====== DEFINIÇÃO (PROTO-)HISTÓRICA DO HOMEM (PUENTE) ====== //REY PUENTE, Fernando. As concepções antropológicas de Schelling. São Paulo: Loyola, 1997.// Resumos: {{topic>Puente}} ---- * Deslocamento da definição cosmológica para uma definição (proto-)histórica do homem * A investigação abandona a determinação do homem como imagem estática da totalidade e passa a compreendê-lo como ser em devir * A filosofia deixa de operar prioritariamente com estruturas espaciais e simbólicas e passa a articular-se segundo uma dinâmica temporal interna * O homem é pensado a partir da história enquanto dimensão constitutiva de sua essência, e não como simples acréscimo acidental * Emergência da analogia homem-Deus como eixo estruturante da antropologia * A analogia não opera por semelhança externa, mas por identidade dinâmica de estrutura * Deus e homem são compreendidos como pessoas, isto é, como centros de vida, vontade e história * A personalidade torna-se categoria decisiva tanto para o divino quanto para o humano * Centralidade do texto Sobre a Essência da Liberdade Humana * A obra marca a passagem decisiva para uma filosofia do Absoluto em movimento * O Absoluto deixa de ser pensado como identidade indiferente e passa a ser compreendido como vida * A liberdade emerge como categoria ontológica fundamental * Superação da concepção de Absoluto como identidade imóvel * O Absoluto não é mais concebido como pura unidade estática * Ele é compreendido como princípio vivo, dotado de interioridade e tensão * A identidade absoluta passa a incluir diferença e negatividade como momentos constitutivos * Introdução da história no interior do Absoluto * A história não é apenas sucessão empírica de eventos * Ela é expressão necessária do desdobramento interno do Absoluto * O tempo torna-se categoria ontológica e não apenas forma da experiência * Crítica à concepção mecanicista do tempo * O tempo não é série homogênea de instantes * Ele exprime ritmos internos, interrupções e retornos * A história preserva diferenças sem dissolvê-las em continuidade vazia * Definição do início como categoria filosófica * O início não é um ponto cronológico * Ele designa um fundamento que permanece operante * O passado, o presente e o futuro coexistem estruturalmente * Introdução do conceito de fundamento como passado absoluto * O fundamento não é superado nem eliminado * Ele permanece como base obscura de toda manifestação * A negatividade funda a possibilidade do positivo * Estrutura temporal da realidade como simultaneidade diferenciada * Os momentos do tempo não se sucedem simplesmente * Eles coexistem em tensão * A história é compreendida como processo orgânico * Aplicação da estrutura histórica à definição do homem * O homem participa dessa estrutura temporal do Absoluto * Sua essência inclui passado, presente e futuro * O humano não pode ser compreendido fora dessa dinâmica * Mediação como tarefa histórica do homem * O homem não é apenas microcosmos * Ele é mediador ativo entre fundamento e manifestação * Sua existência implica responsabilidade histórica * Introdução do conceito de pessoa * Pessoa designa centro de decisão e vontade * A personalidade não é atributo psicológico, mas ontológico * Deus e homem são compreendidos como pessoas nesse sentido forte * Estrutura triádica do processo divino * O processo do Absoluto articula-se em três momentos * Esses momentos não são etapas cronológicas * Eles constituem níveis estruturais do ser * A negatividade como momento necessário do Absoluto * O mal não é simples privação * Ele possui realidade ontológica * A liberdade implica possibilidade de negatividade * Paralelismo estrutural entre processo divino e processo humano * O homem reflete em si a dinâmica interna do Absoluto * Sua história é imagem da história divina * A analogia homem-Deus funda a antropologia * Introdução do conceito de vontade * A vontade precede o entendimento * Ela é princípio de individuação * A liberdade funda a possibilidade do bem e do mal * Distinção entre vontade eterna e vontade existencial * A vontade eterna corresponde ao fundamento * A vontade existencial corresponde à manifestação * O homem participa de ambas de modo finito * Proto-história como dimensão originária * A proto-história não é narrativa mítica externa * Ela exprime estruturas originárias do ser * O homem traz em si essa história primordial * Queda como categoria antropológica * A queda não é evento empírico isolado * Ela exprime a cisão interna da liberdade * O homem carrega estruturalmente essa ruptura * Finitude como condição positiva * A finitude não é mera limitação * Ela torna possível a liberdade concreta * O infinito só se manifesta no finito * Historicidade do homem empírico * O homem concreto é expressão parcial da ideia * Sua história individual participa da história universal * O indivíduo é momento do processo total * Superação da oposição entre natureza e espírito * A natureza é compreendida como história inconsciente * O espírito é natureza tornada consciente * O homem é o ponto de passagem entre ambos * Centralidade da liberdade na definição do homem * A liberdade não é faculdade entre outras * Ela constitui a essência do humano * A antropologia torna-se inseparável da filosofia da liberdade * Responsabilidade histórica do homem * O homem não é mero espectador da história * Ele é agente do processo do Absoluto * Sua ação possui significado ontológico * Preparação da transição para a antropologia teológica * A definição proto-histórica não é definitiva * Ela aponta para uma determinação mais radical * A mediação última exige uma reconfiguração teológica da antropologia {{tag>Schelling antropologia Puente}}