====== Rosenstock-Huessy ====== ~~NOCACHE~~ ==== Eugen Rosenstock-Huessy e a Gramática do Viver-Comum ==== * Origem familiar e ruptura religiosa inicial * Inserção inicial em uma família judaica assimilada, marcada pela não observância religiosa e pela integração social * Conversão ao cristianismo na juventude como decisão existencial radical e fundadora * Batismo na Igreja luterana entendido como reorientação total da vida intelectual, histórica e espiritual * Instauração de uma tensão duradoura entre judaísmo e cristianismo que atravessa toda a trajetória pessoal e teórica * Formação acadêmica e precocidade intelectual * Formação jurídica em universidades centrais do espaço germânico e suíço * Obtenção rápida do doutorado e da habilitação como sinal de maturidade intelectual excepcional * Primeira atividade docente centrada na história do direito, já orientada por uma crítica ao positivismo jurídico * Articulação inicial entre direito, história e linguagem como domínios inseparáveis da realidade humana * Encontro com Margrit Huessy e associação intelectual * Conhecimento de Margrit Huessy como acontecimento biográfico e intelectual decisivo * União conjugal acompanhada de uma colaboração intelectual juridicamente reconhecida * Presença de Margrit como interlocutora privilegiada, mediadora cultural e testemunha da elaboração teórica * Inserção do pensamento de Rosenstock em diálogo permanente com a história da arte e a sensibilidade cultural * A experiência da Primeira Guerra Mundial * Participação direta no front como ruptura existencial e histórica * Experiência da guerra como revelação da fragilidade das construções racionais da modernidade * Encontro com Viktor von Weizsäcker como origem de um diálogo fecundo entre medicina, antropologia e filosofia * Consolidação de uma visão trágica da história como campo de prova e decisão * Consolidação acadêmica e transgressão disciplinar * Nomeação para uma cátedra de direito constitucional como reconhecimento institucional * Obtenção de um segundo doutorado em filosofia como gesto de ultrapassagem das fronteiras disciplinares * Passagem progressiva do direito para a sociologia como ciência do vínculo humano * Rejeição da especialização estreita em favor de uma abordagem total da realidade social * Ativismo intelectual e instituições extrauniversitárias * Fundação de iniciativas voltadas à educação dos trabalhadores e à formação permanente * Criação de estruturas de ensino popular como resposta à crise espiritual e social da modernidade * Organização de campos de trabalho social como laboratórios de novas formas de convivência * Gênese indireta de núcleos de resistência ética e política ao nacional-socialismo * Escolhas profissionais contra o conformismo * Recusa deliberada de posições acadêmicas prestigiosas e de funções políticas centrais * Distanciamento crítico tanto do poder universitário quanto do poder estatal * Inserção no mundo industrial como espaço de experimentação social e linguística * Compreensão da empresa como lugar de formação humana e não apenas econômica * Atividade editorial e redes intelectuais * Participação na fundação de casas editoriais voltadas ao diálogo religioso e cultural * Criação de revistas como espaços de confronto interconfessional e interdisciplinar * Defesa pública de figuras marginalizadas pelas instituições religiosas oficiais * Constituição de uma rede intelectual reunindo teólogos, filósofos e escritores de primeira grandeza * Ruptura com a Alemanha nacional-socialista * Demissão imediata após a tomada do poder por Hitler como gesto ético inequívoco * Escolha do exílio como fidelidade à consciência e à verdade histórica * Transposição do pensamento europeu para o contexto norte-americano * Transformação do exílio em ocasião de fecundidade intelectual * Carreira acadêmica nos Estados Unidos * Ensino da cultura alemã em instituições de prestígio * Conflitos com o meio acadêmico em razão do engajamento cristão explícito * Longa permanência no Dartmouth College como período de maturação da obra maior * Participação na formação cívica durante a Segunda Guerra Mundial * Vida pessoal e continuidade existencial * Morte de Margrit Huessy como ruptura biográfica profunda * Novo casamento com Freya von Moltke, integrando a memória da resistência alemã * Fidelidade ininterrupta à vocação intelectual até o fim da vida * Uma obra vasta e pouco traduzida * Produção abundante de ensaios fora dos moldes disciplinares tradicionais * Ausência quase total de traduções para o francês e o português * Caráter experimental, não sistemático e profundamente original da obra * A metanômica como método * Proposição de uma ciência social fundada na experiência viva da linguagem * Centralidade da palavra falada, do apelo e da resposta na constituição do social * Superação do positivismo sociológico por uma abordagem interna das instituições * Definição da sociologia como gramática profunda do viver-em-comum * A cruz do real e o sistema de coordenadas * Elaboração de um sistema de coordenadas espaciais e temporais fundamentais * Articulação entre interior e exterior, passado e futuro * Fundamentação de cada coordenada em práticas linguísticas específicas * Busca dos fundamentos últimos da convivência humana * Filosofia da linguagem e crítica da modernidade * Indissociabilidade entre sociologia, história e filosofia da linguagem * Compreensão da humanidade como realidade histórica constituída pela palavra * Elaboração dos conceitos de espaços de vida, formas de vida e visões de mundo * Crítica às tentativas de fundar a comunidade apenas na razão ou na natureza * Encontro e confronto com Franz Rosenzweig * Nascimento de uma amizade intelectual marcada pela confrontação radical * Discussão decisiva sobre judaísmo, cristianismo e história * Transformações espirituais profundas nos dois interlocutores * Revisão, por parte de Rosenstock, de sua concepção das relações judaico-cristãs * A prova existencial e a figura do inquisidor * Papel de Rosenstock como destruidor dos álibis intelectuais de Rosenzweig * Crise espiritual extrema conduzindo à redescoberta da fé judaica * Função iniciática do confronto na constituição de um pensamento autêntico * Reconhecimento do lugar irredutível da decisão existencial * A correspondência de guerra * Troca epistolar intensa como forma viva de pensamento * Afirmação da irredutibilidade entre judaísmo e cristianismo * Recusa da ideia de um mundo naturalmente cristão * Consolidação de um dos mais altos diálogos judaico-cristãos do século XX * O papel de Margrit na gênese de A Estrela da Redenção * Ampliação da correspondência a uma triangulação existencial decisiva * Transformação do tom epistolar pela experiência amorosa impossível * Margrit como testemunha privilegiada da elaboração da obra * Conservação das cartas como gesto de fidelidade intelectual e humana * Recepção crítica de A Estrela da Redenção * Reação inicial negativa diante da forma julgada obscura * Reconhecimento progressivo da importância da obra * Apoio concreto à publicação apesar das divergências teóricas * Acompanhamento atento da formação da obra a partir de sua célula germinal * O Gritlianum como embrião conceitual * Redação de um diálogo experimental entre alma e corpo * Teste crítico do conceito de natureza defendido por Rosenstock * Nomeação simbólica do texto como homenagem pessoal * Reconhecimento posterior do texto como embrião efetivo de A Estrela da Redenção * Síntese final do percurso * Rosenstock-Huessy como pensador da palavra, da decisão e da comunidade * Fidelidade ao real histórico contra toda abstração sistemática * Compreensão da linguagem como fundamento último do viver humano * Inscrição da obra em uma ética da responsabilidade e da transformação histórica **Bibliografia** * Herzogsgewalt und Friedensschutz: deutsche Voraussetzungen des spanischen Kopfzehnten. Breslau: M. & H. Marcus, 1910. (Untersuchungen zur deutschen Staats- und Rechtsgeschichte, Heft 104). * Königshaus und Stämme in Deutschland zwischen 911 und 1250. Leipzig: Felix Meiner, 1914. * Die Hochzeit des Krieges und des Rechts. Würzburg: Patmos Verlag, 1920. * Das Liebeskonzil: Gedichte. Würzburg: Patmos Verlag, 1920. * Angewandte Seelenkunde: eine geläufige Rede über die Mitmenschen. Darmstadt: Röther, 1924. * Die Pandekten und wir. Breslau: M. & H. Marcus, 1925. * Vom Industrierecht: rechtshistorische Abhandlungen. Berlin: Heymanns, 1926. * Religio depopulata. Berlin: Lambert Schneider, 1926. * Das Lebenswerk des Johann Friedrich von Meyer. Leipzig: Hinrichs, 1927. * Die europäischen Revolutionen: Volkscharaktere und Staatenbildung. Jena: Eugen Diederichs Verlag, 1931. * Das Arbeitslager: Antrittsvorlesung an der Universität Breslau. Breslau: M. & H. Marcus, 1931. * ROSENSTOCK-HUESSY, Eugen; ROSENZWEIG, Franz. Judaism despite Christianity: the "letters on Christianity and Judaism" between Eugen Rosenstock-Huessy and Franz Rosenzweig. Edited by Eugen Rosenstock-Huessy. University: University of Alabama Press, 1935. [Correspondência original de 1916]. * Out of revolution: autobiography of Western man. New York: William Morrow & Company, 1938. * The Christian future, or The modern mind outrun. New York: Charles Scribner's Sons, 1946. * The driving power of Western civilization: the Christian revolution of the Middle Ages. Boston: Beacon Press, 1949. * Der Atem des Geistes. Frankfurt am Main: Verlag der Frankfurter Hefte, 1951. * Heilkraft und Wahrheit: Konkordanz der politischen und der religiösen Weltgeschichte. Stuttgart: Evangelisches Verlagswerk, 1952. * Soziologie. Stuttgart: W. Kohlhammer Verlag, 1956–1958. 2 v. Band 1: Die Übermacht der Räume (1956). / Band 2: Die Vollzahl der Zeiten (1958). * Zurück in das Wagnis der Sprache: vier Vorträge. Berlin: Käthe Vogt Verlag, 1957. * Die europäischen Revolutionen und der Charakter der Nationen. 2. neubearb. Aufl. Stuttgart: W. Kohlhammer Verlag, 1961. [Revisão e expansão substancial da edição de 1931]. * Speech and reality. Introd. by Clinton C. Gardner. Norwich, VT: Argo Books, 1970. * I am an impure thinker. Foreword by Freya von Moltke. Norwich, VT: Argo Books, 1970. * Dienst auf dem Planeten: Kurzer Abriß der Soziologie. Stuttgart: W. Kohlhammer Verlag, 1970. * Ja und Nein: autobiographische Fragmente. Heidelberg: Lambert Schneider, 1972. {{tag>Rosenstock-Huessy linguagem}}