====== FRANZ BAADER - OS ENSINAMENTOS SECRETOS DE MARTINEZ PASQUALIS ====== [[http://lesvoies.free.fr/spip/article.php?id_article=1085&recalcul=oui|ORIGINAL]] * Os ensinamentos secretos de Martinèz Pasqualis, transmitidos por seus discípulos Saint-Martin e o abade Fournié, situam-no como representador do passado judaico que fez reviver a antiga Aliança não apenas em suas formas mas com seus poderes mágicos. * Em todo tempo existiram representadores do futuro, como os profetas, e representadores do passado, que mostram pelo recordação que o passado ainda está presente. * Pasqualis, ao mesmo tempo judeu e cristão confessando a religião católica romana, reapareceu num momento de eclipse geral do Cristianismo; a reapareção da magia pagã e judaica só pode ser atribuída ao enfraquecimento do Cristianismo e considerada como o reativo necessário a uma nova e mais poderosa manifestação. * O Judaísmo está para o Cristianismo assim como este está para um terceiro termo superior no qual ambos devem ser transfigurados; a perfeita habitação do Espírito divino no homem-espírito é o fim e o sábado. * As três eras correspondem ao regime do Pai ou grau de Aprendiz, ao regime do Filho ou grau de Companheiro, e ao regime do Espírito ou grau de Mestre, nos quais o Absoluto progressivamente habita por, com e em o homem. * Um dos princípios de Pasqualis é que cada homem nasce profeta e é por isso obrigado a cultivar em si o dom de visão, ao passo que seu discípulo chamava cada homem de Cristo-nascido, isto é, Cristo e não apenas Cristão. * Hegel ironizava o dom de profecia como o dom de exprimir coisas santas e eternas de maneira ininteligível, bon mot que refuta tão pouco a verdadeira interpretação das coisas sagradas quanto fornece uma explicação sensata do fenômeno. * É igualmente mau fazer a apoteose das manifestações espíritas, seguindo todo ignis fatuus como uma clareza eterna, e não reconhecer nenhuma luz que não seja fria; é difícil discernir, através do brilho fosforescente da turva manifestação espiritual, as trevas radicais interiores. * O principal ensinamento de Pasqualis é que o homem tem a cumprir, na região espiritual, a mesma função corporizante que a terra na região material, sendo essa a chave do segredo de sua mistura e complexidade e de sua união indissolúvel com a Terra-princípio. * Pasqualis faz preceder a função mediadora terrestre do homem de duas outras ações espirituais, a do Fogo e a do Água, sobre as quais baseia sua teoria e prática teúrgicas. * O ternário do Fogo, da Água e da Terra é reconduzido ao ternário do número ou ação primordial, da medida ou reação, e do peso da energia que acompanha e acaba a ação; o elemento Ar ocupa uma função relativamente superior em todas as regiões, nunca entrando como elemento constitutivo na formação. * O princípio de Pasqualis de que nenhuma operação física se produz sem uma ação espiritual correspondente não reduz sua física a espectros e espíritos, estando ele isento da superstição moderna na matéria absolutamente desprovida de espírito. * Kant já reabriu a porta aos antigos espíritos da natureza ao reintroduzir na física a ideia de penetração dinâmica; os próprios materialistas distinguem entre corpos especialmente ponderáveis e substâncias impondéráveis não isoláveis, agentes imateriais segundo a opinião geral. * O amolecimento contínuo dos chamados prazeres dos sentidos e a espiritualização contínua das doenças corporais provam que o culto da própria matéria a desmaterializa progressivamente. * Psicólogos recentes distinguiram entre espíritos ou personalidades não individuais e inteiramente individualizadas, mas cometeram o erro de declarar possível uma separação absoluta, como se o espírito pudesse desligar-se da natureza, quando o que parece separação é apenas uma mudança de individualidade conservando a mesma personalidade distinta. * Na morte natural e em todos os estados análogos, incluindo o êxtase magnético, é a individualidade da natureza universal que constitui o fundamento da personalidade; essa suspensão da individualidade da natureza no universal não é estado estável, mas serve à transformação de que fala São Paulo, e seria falso negar o retorno particular do indivíduo fora da natureza universal, isto é, a ressurreição do corpo. * O regime severo dos sentidos prescrito por Pasqualis tem por único objetivo a pureza e a força dos sentidos, que lhes permite suportar a conduta das potências superiores sem o perigo de serem fulminados como para-raios demasiado fracos. * Antes de poder incitar a terra ao bem ou fazer ressurgir a bênção absorvida pela maldição, é preciso fazer partir a própria maldição; esta se ergue imediatamente como tentadora, como serpente rígida do Profeta ou como serpente ondulante de volúpias. * A lei fisiológica da faculdade compreensiva dos sentidos já fala em favor da necessidade de tal regime: aquele que fala num tom demasiado alto ou baixo para meu ouvido não se fará ouvir enquanto não se puser no diapasão de minha audição. * A diminuição dos milagres na época atual explica-se porque com o progresso das eras a ação do espírito avança na mesma proporção, tornando-se mais forte e intensa mas menos perceptível, como uma voz que sobe de tom e, na mesma proporção, se distancia, enquanto o ouvido que tudo ouve perde de sua força. * O contato sensível com os mortos é possível logo após sua morte, mas se perde quando eles se elevam a regiões superiores ou caem mais baixo; disso não se segue que estejamos mais afastados deles interiormente, pois é somente pela inhabitação perfeita que a coabitação sai da resignação da visão, isto é, da fé.