====== Amor====== O livro Estudos sobre o amor foi publicado inicialmente em 1939, em Buenos Aires. Aos ensaios que levam esse título (de 1926 e 1927), Ortega acrescentou, na época, outros de tema semelhante; porém, nas sucessivas e numerosas reedições do livro, essa segunda parte sofreu alterações, com a inclusão ou a exclusão de alguns deles. Nesta nova edição, além dos estudos que deram origem ao livro — os intitulados “Facções do amor”, “O amor em Stendhal” e “A escolha no amor” —, incluí outros artigos e ensaios (de datas anteriores e posteriores) nos quais converge a dupla circunstância da afinidade temática e do fato de não fazerem parte dos outros livros de Ortega que serão publicados nesta mesma coleção. Seu conteúdo é o mais completo e extenso entre os publicados sob este título e, pela primeira vez, inclui os ensaios intitulados “O manifesto de Marcela”, “A poesia de Ana de Noailles” e “Meditação da crioula”. A presença do tema na obra do autor não é, certamente, fortuita. Seu pensamento central é a consideração da vida humana entendida como realidade radical; mas o humano aparece condicionado pelo fato de ser, em sua raiz, dual, viril e feminino. E a ampla questão tratada nessas páginas é, a rigor, tudo o que se origina diretamente dessa divisão básica. Talvez não seja supérfluo observar que se trata de uma das características mais decisivas na vida da humanidade, mas menos abordada pela reflexão e, portanto, mais urgente de ser enfrentada por um pensador. Assim, em outras de suas páginas — em *El Espectador*, I —, Ortega escrevia: “Acredito que nossa época vai tratar do amor um pouco mais seriamente do que era costume... Desde sempre, o erótico tem sido submetido a um regime de ocultação. *El Espectador* resiste a aceitar que, no espetáculo da vida, haja setores proibidos. Falaremos, portanto, com frequência dessas coisas, as únicas nas quais Sócrates se declarava especialista.” Assim, pode-se afirmar que o propósito de Ortega em todas essas páginas corresponde ao título de outro de seus estudos sobre o tema: “Para a cultura do amor” (incluído em *El Espectador*, 11). Apesar do destaque incomparável que a aventura amorosa sempre tem, sabe-se muito pouco sobre o amor. Ainda não existe uma cultura do amor, embora nenhum outro anseio use tanto essa palavra nem solicite conselhos com tanta veemência. E essa escandalosa incultura é causa inequívoca de muitos desequilíbrios e angústias do mundo contemporâneo. Com repetência e insistência, desde seus escritos juvenis até os da maturidade, Ortega cumpriu seu projeto de abordar extensivamente esse tema grandioso. Uma antologia que selecione tudo o que o autor escreveu sobre o assunto em sua vasta obra exigiria muitas páginas. Mas nesta nova edição dos Estudos sobre o amor, na qual o texto foi revisado e comparado com os originais, estão contidos os ensaios mais completos e substanciais para nos iniciar na almejada “cultura do amor”. {{tag>Ortega amor}}