yates:yates-kircher
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| + | ====== KIRCHER ====== | ||
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| + | Frances Yates — Giordano Bruno e a Tradição Hermética | ||
| + | Excertos da tradução de Yolanda Steidel de Toledo | ||
| + | Hermetistas reacionários: | ||
| + | Deixando de lado o impenetrável tema das " | ||
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| + | "To thee belongs the fame of Trismegist | ||
| + | A righter Hermes; th' hast outgone the list | ||
| + | Of's triple grandure. . ." | ||
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| + | Esses versos, endereçados ao jesuíta Atanásio Kircher por um admirador inglês, servem de epígrafe para a vasta obra a respeito dos hieróglifos, | ||
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| + | A grande paixão de Kircher foram os hieróglifos egípcios((Do mesmo modo que Ficino (verificar acima, pág. 188), Kircher sustentou que Hermes Trismegisto inventara os hieróglifos.)) e o seu significado. Ele dá prosseguimento à tradição renascentista da interpretação dos hieróglifos como símbolos que encerrariam verdades divinas ocultas, expandindo-a com uma pseudo-arqueologia. Essa obra imensa, na qual floresceu pela última vez a exuberante erudição renascentista sobre os hieróglifos, | ||
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| + | "O egípcio Hermes Trismegisto, | ||
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| + | Assim, os hieróglifos e a Hermética seriam criações de Hermes Trismegisto, | ||
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| + | Kircher se preocupava muito com Ísis e Osíris, os principais deuses egípcios. Numa das discussões sobre o significado deles, declarou: | ||
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| + | "O divino Dionísio atesta que tudo quanto foi criado nada mais é do que um espelho que reflete para nós os raios da sabedoria divina. Eis por que os sábios do Egito fingiram que Osíris, depois de encarregar Isis de tudo, ficou pairando invisível no mundo. Que mais isso pode significar, salvo que o poder do Deus invisível penetra intimamente em tudo?" | ||
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| + | Aqui se combina a divina imanência egípcia com o misticismo pseudo-dionisíaco da luz, combinação que resulta no agudo senso do divino nas coisas, tão característico do hermetismo renascentista. Para Kircher, Ísis e Osíris têm um significado que, entre os filósofos da Renascença como.Giordano Bruno, é chamado " | ||
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| + | A paixão de Kircher pelo Egito o conduziu às complexas pesquisas geográficas no decorrer das quais localizou uma cidade egípcia chamada Heliópolis, | ||
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| + | Kircher explica o sacerdócio egípcio (baseado principalmente numa citação de Clemente de Alexandria), | ||
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| + | Há uma citação do De vita coelitus comparanda no Oedipus aegyptiacus((Ibid., | ||
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| + | Nessa passagem sobre a cruz egípcia, Kircher também cita longamente o Monas hieroglyphica de John Dee, 1564, e reproduz uma versão glorificada do diagrama " | ||
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| + | Por exemplo, aos hieróglifos do obelisco de Heliópolis, | ||
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| + | Devemos lembrar que Giordano Bruno tinha ideias próprias a respeito das formas da cruz crista e egipcia, fundamentadas numa passagem do De vita coelitus comparanda e sobre as quais os inquisidores o interrogaram.((Verificar acima, pág. 392. Bruno, como sempre, entendeu o assunto pelo avesso.)) | ||
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| + | O grande teste da magia é a passagem do Asclépio que descreve como os egípcios introduziam demonios nos ídolos com artes mágicas. Kircher cita duas vezes essa passagem; na primeira transcreve-a totalmente, inclusive a parte do " | ||
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| + | Em vista de tão viva condenação, | ||
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| + | Kircher era um adepto da magia natural. No seu Ars magna lucis et umbrae, | ||
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| + | Além disso, Kircher foi um cabalista de enorme erudição; empreendeu, como fez Pico em suas Conclusiones, | ||
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| + | A paixão de Kircher pelas coisas egípcias, combinada com seu intenso hermetismo religioso, torna-o uma figura interessante. O egipcianismo de Giordano Bruno foi demoníaco e revolucionário, | ||
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| + | Se o hermetismo permaneceu tão profundamente enraizado na mente de um piedoso jesuíta até a data tardia do século XVII, isso pode insinuar que o conselho de Patrizi aos jesuítas no sentido de que adotassem o hermetismo não foi tão descabido. | ||
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| + | No final do Oedipus aegyptiacus, | ||
