====== O novo filósofo, sumo sacerdote taumaturgo ====== //BÉHAR, Pierre. Les langues occultes de la Renaissance: essai sur la crise intellectuelle de l’Europe au XVIe siècle. Paris: Desjonquères, 1996.// * A figura do novo filósofo emerge como ideal antropológico da Renascença tardia. * O filósofo já não é apenas contemplativo. * Ele assume uma função ativa no mundo. * O saber confere poder de intervenção sobre a realidade. * O novo filósofo concentra em si funções tradicionalmente separadas. * Ele é filósofo, teólogo e operador. * Reúne ciência, religião e prática. * A distinção entre saber e agir é superada. * A noção de sumo sacerdote taumaturgo expressa essa mutação. * O filósofo torna-se mediador entre o divino e o mundo. * Sua palavra possui eficácia. * O conhecimento adquire caráter performativo. * A autoridade do novo filósofo funda-se no domínio da linguagem sagrada. * O conhecimento dos nomes divinos é central. * A palavra correta produz efeitos reais. * A linguagem deixa de ser mero instrumento de descrição. * A função sacerdotal do filósofo é reinterpretada. * Ele não depende de instituição eclesiástica. * Sua legitimidade procede do saber. * O acesso ao divino passa pela inteligência. * A taumaturgia é apresentada como consequência natural do conhecimento. * Agir sobre a natureza é sinal de compreensão de suas leis ocultas. * O milagre deixa de ser exceção. * A operação eficaz torna-se expressão de ordem. * O filósofo novo herda o ideal hermético do homem-microcosmo. * Ele contém em si a estrutura do cosmos. * Pode agir sobre o todo a partir de si. * O homem é elevado à dignidade de operador universal. * A moral do filósofo justifica seu poder. * A pureza de intenção é requisito essencial. * O saber deve servir ao bem. * A eficácia depende da retidão interior. * O conhecimento transforma-se em missão. * O filósofo é responsável pela regeneração do mundo. * Seu papel é restaurar a harmonia perdida. * O saber assume dimensão soteriológica. * Essa figura redefine o estatuto da filosofia. * Ela deixa de ser disciplina abstrata. * Torna-se força histórica. * O pensamento aspira a governar o real. * O sumo sacerdote taumaturgo encarna o ápice do otimismo renascentista. * O homem acredita poder unir verdade e poder. * Conhecimento e salvação parecem convergir. * A razão é investida de função quase redentora. * Essa idealização contém, contudo, uma tensão estrutural. * O poder do saber ameaça escapar ao controle moral. * A mediação simbólica pode converter-se em dominação. * O novo filósofo situa-se no limiar entre sabedoria e hybris. {{tag>Renascença Reuchlin}}