====== Conversão de nomes hebraicos em símbolos geométricos ====== //BÉHAR, Pierre. Les langues occultes de la Renaissance: essai sur la crise intellectuelle de l’Europe au XVIe siècle. Paris: Desjonquères, 1996.// * A conversão dos nomes hebraicos em símbolos geométricos constitui um procedimento técnico decisivo na magia cabalística sistematizada por Agrippa. * Os nomes divinos deixam de operar apenas como sequências verbais. * Eles são transpostos para o domínio da figura. * A linguagem sagrada é traduzida em forma visível e operativa. * Essa conversão baseia-se na convicção de que as letras hebraicas possuem uma estrutura formal intrínseca. * Cada letra é portadora de uma força específica. * Sua forma gráfica participa de sua essência. * A escrita não é separável do poder que transmite. * O processo de conversão segue regras determinadas. * As letras dos nomes divinos são reduzidas a traços fundamentais. * Esses traços são reorganizados em linhas, ângulos e figuras fechadas. * O resultado é um símbolo geométrico condensado. * O símbolo não representa o nome, mas o substitui operativamente. * A figura contém virtualmente o nome inteiro. * A eficácia do nome é preservada sob forma não verbal. * A palavra é absorvida pela imagem. * A geometrização dos nomes visa aumentar sua potência mágica. * A figura fixa aquilo que a palavra dispersa no tempo. * O símbolo pode ser inscrito, gravado ou selado. * A permanência material intensifica a eficácia espiritual. * Os símbolos geométricos funcionam como caracteres. * Eles podem ser inscritos em talismãs, anéis e imagens. * Atuam como selos que capturam a virtude do nome. * O suporte material torna-se portador da força divina. * A conversão implica uma mudança no estatuto da linguagem. * O sentido deixa de depender da pronúncia. * A visualidade torna-se meio privilegiado da operação. * A linguagem sagrada é interiorizada na forma. * Essa prática aproxima Cabala e matemática. * A figura geométrica é concebida como estrutura universal. * O divino manifesta-se por proporção e ordem. * O símbolo aparece como intersecção de número, forma e nome. * A operação não exige compreensão semântica do hebraico. * O operador não precisa conhecer o sentido do nome. * Basta respeitar sua forma convertida. * A eficácia desloca-se do entendimento para a técnica. * Essa conversão altera profundamente a orientação da Cabala. * A contemplação do nome cede lugar à manipulação do símbolo. * O saber teológico transforma-se em procedimento operativo. * A distância entre oração e magia diminui drasticamente. * O resultado é uma linguagem mágica universalizada. * Os nomes hebraicos perdem sua singularidade linguística. * Tornam-se figuras utilizáveis por qualquer operador. * A sacralidade é preservada formalmente, mas desvinculada de seu contexto originário. * Essa técnica exemplifica a ambiguidade central do sistema de Agrippa. * O divino é tornado acessível por meios formais. * A mediação simbólica substitui a mediação teológica. * A conversão da palavra em figura revela tanto a potência quanto o risco da magia cabalística. {{tag>Agrippa Renascença anjos}}