schubert:simbolica-natureza-schubert
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| * A natureza, enquanto fonte originária das imagens oníricas, poéticas e proféticas, | * A natureza, enquanto fonte originária das imagens oníricas, poéticas e proféticas, | ||
| - | * A teleologia superior, que não se satisfaz com a mera explicação pela oposição necessária de contrários, | + | * A teleologia superior, que não se satisfaz com a mera explicação pela oposição necessária de contrários, |
| - | * No pensamento antigo, Dionísio, representante da multiplicidade vital manifesta na diversidade dos elementos naturais, é o *theòs ek theoû* (deus nascido de deus), o Verbo emanado que, como soberano eterno e primeiro dos profetas, revela-se através do cosmos, de sorte que a natureza circundante em sua variedade aparece como um *Lógos*, uma revelação divina cujas letras vivas são seres e forças atuantes, sendo, pois, o original da linguagem metafórica utilizada pela divindade em todas as revelações escritas e também a língua natural da alma em estados oníricos ou de inspiração poética, estabelecendo uma concordância profunda entre o princípio criador que se manifesta no macrocosmo e a mesma atividade que, em nosso estado atual inferior, gera o mundo das imagens oníricas. | + | * No pensamento antigo, Dionísio, representante da multiplicidade vital manifesta na diversidade dos elementos naturais, é o //theòs ek theoû// (deus nascido de deus), o Verbo emanado que, como soberano eterno e primeiro dos profetas, revela-se através do cosmos, de sorte que a natureza circundante em sua variedade aparece como um //Lógos//, uma revelação divina cujas letras vivas são seres e forças atuantes, sendo, pois, o original da linguagem metafórica utilizada pela divindade em todas as revelações escritas e também a língua natural da alma em estados oníricos ou de inspiração poética, estabelecendo uma concordância profunda entre o princípio criador que se manifesta no macrocosmo e a mesma atividade que, em nosso estado atual inferior, gera o mundo das imagens oníricas. |
| - | * O mesmo espírito irônico, a estranha associação de ideias e a capacidade divinatória presentes na linguagem do sonho encontram-se reproduzidos de modo notável no original desse mundo, a própria natureza, a qual parece zombar de nossa condição ao misturar de maneira peculiar prazer e lamento, alegria e tristeza, tal como na música de Ceilão onde menuetes alegres são cantados em tom profundamente lamentoso, exemplificando que o tempo do amor e da alegria, como no canto ardente do rouxinol, frequentemente se veste com o modo menor da lamentação, | + | * O mesmo espírito irônico, a estranha associação de ideias e a capacidade divinatória presentes na linguagem do sonho encontram-se reproduzidos de modo notável no original desse mundo, a própria natureza, a qual parece zombar de nossa condição ao misturar de maneira peculiar prazer e lamento, alegria e tristeza, tal como na música de Ceilão onde menuetes alegres são cantados em tom profundamente lamentoso, exemplificando que o tempo do amor e da alegria, como no canto ardente do rouxinol, frequentemente se veste com o modo menor da lamentação, |
| * Este humor natural também costuma unir intimamente, | * Este humor natural também costuma unir intimamente, | ||
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| * O universo dos insetos torna-se, de outra maneira ainda, símbolo do mundo espiritual superior, pois se, por um lado, nele se encontram provas de estupidez, necessidades grosseiras e cólera incontrolável, | * O universo dos insetos torna-se, de outra maneira ainda, símbolo do mundo espiritual superior, pois se, por um lado, nele se encontram provas de estupidez, necessidades grosseiras e cólera incontrolável, | ||
| - | * Sendo a mais antiga Revelação conhecida de Deus ao homem, a natureza é o *Lógos* do qual emanaram as revelações subsequentes, | + | * Sendo a mais antiga Revelação conhecida de Deus ao homem, a natureza é o //Lógos// do qual emanaram as revelações subsequentes, |
| - | * A ideia de um *theòs sarkōtheís* (deus tornado carne) que sofre as limitações humanas e uma morte cruel não foi alheia à Antiguidade, | + | * A ideia de um //theòs sarkōtheís// (deus tornado carne) que sofre as limitações humanas e uma morte cruel não foi alheia à Antiguidade, |
| * O caminho para a redenção e santificação das almas, segundo os ensinamentos dos mistérios, passava por purificações, | * O caminho para a redenção e santificação das almas, segundo os ensinamentos dos mistérios, passava por purificações, | ||
| - | * A natureza, como Verbo revelado aos sentidos, concordava originalmente com o Verbo depositado no homem primitivo, que compreendia a linguagem que seu espírito falava e era, ele próprio, essa Palavra, mas após a grande confusão das línguas, perdemos a capacidade de compreender o sentido profundo desta linguagem natural, necessitando da Revelação escrita dada através de palavras, a qual, no entanto, possui o mesmo conteúdo da revelação natural, pois ambas falam apenas d'Ele, ontem e hoje, imutável e eterno, sendo o mundo dos insetos, como parte mais recente da criação, particularmente profético deste futuro, conforme atestado pela antiguidade que venerava a abelha como ser real e sagrado, cheio de espírito divino e profético, símbolo da abundância, | + | * A natureza, como Verbo revelado aos sentidos, concordava originalmente com o Verbo depositado no homem primitivo, que compreendia a linguagem que seu espírito falava e era, ele próprio, essa Palavra, mas após a grande confusão das línguas, perdemos a capacidade de compreender o sentido profundo desta linguagem natural, necessitando da Revelação escrita dada através de palavras, a qual, no entanto, possui o mesmo conteúdo da revelação natural, pois ambas falam apenas d'Ele, ontem e hoje, imutável e eterno, sendo o mundo dos insetos, como parte mais recente da criação, particularmente profético deste futuro, conforme atestado pela antiguidade que venerava a abelha como ser real e sagrado, cheio de espírito divino e profético, símbolo da abundância, |
| * Esta simbologia apícola conecta-se profundamente com a figura de Melquisedeque e com o deus da doutrina secreta, Zagreu, cujo corpo distribuído e consumido encontra eco na rainha que dá nome aos iniciados, considerados fragmentos do deus, tornando-se as abelhas da rainha, dispensadoras do alimento, sendo o próprio mel, imagem da morte e do renascimento como atesta o mito de Glauco, símbolo da expiação e purificação da alma, tal como o touro, representante da época anterior à catástrofe e símbolo do princípio estável de luz que renasce com maior diversidade e poder após o combate, ou o asno, também associado à geração no linguagem onírico, completando um conjunto de imagens – borboleta, semente germinando, hera, vinho, farinha, água, fogo – que, profundamente inter-relacionadas, | * Esta simbologia apícola conecta-se profundamente com a figura de Melquisedeque e com o deus da doutrina secreta, Zagreu, cujo corpo distribuído e consumido encontra eco na rainha que dá nome aos iniciados, considerados fragmentos do deus, tornando-se as abelhas da rainha, dispensadoras do alimento, sendo o próprio mel, imagem da morte e do renascimento como atesta o mito de Glauco, símbolo da expiação e purificação da alma, tal como o touro, representante da época anterior à catástrofe e símbolo do princípio estável de luz que renasce com maior diversidade e poder após o combate, ou o asno, também associado à geração no linguagem onírico, completando um conjunto de imagens – borboleta, semente germinando, hera, vinho, farinha, água, fogo – que, profundamente inter-relacionadas, | ||
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