simmel:simmel-qfs-liberdade-igualdade-fraternidade
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| + | ====== LIBERDADE - IGUALDADE - FRATERNIDADE (QFS) ====== | ||
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| + | Essa necessidade de liberdade do indivíduo, que se sentia deformado e limitado pela sociedade histórica, resulta, uma vez posta em prática, numa autocontradição. É evidente que ela só se realiza de maneira duradoura se a sociedade é composta somente de indivíduos que, internamente, | ||
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| + | Por esse motivo, era perfeitamente legítima a questão paradoxal de saber se a socialização de todos os meios de produção não constituiria a única condição sob a qual se levaria a cabo a livre concorrência. Desse modo, visto que se retira violentamente do indivíduo a possibilidade de aproveitar plenamente sua eventual superioridade sobre os que lhes são inferiores, pode predominar na sociedade uma medida de liberdade que seja a mesma para todos. Por esse motivo, pressupondo-se esse ideal, não é correto dizer que o socialismo signifique a suspensão da liberdade. Ele a suspende somente quando a liberdade dada torna-se um meio para oprimir a liberdade de alguém que a realiza à custa da liberdade do outro: a propriedade privada se torna não somente expressão, mas até um multiplicador das diferentes forças individuais; | ||
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| + | A plena liberdade de cada um só pode se dar em uma total igualdade com a liberdade do outro. Mas isso não é inatingível somente no plano pessoal, como também no econômico, à medida que este permite o aproveitamento de superioridades pessoais. Somente quando essa possibilidade for deixada de lado, isto é, quando se suprimir a propriedade privada dos meios de produção, a igualdade será então possível, e também se eliminará o limite da liberdade inseparável da desigualdade. É inegável que exatamente nessa “possibilidade” se mostra a profunda antinomia entre liberdade e igualdade, uma vez que ela só se resolve mediante a imersão dos dois termos no elemento negativo de ausência de propriedade e de poder. | ||
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| + | Ao que parece, somente Goethe percebeu claramente essa antinomia: a igualdade, diz ele, exige a subordinação a uma norma universal, e a liberdade “anseia pelo incondicionado”; | ||
