====== Malba Tahan – Mil e Uma Noites ====== É problema altamente controvertido a origem das Mil e uma noites. Massudi, que viveu no século XI e foi um dos escritores mais viajados do seu tempo, afirmou que As mil e uma noites foram tiradas do livro persa Hezar Afsaneh . Esta última obra, segundo se afere de uma referência que a ela faz Firduzzi, no prefácio de Schanameh , é atribuída a um poeta persa, Rasti, que teria vivido na segunda metade do século X. E, assim, o erudito Massudi parece estar com a razão, pois as duas heroínas principais das Mil e uma noites, Sherazade e Dinazade, estão com seus nomes persas nas páginas famosas de Hezar Afsaneh. Mas os persas, de acordo com a opinião de Clemente Huart, foram colher na Índia o enredo dos principais contos que figuram no famoso Hezar Afsaneh. O orientalista e historiador alemão Gustavo Weill , que foi professor de línguas orientais em Heidelberg, afirma que os contos árabes das Mil e uma noites diferem totalmente das primitivas formas indiana e persa. A difusão extrema desses contos no espaço e no tempo — universalidade e imortalidade — decorrem de condições que merecem ser frisadas. São fundamentalmente obra de imaginação e inocência. O QUE CONTÉM AS MIL E UMA NOITES O verdadeiro livro das Mil e uma noites, na sua forma completa, não é obra cuja leitura possa ser aconselhada para crianças ou adolescentes. É um livro profundamente contraindicado sobre vários aspectos, pois muitos dos seus contos foram imaginados com a finalidade exclusiva de divertir adultos. Esse livro, que a saudosa poetisa Cecília Meireles considerava glorioso, encerra em suas páginas senões bem graves: erros e anacronismos. Quando observado numa tradução, não escoimada da parte obscena, vamos encontrar na imensa cadeia das Mil e uma noites: contos maravilhosos e de aventuras; contos de amor e intrigas de namorados; romances de viagens; aventuras de cavalaria e guerra; lendas fantásticas cheias de crueldades; cenas de zombaria contra judeus e cristãos; contos do gênero policial; anedotas brejeiras e pornográficas; episódios fantásticos e obscenos; lutas religiosas; parábolas e apólogos; fábulas; histórias de erudição [até com problemas de Matemática]. E todos os capítulos são enriquecidos por delicados trechos poéticos nos quais transparece a beleza, a suavidade e o encantamento dos versos árabes. FONTES DAS MIL E UMA NOITES Em muitos livros de histórias em série os árabes foram buscar inspiração para os seus contos maravilhosos. Poderíamos citar os seguintes: Mahabharata, poema escrito em sânscrito; Ramayana, poema indiano de origem muito remota; Dasa-Koundra Tcharita . Livro muito popular na Índia; Katha-Sarit-Sagara . Contos compilados por Samodéva; Tutinameh . Pequenos apólogos que se afastam muito dos bons princípios morais; Contos de Nang-Tantrai . Histórias da Índia antiga escritas sob a influência da religião bramânica; Fábulas de Kalila e Dina, que foi traduzido para o português pelo professor Ragy Basile; Hitopadexa [Instrução útil]. Coleção de fábulas e apólogos morais da Índia. Para este livro há uma excelente tradução de monsenhor Sebastião Salgado. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}