====== REALISMO E RESISTÊNCIA DO MITO: LUCIEN LEUWEN OU O HEROÍSMO À REVELIA ====== //DURAND, Gilbert. Figures mythiques et visages de l’œuvre. De la mythocritique à la mythanalyse. Genève: Berg, 1992// * A problemática da degradação e persistência dos mitos. * A citação de Mircea Eliade sublinha que mitos e símbolos nunca desaparecem, mesmo em civilizações positivistas como a do século XIX. * Esta persistência fornece o quadro para examinar a relação entre o romance e as estruturas míticas do herói. * A tese central: a desobediência às leis do gênero romanesco e às estruturas míticas do herói como causa do fracasso de //Lucien Leuwen//. * A comparação com //Armance//, vista como "contraprova" de //O Vermelho e o Negro//, cujo suposto fracasso se deve à tentativa de romancear a impotência e a decadência. * A extrapolação: o inacabamento de //Lucien Leuwen// também decorreria de uma desobediência fundamental ao imperativo romanesco. * A contra-argumentação: o fracasso de //Armance// poderia ser atribuído à imperfeição de um primeiro romance, enquanto //Lucien Leuwen// está inserido entre duas obras-primas. * A questão: o "fiasco" de //Lucien Leuwen// derivaria precisamente do fato de contradizer as leis do gênero. * A definição das "leis do gênero": não são meras receitas literárias, mas se enraízam nas estruturas imaginárias do destino heroico exemplar. * A consequência: quando um romance falha, é porque atenta contra os conteúdos arquetípicos e a ordem mítica do heroísmo. * A metodologia de análise: uma abordagem mitocrítica, não psicocrítica. * O foco não está no autor biográfico (Beyle) ou em explicações psicanalíticas. * O interesse reside na compreensão da ressonância da obra no prazer da leitura e no confronto do herói com as estruturas do heroísmo tradicional e suas encarnações stendhalianas. * A referência ao estudo de Charles Baudouin, //O Triunfo do Herói//, que destaca estruturas arquetípicas do heroísmo na epopeia anônima. * A afirmação: o mito é normativo tanto para a plenitude da epopeia quanto para a do romance. * As três grandes estruturas solidárias do destino mítico do herói. * Primeira: o anúncio do destino excepcional pelos prodígios do nascimento heroico e os redobramentos que reforçam seu valor. * Segunda: os trabalhos do herói e a vitória sobre múltiplos perigos. * Terceira: o cumprimento da busca pela revelação do tesouro ou do segredo guardado. * O plano da análise: examinar o eco dessas três estruturas através da odisseia romanesca de Lucien Leuwen. * A primeira estrutura: o anúncio do destino e o reforço do heroísmo. * A direção da herança divina ou real e a do redobramento dioscúrico. * A tematização do "bom tempo antigo" e do contraste entre o herói e a época degenerada. * O tema das "gerações decrescentes" presente na cosmogonia epicurista, em Virgílio, Homero, Dante e Hugo. * O "bom tempo antigo" nimba de heroísmo quem pode a ele se reportar. * Em Stendhal, o herói herda a mitologia do veterano do Império, lamentando a epopeia heroica sob as Restaurações. * O herói stendhaliano é sempre, mais ou menos, filho espiritual de Napoleão, ou se coloca na órbita do Renascimento (como nas //Crônicas Italianas//). * A aplicação deste esquema a //Lucien Leuwen//: a degradação universal do heroísmo napoleônico. * Os antigos heróis (Filloteau, o general conde N..., o coronel-barão Thérance) estão aviltados pelo medo, pelas "servidões" de guarnição e pela corrupção. * O adversário legitimista (Hocquincourt, Serpierre) também está paralisado pelo medo. * Até o simples gendarme, bravo soldado, se transformou num vil espião. * Nesta degradação universal, os arrependimentos da idade de ouro são explícitos, como no solilóquio de Lucien ou nos desejos de Mme Grandet. * Conclusão: no mundo encolhido de //Lucien Leuwen//, restam apenas exemplos lamentáveis de heróis caídos. * A segunda direção do reforço heroico: a dupla paternidade ou o redobramento dioscúrico. * A dupla paternidade por adoção nutridora (Moisés, Jesus, Romulus, Clorinda) confere prestígio. * O herói stendhaliano não escapa a esta regra: Julien Sorel não é apenas filho de "carpinteiro"; Fabrice é filho mítico do tenente Robert e de Gina, ligando-se a Napoleão. * A comparação com a hereditariedade de Lucien: seu nascimento é sem história, sua filiação é límpida. * Ele é o filho querido e único de um casal burguês feliz e unido, sem ambição de suspeitar de um nascimento nobre. * Ao contrário do herói verdadeiro, que é logo órfão, Lucien permanece o filho mimado da família Leuwen até o fim. * A tutela do casal burguês não pode lançá-lo na aventura real. Um nascimento sem "fantasias" corresponde a uma platitude de Destino. * A outra forma de reforçar o heroísmo: o redobramento do herói na ação. * O herói clássico nunca está sozinho: seu eco épico multiplica a imagem de seus feitos. * Este eco pode ser //consonante// (Achilles e Pátroclo, Rama e Sugriva, Dante e Virgílio, o dioscurismo de Castor e Pólux). * Pode ser //dissonante//, criando relevo por simetria enfrentada (Achilles e Heitor, Roland e Roger, Angélica e Olimpia). * Pode ser //ambíguo//, servindo de termo médio ou "elo" entre os elementos dialéticos da ação (Enkidu diante de Gilgamesh, Mefistófeles diante de Fausto, Sancho diante de Dom Quixote). * O redobramento do herói stendhaliano. * Fabrice é secundado pelo eco consonante e profético do abade Blanès e pelos ecos ambíguos de Mosca e da Sanseverina. * Julien Sorel parece um herói romântico solitário, mas seu duplo é Napoleão, veiculado pelo //Memorial//. * Além disso, Fouché e o abade Pirard desempenham o papel de "confidentes opostos". * O redobramento em //Lucien Leuwen//. * Lucien é flanqueado por um confidente explícito, Coffe, que funciona como um "companheiro de armas" e um "confidente oposto" na campanha eleitoral. * O sinistro Du Poirier também atua como um duplo ambíguo, guiando Lucien nos meandros da sociedade legitimista. * Sua função é complexa, introduzindo Lucien na capela dos Penitentes e, assim, abrindo-lhe o coração de Mme de Chasteller. * O redobramento da heroína. * Baudouin identifica um redobramento paralelo ao do herói: o desdobramento da heroína (motivo das "duas mulheres"). * Este motivo é explícito na //Eneida// e em //A Queda de um Anjo//. * Nos três grandes romances de Stendhal, o desdobramento da mulher é constante e corresponde a um redobramento da ação. * Os pares: a Sanseverina e Clélia; Mme de Rénal e Mathilde; Mme de Chasteller e Mme Grandet. * Em //Lucien Leuwen//, o contraste entre as duas heroínas é mais marcado, quase caricatural, e a mudança de heroína corresponde nitidamente à mudança de ação. * Além disso, o redobramento se redobra: na primeira parte, Mme de Chasteller é duplicada por Mme d'Hocquincourt; na segunda, Mme de Vaize duplica Mme Grandet. * A caracterização de Mme Grandet como uma Amazona degradada. * Ela é uma Clorinda da Restauração, uma Bradamante politizada, com coragem e graça a cavalo. * Como as amazonas de Tasso e Ariosto, ela é "encouraçada de dureza", desdenhando a ternura, a música, a pintura e o amor. * Ela se julga em comparação com uma Montmorency, uma Longueville, uma Chevreuse ou uma Mme Roland. * No entanto, ela é uma Amazona ridícula e odiosa, polarizando epítetos pouco lisonjeiros: "coisa horrível", "hidra de desgosto", "alma de criada", "delicadeza de mulher de mercador". * Sua degradação mercantil é levada ao extremo: o Amor se torna um mercado sórdido, a mulher é reduzida a um objeto de barganha. * O balanço dos primeiros critérios do heroísmo em Lucien. * Os antigos dias parecem peremptos e seus sobreviventes degradados. * Os companheiros do herói (Du Poirier, Coffe) só servem para sublinhar a perversidade do mundo e a fraqueza de Lucien. * O nascimento de Leuwen é plano, sem relevo heroico. * O redobramento das heroínas aparece como uma queda e uma degradação mítica. * Este desencanto das origens não pressagia nada de bom para o desenrolar de seu destino. * A segunda estrutura: os trabalhos e a vitória do herói. * A deficiência heroica de Lucien é aqui ainda mais marcada. * A confrontação simbólica inicial: a escada de Julien e a queda de Lucien. * Julien é colocado sob o signo da Águia, da ascensão montanhosa, da contemplação altiva. Sua conquista suprema se faz com escadas, símbolo de ascensão social e orgulho. * A ação amorosa de Lucien em Nancy está sob o signo da queda de cavalo, e da queda repetida. * A queda de Julien é rapidamente reparada; a de Lucien é redobrada "no mesmo lugar", tornando-se símbolo de um mau "sorte", de uma "predestinação". * Este mau sorte é o próprio Amor. A queda se torna um símbolo obsessivo, estendendo-se ao perigo de naufrágio. * O simbolismo é explícito: o amor é visto como um "precipício perigoso e desprezado". * A natureza do ato existencial e o surgimento do conflito em Hegel. * O ato autêntico deve visar uma total "vinda-a-ser", equivalente à "substância ética". * Questionar essa substância em nome de critérios externos é vaidade. * A aplicação a Lucien: a conversão ao amor como queda e paralisia. * O amor se revela como queda e paralisia terrorizante da ação, assimilado a uma "fuga diante do inimigo". * Lucien é acometido por um "completo falta de coragem". * Esta fuga diante do amor se traduz numa fuga redobrada. * O complexo da queda se inscreve numa perspectiva de "conversão" ou "reversão", evocando a conversão de São Paulo. * Lucien toma consciência desta conversão ao comparar o encanto de Mme de Chasteller a uma erupção do Vesúvio. * A ameaça ao herói: "a mulher e o ouro". * O verdadeiro herói épico (como Rômulo) despreza as seduções femininas e o ouro. * Sua conversão é a fundação da cidade pelo rapto das esposas e o acordo da força com a fortuna. * Em Lucien, este processo heroico não ocorre: ele já está imerso, desde o início, numa feminilidade e numa fortuna invasoras. * Ao contrário de Julien, que desdenha a felicidade amorosa, Lucien é anexado e submerso pelas mulheres e "mães". * A ação é paralisada por excesso de presenças femininas. * O símbolo freudiano da feminilidade. * Em //A Cartuxa de Parma//, aparece apenas no capítulo XX pelo tema das gaiolas e da prisão. * Em //Lucien Leuwen//, manifesta-se já no capítulo IX, na capela dos Penitentes, onde o herói se liga à nobreza feminina local. * A entrada na capela, despojada de mistério, não é o pórtico simbólico de uma conversão ao amor, mas uma concessão à mundanidade feminina. * Esta banalização se confirma no episódio da capela ardente, totalmente politizada. * A presença onipresente do dinheiro. * Julien é desprovido de dinheiro no início; Fabrice parece excluir o cálculo. * Em //Lucien Leuwen//, o dinheiro é onipresente desde o início. * Lucien é um herói mimado pelo dinheiro, que não recua diante da despesa. * O dinheiro corrompe tudo, até o bravo coronel Filloteau. * Na segunda parte, o dinheiro invade tudo: compra eleitores, é a principal qualidade de Mme Grandet, corrompe o honesto abade Disjonval. * A sordidez do dinheiro obstrui a carreira do herói até o final. * A falência final é recebida com alívio. * A consequência deste déficit heroico inicial: o duplo fracasso que encerra as duas partes do romance. * O segundo fracasso: a perda da batalha eleitoral. * A campanha eleitoral é um combate degradado, como os antigos heróis. * Sua premissa é uma expedição fracassada de lanceiros contra os operários. * É um combate com todos os elementos: o valente companheiro Coffe, um "general", expressões militares. * Os inimigos tomam as cores sombrias da adversidade mítica (o prefeito é comparado a "chifres de bode... negro, duro e torto"). * Lucien enfrenta a populaça de Blois. * A degradação do combate: as armas duvidosas. * As armas de Lucien são o panfleto calunioso, o telégrafo, e sobretudo a lama e o dinheiro. * O herói mítico é herói de luz (Rama, Aquiles, Enéias); Fabrice maneja a espada. * A Lucien resta apenas ser atingido por uma pá de lama, que entra até em sua boca. * Coffe comenta sarcasticamente: "Esta lama, é para nós a nobre poeira do campo de honra..." * O herói é desfigurado, aviltado. * A humilhação suprema: a vitória do pai. * A derrota eleitoral do filho é contrabalançada pela vitória ministerial do banqueiro Leuwen, em conluio com o banqueiro Grandet. * Esta revanche edipiana é o cúmulo do fracasso para o jovem herói. * O pai assume a iniciativa e a linguagem heroica ("Eh bien! la guerre!"), enquanto o filho é relegado a um papel subalterno. * A dupla derrota: Lucien é derrotado e sujo em seu combate, e depois suplantado pela combatividade e astúcia política do pai. * A inversão do esquema heroico tradicional. * Normalmente, o combate e a vitória precedem a reversão amorosa (Perseu, Roger, Roland, Fabrice). * Em //Lucien Leuwen//, a epopeia eleitoral segue o fracasso amoroso. * Esta inversão da ordem diacrônica do heroísmo é significativa. * A terceira estrutura: o cumprimento da busca e a revelação do tesouro ou segredo. * O ato final do herói é frequentemente a revelação espetacular do tesouro, superando a oposição de guardiões. * A dialética da visão e da cegueira, do saber e da ignorância, é central. * O olhar seria para o macho sinônimo do coito, daí a supervalorização da visão e da vigilância nas narrativas heroicas. * O "complexo espetacular" em //Lucien Leuwen//. * O leitmotiv dos espiões e da hipocrisia percorre o romance. * Lucien é vítima de espionagem; todos espionam todos. * Entre os espiões, alguns se tornam autênticos "Guardiões do Tesouro". * Os guardiões do tesouro. * Mlle Bérard: descrita com epítetos imemoriais do dragão ou réptil guardião do limiar ("seca, nariz pontudo, olhar falso", "atravessadora de sapos", "serpente"). * Lucien a vê como um "monstro" cuja visão envenenou sua alma. * A porteira do Hôtel de Pontlevé é um guardião do limiar, mas ofuscado pela coloração ofidiana de Mlle Bérard. * O doutor Du Poirier: um guardião-espião masculino, com aspecto teriomórfico (olhos de "hiena", fisionomia de "javali", "raposa alerta"). * Este comparsa monstruoso vai urdir o segredo fatal que causa a derrota do amor. * O segredo, a intimidade do fechado como símbolo do Amor. * O jogo delicioso do ver sem ser visto, prefigurado pelas "persianas verdes" da casa de Mme de Chasteller. * Lucien sonha com estar "trancado com Mme de Chasteller, num quartinho", com a porta bem guardada. * A claustrofilia propícia ao amor. * O poder mágico do olhar. * Os olhos de Mme de Chasteller provocam a queda de Lucien, "queimam" e "inflamam". * Lucien teme encontrar seu olhar, para não cair do cavalo pela terceira vez. * Este "complexo de Psique" inspira a conduta de Mme de Chasteller, que passa horas espiando Lucien atrás da persiana. * Ela faz um voto de solidão perfeita, anunciando o de Clélia Conti. * O símbolo da "grade espanhola" reforça o complexo. * A ruptura do mistério e a catástrofe. * Lucien, encarnação de Psiquê, quer ver, saber, com uma clareza que mata o amor. * Sua "indiscrição" visual é perigosa. * O episódio que encerra a primeira parte é prefaciado pela cena do baile, onde o amor se confessa pelo olhar. * O "olhar decisivo" de Mme de Chasteller é seguido pelo pavor de se ter comprometido "aos olhos de todos" e "aos olhos de M. Leuwen". * A cena capital: o desmaio de Bathilde e o "violento espetacular". * Protegida pelo guardião-monstro Du Poirier, ela é entregue à vista de todas as amigas, iluminada por velas, centro de um círculo de mulheres curiosas. * Esta cena é a prefiguração exata da cena terminal do falso parto. * O desfecho espetacular: o triunfo dos monstros-guias. * Lucien é escondido num tipo de armário. * Ele vê Du Poirier entrar com uma criança num pano manchado de sangue. * O diálogo abjeto e mentiroso entre os guardiões lembra uma cena de bruxaria. * O herói, ulcerado, foge, desmaia, volta a galope para Paris e chora nos braços da mãe. * Assim termina a aventura do herói: derrotado na busca do tesouro e da visão beatífica. * O balanço do fracasso heroico. * A segunda parte termina com um retorno irônico ao pai vitorioso. * A primeira parte termina com um banal retorno à mãe. * O herói é derrotado por não ter levado a visão e a curiosidade até o segredo da vidência. * O amor de Lucien e Bathilde, jogado no nível do olhar, permanece superficial, um romance da aparência do amor, não de sua realidade secreta. * A curiosidade imprudente de Psiquê feriu o amor demasiado cedo, transformando o mistério em mentira. * O herói falhado arrasta a degradação de sua alma por longos capítulos. * Conclusão: a inversão dos atributos heroícos como causa do insucesso romanesco. * A análise mitocrítica (não psicocrítica) revela que o fracasso de //Lucien Leuwen// é o contraponto da inversão do heroísmo mítico. * Lucien é um falso herói desde as primeiras linhas, cuja ação contradiz os grandes esquemas míticos do heroísmo tradicional. * Resumo das deficiências heroicas de Lucien: * Herói mal-nascido, que se refugia nas saias de Jocasta e abandona seu destino nas mãos de um Édipo indulgente. * Herói mal-partido, que coloca a busca amorosa antes da proeza do combate, fracassando em ambos. * Herói mal-equipado, que usa a arma vil do dinheiro e só recebe lama como ferida. * Herói mal-secundado, submerso por amizades femininas desde o início e que transforma o guardião do tesouro num perigoso semi-confidente. * Herói mal-inspirado, que aborda o labirinto secreto do coração com demasiada clareza, confundindo a vidência amorosa com a curiosidade vulgar do voyeur. * A exigência do gênero romanesco. * O gênero trágico pode se contentar com uma falência, pois a tragédia é um episódio catastrófico extraído de uma lenda épica. * O romance, não sendo um gênero catártico, não pode tolerar que os processos míticos do heroísmo sejam invertidos. * O historiador pode escrever sobre grandeza e decadência; o romance, como a epopeia, deve escamotear a decadência e guardar apenas a exaltação. * O imperativo do destino heroico dita suas regras à epopeia e ao romance. * O fracasso do herói coincide com o fracasso do romance e a negação da epopeia. * Consideração final: o romance como epopeia de bolso. * Na grande trajetória do mito da esperança que é o relato heroico, o romance aparece como uma epopeia adaptada à ótica individualista. * Esta "epopeia de bolso" precisa, para se realizar, apoiar-se no esquema mítico do herói triunfante, satisfazendo à ordem diacrônica dos episódios heroicos e ao conteúdo arquetípico intrínseco das situações heroicas. * Como demonstrado, a insuficiência e a inversão dos temas heroicos em //Lucien Leuwen// só podem levar à insuficiência romanesca e ao fracasso psicossocial do romance. {{tag>Stendhal Durand}}