividade conceitual * A simplicidade absoluta não pode ser expressa por conceitos * Toda descrição dissolve a identidade imediata * A intuição intelectual funda a filosofia sem poder ser fundada por ela {{tag>Schelling antropologia Puente}}