====== Definição teológica do homem ====== //REY PUENTE, Fernando. As concepções antropológicas de Schelling. Sao Paulo: Loyola, 1997.// * Deslocamento decisivo da antropologia para o horizonte teológico * A definição do homem deixa de ser pensada prioritariamente em termos cosmológicos ou proto-históricos e passa a ser compreendida a partir da relação explícita com Deus * A antropologia é reconfigurada como momento interno da filosofia positiva, isto é, como pensamento do existente e do efetivo * O homem passa a ser determinado não apenas como mediador, mas como lugar no qual a revelação do Absoluto se decide historicamente * Êxtase da razão como passagem da filosofia negativa à filosofia positiva * A razão reconhece sua própria impotência enquanto instância puramente discursiva * O esgotamento da filosofia negativa manifesta-se como incapacidade de produzir o efetivo * O êxtase da razão designa o abandono de sua pretensão de totalidade conceitual em favor da abertura ao existente * Significado rigoroso do êxtase * O êxtase não é negação da razão, mas sua superação enquanto princípio exclusivo * Ele consiste em um deslocamento do centro do saber para além do conceito * A razão permanece operante, mas agora subordinada ao que se dá positivamente * Distinção entre intuição intelectual e êxtase da razão * A intuição intelectual pertence ao horizonte da filosofia negativa * O êxtase da razão inaugura o domínio da filosofia positiva * Enquanto a intuição intelectual apreende o Idêntico, o êxtase da razão acolhe o existente * Queda da razão e bancarrota da filosofia negativa * A razão reconhece que não pode fundamentar o ser a partir de si * Essa bancarrota não é fracasso contingente, mas momento necessário do sistema * A queda da razão prepara a abertura para a revelação * Filosofia positiva como pensamento do existente * A filosofia positiva não deduz, mas recebe * Seu objeto não é o possível, mas o efetivo * O ser não é explicado, mas reconhecido em sua doação * Centralidade da liberdade no acesso ao Absoluto * O Absoluto não se impõe por necessidade lógica * Ele só pode ser conhecido na liberdade * A liberdade humana torna-se condição do conhecimento de Deus * Deus como pessoa e não como princípio abstrato * Deus não é identidade indiferente * Ele é vontade, vida e decisão * A personalidade divina torna-se categoria ontológica fundamental * Dupla dimensão do conhecimento: saber e sabedoria * O saber refere-se ao conhecimento conceitual * A sabedoria refere-se ao conhecimento vivido * A teologia exige a superação do saber em direção à sabedoria * Crítica à absolutização do saber * O saber isolado conduz à esterilidade * Ele não produz transformação real * A sabedoria implica conversão existencial * Relação entre êxtase e decisão existencial * O êxtase implica renúncia da autossuficiência * O homem se reconhece como não-princípio * Essa renúncia funda a possibilidade da fé * Deus como efetividade absoluta * Deus não é apenas possível ou pensado * Ele é efetivo * A filosofia positiva pensa Deus como existente * O homem como ser capaz de Deus * A estrutura do homem inclui abertura ao divino * Essa abertura não é adquirida, mas constitutiva * A antropologia torna-se inseparável da teologia * O homem como imagem de Deus * A imagem não é mera semelhança externa * Ela exprime uma relação ontológica * O homem reflete a estrutura pessoal do divino * Criação como fundamento da relação homem-Deus * O homem não é emanação necessária * Ele é criado livremente * A criação funda a alteridade sem romper a relação * Distinção entre imagem e semelhança * A imagem permanece mesmo após a queda * A semelhança pode ser perdida * Essa distinção estrutura a antropologia teológica * O homem como criatura histórica * A criação não elimina a história * O homem realiza sua essência no tempo * A história torna-se o lugar da revelação * A queda do homem como evento ontológico * A queda não é mero erro moral * Ela exprime uma decisão da liberdade * O homem se afasta do fundamento por si mesmo * Mundo como consequência da queda * O mundo não é neutro * Ele nasce da ruptura entre ideal e real * A criação assume caráter ambíguo * O homem como instaurador do mundo * O homem passa a ocupar o lugar do princípio * Ele pretende ser autor de si e do mundo * Essa pretensão funda a alienação * Mal como possibilidade interna da liberdade * O mal não é substância * Ele é possibilidade da liberdade * A antropologia incorpora a negatividade * Impossibilidade da redenção por meios humanos * O homem não pode curar-se por si * A razão não restaura a unidade perdida * A salvação exige iniciativa divina * Revelação como resposta à queda * Deus se manifesta historicamente * A revelação não é dedutível * Ela é acontecimento livre * Cristo como mediação absoluta * A mediação não é apenas simbólica * Ela é ontológica e histórica * Cristo reconcilia ideal e real * Nova definição do homem à luz da revelação * O homem não é apenas imagem * Ele é chamado à participação * A antropologia culmina na cristologia * Superação da antropologia autônoma * O homem não se compreende a partir de si * Sua verdade está fora de si * A teologia torna-se o horizonte último da antropologia * Unidade final entre Deus e homem * A distinção não é anulada * A relação é consumada * Deus torna-se tudo em tudo * Sentido último da história * A história não é ciclo nem acaso * Ela é processo de reconciliação * O homem participa conscientemente desse fim * Conclusão implícita da antropologia schellinguiana * O homem é microcosmos, história e imagem * Sua essência é liberdade em relação * A antropologia só se completa na teologia {{tag>Schelling antropologia}}