====== DECISÃO DO PRINCÍPIO PELO QUAL ME ORIENTO (FC I Nota a) ====== Essa expressão [“É por meio da minha colaboração e da minha ação pessoal que me torno bom ou mau”] não deve ser interpretada aqui de forma absoluta, como fazia Fichte, por exemplo; pois, embora esse ato determine o lugar (ou o princípio) para o qual me oriento e que se desenvolve em mim, dominando-me e formando-me, não é a ação que forma e cria esse princípio em si: é por isso que não tenho, de forma direta, nenhuma ideia dessa ação. Nescimus quia non facimus. Precisamos ser gerados por Deus — receber nossa substância nele — se quisermos contemplá-lo, aceitar e fazer sua vontade. Como vocês, que são maus, malvados, podem dizer a verdade, querer o bem, etc., diz Cristo. Uma árvore que é boa não pode dar frutos ruins (Mateus, 7, 18). É nos seres (existência, substância) que penetra o espírito da vida, é nesses seres que ele retoma seu ponto de partida. A função plástica, somática (reprodutiva, como dizem os fisiologistas) coloca o indivíduo com seu conhecimento, sua vontade, sua ação, de acordo com seu tipo definido, e não pode, portanto, cair dentro de uma dessas três esferas de ação desse tipo; em outras palavras, esse indivíduo não pode ver como é criado e como é mantido no ser. Os fisiologistas estão, portanto, errados em não distinguir claramente o ternário “sensatio, appetitio et motus” da função somática ou produtora e reprodutora, que não é obra do indivíduo natural particular, mas do indivíduo natural geral (Mateus, 6, 27. Marcos, 4,26-28). É também nisso que se baseia a distinção feita por Adam Müller entre órgãos pessoais, que não estão subordinados ao indivíduo, e órgãos reais, desprovidos de eu, subordinados ao indivíduo; e, a esse respeito, observo aqui, de passagem, o caráter conversível desses dois estados um para o outro, em casos de doenças inflamatórias, por exemplo, a passagem da realidade para a personalidade — correspondendo à passagem possível e que se pode observar nos sonâmbulos do sentimento para a representação.