====== Husserl ====== //KOŁAKOWSKI, Leszek. Husserl and the search for certitude. New Haven: Yale University Press, 1975. (The Ernst Cassirer lectures).// **Primeira conferência: os fins** **Por que a questão é importante** * Husserl oferece um ponto de partida privilegiado para a investigação filosófica da certeza porque toda a sua obra é atravessada pela tentativa persistente de recuperar uma intuição cognitiva absolutamente originária, capaz de vencer o relativismo e o ceticismo, embora a fenomenologia muitas vezes permaneça como programa metodológico continuamente refinado e insuficientemente mostrado em sua aplicação efetiva. * A multiplicação de distinções e conceitos pode obscurecer a intenção filosófica fundamental quando não se acompanha minuciosamente o desenvolvimento da obra husserliana. * Um método filosófico não se torna claro apenas por sua descrição, pois necessita mostrar-se em operação para que sua efetiva capacidade cognitiva possa ser avaliada. * Toda a trajetória husserliana pode ser compreendida como a renovação incessante de uma mesma exigência fundamental: encontrar um fundamento absolutamente indubitável do conhecimento, responder ao ceticismo e ao relativismo, neutralizar o psicologismo e o historicismo e alcançar um solo cognitivo inteiramente firme, ainda que a própria fenomenologia não tenha conseguido realizar definitivamente essa pretensão. * A grandeza filosófica dessa tentativa não depende de seu êxito final, pois a fenomenologia constitui uma das mais radicais investigações modernas das fontes últimas do conhecimento. * A questão decisiva torna-se compreender por que uma tentativa tão rigorosa de fundamentação da certeza não alcançou o fundamento autossustentável que procurava. **A doença cética: libertação da ciência** * Embora a fenomenologia se apresente como uma filosofia tecnicamente rigorosa e pretenda constituir-se como ciência em vez de visão de mundo (Weltanschauung), sua motivação envolve também a defesa da cultura europeia contra aquilo que Husserl considera sua dissolução cética, de modo que sua significação somente se esclarece quando situada contra as tendências filosóficas que procura combater. * A certeza constitui uma chave para a compreensão do pensamento husserliano, porque a concepção de filosofia científica difundida na segunda metade do século XIX teria abandonado o sentido platônico originário da ciência, obscurecendo a distinção entre opinião (doxa) e conhecimento (episteme), subordinando a filosofia às ciências particulares e transformando até mesmo o a priori kantiano em propriedade psicológica contingente da espécie humana, com consequente relativização de sua validade. * A filosofia científica, em sentido husserliano, não deve sintetizar ou generalizar resultados previamente fornecidos pelas ciências, mas investigar seu sentido e fundamento, precedendo-as logicamente enquanto atividade fundadora de significado, pois nenhuma ciência particular pode justificar por seus próprios meios sua pretensão de objetividade. * Uma epistemologia fundada na psicologia incorre em circularidade ao utilizar os resultados de uma ciência particular para legitimar a validade das próprias ciências. * A investigação husserliana insere-se na tradição anticientífica de Platão, Descartes, Leibniz e Kant ao perguntar simultaneamente o que pode ser duvidado e se é legítimo perguntar não apenas como o mundo é, mas como necessariamente deve ser. * A busca da certeza pertence constitutivamente à história intelectual europeia porque ciência e filosofia não foram movidas apenas por necessidades práticas, mas também por uma exigência de verdade que ultrapassa a simples obtenção de conhecimentos tecnicamente confiáveis. * A gênese prática da geometria não explica a formação do sistema axiomático euclidiano nem resultados matemáticos sem utilidade imediatamente concebível, como a demonstração da infinitude dos números primos. * Grandes transformações científicas dificilmente podem ser explicadas exclusivamente por necessidades práticas, mesmo quando posteriormente produzem consequências tecnológicas importantes. * A fecundidade técnica da ciência depende historicamente de uma busca de verdade que não se reduz à previsão de sua utilidade. * A tarefa originária da filosofia europeia consiste em destruir certezas aparentes para alcançar certezas genuínas, submetendo tudo à dúvida com a finalidade paradoxal de libertar-se definitivamente dela, embora sua força destrutiva tenha se mostrado historicamente superior à capacidade de estabelecer novos fundamentos positivos. * A percepção direta e as verdades matemáticas constituíram os dois grandes domínios em que o senso comum procurou fontes de certeza. * A crítica das ilusões sensoriais enfraqueceu a confiança na percepção porque toda tentativa de comparar a percepção com uma realidade original independente continua dependendo de outras percepções. * A certeza matemática foi igualmente contestada mediante a interpretação de suas proposições como tautologias incapazes de fornecer conhecimento substancial acerca do mundo. * A antiga crítica cética à dedução como petição de princípio antecipou a interpretação pragmática segundo a qual o conhecimento fornece orientações úteis à vida sem revelar necessariamente como o mundo é em si mesmo. * O ceticismo e o positivismo convergem ao negar juízos sintéticos a priori, restringindo a necessidade às proposições analíticas e tratando leis empíricas como generalizações logicamente injustificáveis, embora praticamente indispensáveis. * A indução não pode ser legitimada sem recorrer novamente a procedimentos indutivos, de maneira que sua justificação permanece circular. * As leis científicas podem então ser tratadas como regras de comportamento extremamente úteis sem que sua utilidade autorize considerá-las expressões necessárias da estrutura permanente do mundo. **Tentativas vãs de definir a certeza** * A tradição transcendental procurou resistir às consequências céticas mediante distinções como a separação cartesiana entre sentimento subjetivo de evidência e evidência objetiva da verdade, mas o reconhecimento posterior de evidências ilusórias não fornece por si mesmo um critério capaz de distinguir definitivamente certeza psicológica e certeza verdadeira. * A solução cartesiana depende da veracidade divina, destinada a garantir que evidências claras e distintas não sejam enganosas. * Essa garantia incorre em circularidade porque a existência de Deus é demonstrada mediante o critério de evidência que posteriormente deveria receber de Deus sua própria legitimação. * A distinção cartesiana entre certeza moral e certeza metafísica também não resolve o problema, pois a primeira designa apenas um grau de fundamentação suficiente para a ação prática, enquanto a segunda pretende atribuir aos juízos uma necessidade apodítica que novamente depende da garantia divina. * A diferença não é simplesmente quantitativa, mas qualitativa: a certeza moral basta para fins práticos, enquanto a certeza metafísica deve permitir compreender uma ordem significativa do mundo e a posição humana nessa ordem. * O cogito isolado seria filosoficamente estéril se não pudesse ser integrado numa reconstrução universal do ser, porque a certeza de que existo não determina ainda o sentido desse existir. * O cogito não constitui propriamente uma inferência, mas um ato indivisível no qual a própria existência é apreendida enquanto existência de um ser pensante. * A passagem cartesiana do cogito à existência de Deus apresenta fragilidades lógicas que tornam a crítica cética aos conhecimentos ordinários mais persuasiva do que a reconstrução positiva da certeza metafísica. * A distinção entre certeza moral e metafísica permite compreender que a probabilidade não representa necessariamente uma aproximação imperfeita da verdade, mas pode converter-se em simples aparência de verdade quando se abandona a possibilidade de uma verdade sintética apoditicamente certa. * Se não é possível determinar como o mundo necessariamente deve ser, também se torna problemático afirmar como ele efetivamente é. * A crítica positivista conduz à substituição da verdade pela aceitabilidade ou concordância com a experiência, conceitos suficientes para a prática científica, mas incapazes de assegurar correspondência com o mundo tal como ele é. * A probabilidade não pode medir uma distância transcendental em relação à verdade, porque tal medição exigiria já saber previamente onde a verdade se encontra. * A exigência de conhecer o mundo em si mesmo como inteiramente independente do próprio ato de conhecê-lo parece produzir uma contradição, pois transforma o conhecimento em tentativa de constituir uma situação cognitiva da qual o próprio conhecer deveria estar ausente. * O empirismo de Mach e Avenarius interpreta a pergunta pelo mundo independente como mal formulada, porque qualquer interrogação já insere o mundo na relação cognitiva e impede sua consideração como completamente exterior ao ato de conhecer. * O conhecimento passa então a ser entendido como comportamento biologicamente determinado do organismo destinado a restaurar equilíbrio diante de estímulos ambientais. * Predicados como verdadeiro, falso, bom, mau, belo ou feio não seriam propriedades encontradas diretamente na experiência, mas formas humanas de interpretá-la. * Toda atividade cognitiva, inclusive filosófica e religiosa, pode ser compreendida como reação biológica, admitindo-se conhecimento sem admitir uma teoria transcendental capaz de justificar sua objetividade. **Por que deveríamos pensar logicamente?** * A renúncia à verdade e à certeza em sentido tradicional representa, para Husserl, uma ameaça à própria cultura europeia, e o psicologismo lógico torna-se especialmente perigoso por reduzir as condições formais da correção do pensamento a regularidades empíricas dos processos psicológicos humanos. * Segundo o psicologismo radical, a lógica descreve como os seres humanos efetivamente pensam, e suas leis expressam regularidades psicológicas ou cerebrais. * Nessa interpretação, a lógica deixa de possuir necessidade normativa universal e transforma-se em descrição abstrata de fatos psicológicos. * O psicologismo conduz ao ceticismo e ao relativismo ao confundir o significado dos juízos com os atos psicológicos de julgá-los, convertendo relações lógicas em relações causais entre acontecimentos conscientes. * Se uma conclusão decorresse de uma premissa apenas porque determinados atos mentais sucedem causalmente a outros, as leis lógicas seriam relativas à constituição da espécie humana. * Nada impediria então imaginar organismos conscientes cuja estrutura psicológica os levasse a pensar segundo regras incompatíveis com a lógica humana, inclusive aceitando simultaneamente uma proposição e sua negação. * A crítica husserliana sustenta que os conceitos de verdadeiro e falso possuem um sentido incompatível com sua relativização a espécies ou indivíduos, pois afirmar que algo é verdadeiro para uma espécie e falso para outra já emprega o conceito de verdade no sentido universal que pretende negar. * A negação do princípio de não contradição destrói o próprio significado de verdade que permitiria formulá-la. * O fato de seres humanos pensarem ocasionalmente de maneira ilógica não constitui argumento contra a validade das leis lógicas, mas apenas mostra que atos psicológicos podem não corresponder às normas do pensamento correto. * A própria afirmação de que não existe verdade produz uma autorrefutação, porque pretende ser verdadeira ao declarar que nada é verdadeiro. * Se a verdade dependesse exclusivamente das características biológicas humanas, também as afirmações acerca dessa dependência biológica perderiam a universalidade que necessitam para sustentar o relativismo. * A confusão psicologista entre ato de julgar e significado do juízo torna-se evidente porque a ocorrência psicológica da afirmação de que dois mais dois são quatro pode possuir causas, enquanto a validade dessa igualdade não pode depender causalmente do momento em que alguém a pensa, sob pena de se admitir que verdades matemáticas começam a ser verdadeiras apenas quando historicamente descobertas. * Contra o psicologismo, constitui-se o programa de uma lógica pura cuja validade independe de psicologia, fatos empíricos, existência da humanidade, existência do mundo, relações causais ou temporalidade, porque lógica e matemática tratam de significações ideais e objetos atemporais. * Essas significações não possuem o estatuto de ideias platônicas autônomas nem se reduzem a atos psicológicos, aproximando-se de normas transcendentais no sentido kantiano. * A verdade de uma proposição matemática não depende da existência de objetos concretos correspondentes, assim como um princípio lógico não depende da existência de sujeitos capazes de formulá-lo. * As leis lógicas não são probabilísticas, aproximativas nem suscetíveis de refutação empírica, pois sua necessidade seria apreendida a priori no próprio ato de compreendê-las. * A certeza lógica não deriva de um sentimento subjetivo de evidência, mas da necessidade inscrita no significado ideal dos próprios juízos. * O objetivo consiste em restabelecer uma verdade não relativa, libertando o conhecimento de sua dependência contingente da constituição da espécie humana. * A independência empírica das leis lógicas não significa que sejam meras tautologias baseadas em convenções linguísticas, pois, se sua validade dependesse das regras particulares das línguas, permaneceriam relativas às contingências históricas e culturais dessas línguas. * Mesmo a hipótese de estruturas lógicas comuns a todas as línguas conhecidas apenas deslocaria o problema para características genéricas da natureza humana sem explicar sua validade necessária. * Explicações antropológicas, genéticas ou neurológicas para a uniformidade lógica do pensamento poderiam explicar sua gênese factual, mas não ultrapassariam o relativismo da espécie. * A validade lógica depende, na concepção husserliana, de significações ideais distinguíveis tanto dos objetos significados quanto dos atos psicológicos mediante os quais são pensadas. * A crítica do psicologismo contém o núcleo da posterior concepção de racionalidade transcendental, pois a preservação da razão, da validade objetiva do conhecimento e do próprio significado de verdade exige um fundamento que não possa ser reduzido a leis psicológicas contingentes. * O ceticismo extremo transforma o conhecimento numa imagem contingente produzida por cérebros contingentes sob circunstâncias igualmente contingentes. * A busca de um fundamento transcendental da certeza conduz da crítica do psicologismo à fenomenologia como descrição de estruturas necessárias do mundo. * Essa trajetória desemboca na consciência transcendental, que constitui tais estruturas como correlatos de seus próprios atos intencionais, conduzindo finalmente ao idealismo transcendental. * Torna-se filosoficamente decisivo determinar se a passagem da luta contra o idealismo psicológico a uma nova forma de idealismo resulta de contingências biográficas ou do desenvolvimento necessário das próprias premissas husserlianas. **O que convence e o que não convence na primeira etapa da busca husserliana pela certeza** * A crítica à redução da lógica à descrição dos raciocínios humanos efetivos conserva força, porque erros lógicos reais ou mesmo a descoberta de grupos que pensassem contrariamente ao princípio de não contradição não seriam suficientes para refutar esse princípio, mas essa argumentação não elimina necessariamente interpretações empiristas mais sofisticadas, como as de Hume ou Mach. * A interpretação empirista pode abandonar deliberadamente o conceito tradicional de verdade e substituí-lo pela aceitabilidade, concebendo a ciência como continuação socialmente organizada de reações adaptativas cotidianas e a lógica como instrumento linguístico de acumulação e transmissão de regularidades úteis. * A aceitabilidade não significa reconhecimento de uma proposição como verdadeira, mas apenas sua integração eficiente num sistema de experiência e ação. * A ciência pode funcionar sem reivindicar valor transcendental e sem representar-se como reprodução progressivamente mais fiel de um mundo em si. * Essa posição não incorre necessariamente em contradição interna, embora aceite explicitamente o relativismo e abandone a concepção tradicional de verdade. * A resposta husserliana ao psicologismo pressupõe a existência de unidades ideais de significado independentes das condições psicológicas, biológicas e históricas humanas, mas permanece difícil estabelecer qual é o modo de ser dessas entidades que não são nem ideias platônicas autônomas nem atos psicológicos, além da necessidade de pressupô-las para preservar a concepção tradicional de verdade científica. * A distinção entre certeza psicológica e certeza objetiva permanece insuficientemente esclarecida porque a apreensão intuitiva do significado é apresentada como uma experiência especial, mas toda experiência parece constituir também um fato psicológico, tornando obscuro o critério pelo qual se poderia assegurar que determinado ato apreendeu uma significação objetiva em vez de apenas produzi-la subjetivamente. * A intuição deveria descobrir o significado e não produzi-lo, mas falta um critério independente que permita verificar se a significação correta foi efetivamente alcançada. * O conteúdo último da experiência é intrinsecamente incomunicável, enquanto a validade científica depende precisamente daquilo que pode ser linguisticamente comunicado. * A experiência husserliana de certeza corre assim o risco de permanecer tão incomunicável quanto uma experiência mística. * A interpretação psicológica da lógica desenvolvida por Piaget resiste às objeções husserlianas ao explicar a constituição filogenética e ontogenética das normas do pensamento mediante a interação entre comunicação social, manipulação prática de objetos e linguagem. * A mente não começa como tabula rasa, mas apresenta esquemas cognitivos iniciais que se transformam mediante sua interação com novas percepções e exigências sociais. * O princípio de não contradição pode ser compreendido como condição necessária da comunicação e da solidariedade humanas, adquirindo universalidade enquanto norma socialmente constituída do pensamento. * As regras lógicas não possuiriam validade anterior à sua constituição efetiva nas práticas sociais e cognitivas, funcionando como formas historicamente produzidas de comunicação. * Algo semelhante pode ocorrer com conceitos aritméticos e geométricos, pois determinações numéricas não precisam ser propriedades encontradas diretamente na natureza, mas instrumentos conceituais constituídos pelo pensamento, pelo comportamento e pela linguagem. * A experiência não valida empiricamente as leis lógicas, mas participa da formação dos instrumentos conceituais pelos quais essas leis passam a possuir sentido e validade para os seres humanos. * Tal concepção permanece uma forma de relativismo genérico, deixando aberta a questão de como seria possível alcançar certeza objetiva sem ultrapassar os condicionamentos biológicos e históricos da própria espécie. * A oposição entre interpretações psicológicas da lógica e a concepção husserliana corresponde, em última instância, à oposição entre empirismo e crença numa razão transcendental, pois uma adesão consequente ao empirismo tende a tornar dispensáveis tanto o conceito tradicional de verdade quanto a ideia de ciência como procura da verdade. * A eliminação empírica de hipóteses incompatíveis com a experiência não demonstra a verdade das hipóteses restantes e deixa sempre aberta a possibilidade de que todo o conhecimento disponível seja composto de proposições falsas. * Se essa possibilidade é mantida integralmente, torna-se difícil interpretar o desenvolvimento científico como aproximação progressiva da verdade. * A rejeição consistente da perspectiva transcendental implica abandonar não apenas a verdade absoluta e uma certeza já alcançada, mas também a própria esperança filosófica de certeza. * A controvérsia entre empirismo e transcendentalismo dificilmente pode ser resolvida por premissas aceitas por ambas as posições, porque o empirista exige fundamento empírico para admitir um domínio de significações ideais, enquanto o transcendentalista contesta justamente a elevação da experiência ao estatuto de tribunal último e exclusivo do pensamento. * O transcendentalismo força o empirismo, em nome da coerência, a enfrentar a possível renúncia ao conceito tradicional de verdade. * O empirismo força o transcendentalismo a admitir que a preservação da confiança na razão parece exigir um domínio de entidades ou quase-entidades ideais cuja existência não pode ser empiricamente justificada. * A importância filosófica da investigação husserliana reside em ter conduzido essa oposição entre relatividade empírica e validade transcendental até suas consequências extremas. {{tag>Kolakowski Husserl 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