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| + | ====== Eco ====== | ||
| + | //SCHUBERT, Gotthilf Heinrich von. La Symbolique du rêve. Paris: A. Michel, 1982.// | ||
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| + | * Fundamentação anatômica e funcional da mediação da fala pelo sistema nervoso | ||
| + | * A função da palavra no corpo é situada, antes de tudo, no nervo vocal, e também nos nervos que movem a língua e integram a dinâmica do faringe, de tal modo que a fala é pensada como operação orgânica enraizada em uma configuração nervosa específica. | ||
| + | * Essa configuração é colocada no vínculo mais estreito com uma parte do sistema nervoso que, perante os nervos do cérebro e da medula espinhal, constitui um todo relativamente independente e autônomo, isto é, um domínio nervoso que não se deixa reduzir ao eixo cérebro-medula. | ||
| + | * O conjunto assim descrito é identificado como sistema simpático, caracterizado por riqueza de gânglios e redes, do qual partem nervos para as vísceras torácicas e abdominais e para os vasos sanguíneos de todo o corpo, de modo que a vida interna e circulatória é tomada como campo próprio desse sistema. | ||
| + | * A tese de uma raiz originária entre a quinta e a sexta pares de nervos cranianos é rejeitada, sendo afirmado que há apenas relação com nervos cranianos e medulares, e que a suposta raiz, por extrema finura, não poderia estar em proporção com o restante do sistema, o que sustenta a ideia de autonomia relativa do domínio ganglionar. | ||
| + | * A possibilidade de um sistema ganglionar sem cérebro nem medula é usada como argumento de independência, | ||
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| + | * Distinção morfológica e fisiológica entre sistema cerebral e sistema ganglionar | ||
| + | * A relação entre sistemas ganglionar e cerebral é atribuída a demonstração de Reil, como esclarecimento do vínculo sem anular a distinção essencial entre domínios. | ||
| + | * A diferença de configuração é apresentada como evidência imediata: nervos cerebrais e medulares contrastam com nervos do sistema ganglionar, e os nervos vocais são situados quase todos no âmbito ganglionar. | ||
| + | * A caracterização sensível dos nervos ganglionares é detalhada por textura mais mole e gelatinosa, coloração cinzento-amarelada e avermelhada, | ||
| + | * A diferença funcional é formulada como oposição entre condução voluntária e atividade involuntária: | ||
| + | * A distinção é apoiada por exemplos de vivissecção e estímulo nervoso, segundo os quais a excitação de nervos do sistema cerebral provoca dor e grito, enquanto cortes e picadas em nervos moles do sistema ganglionar não ocasionariam dor, reforçando a ideia de um regime afetivo distinto. | ||
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| + | * Integração do sistema ganglionar à vida vegetativa e sua topologia orgânica | ||
| + | * A totalidade do sistema vegetativo do corpo, isto é, os órgãos de formação, manutenção e crescimento do organismo físico, é atribuída ao sistema ganglionar. | ||
| + | * Os órgãos vocais são incluídos como constituídos por redes associadas a garganta, coração, pulmões, diafragma, mesentério, | ||
| + | * O sistema ganglionar é afirmado como ponto de partida dos nervos que irrigam grandes artérias, enquanto os nervos do sistema cerebral apenas seguem o traçado dos vasos sem se ramificar neles, o que sustenta a tese de comando vegetativo interno por infiltração nervosa na própria circulação. | ||
| + | * Com as artérias, cujo conteúdo participa da formação e manutenção de todas as partes do corpo, os nervos ganglionares se distribuem em todos os órgãos e comandam secreção, formação e geração, definindo uma soberania sobre processos constitutivos. | ||
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| + | * Fronteira elíptica entre os dois sistemas e o papel do nervo simpático | ||
| + | * Os nervos simpáticos, | ||
| + | * No interior dessa fronteira, as redes ganglionares se separam em filamentos inumeráveis, | ||
| + | * A interrupção por centros nervosos é interpretada como suspensão de condução e especificação de sensibilidade a excitações exteriores particulares, | ||
| + | * A semi-condução é apresentada como mecanismo que, no estado normal, isola o sistema ganglionar do sistema cerebral e o torna independente, | ||
| + | * Contudo, em certos casos, a clausura é suprimida, a semi-condução diminui em favor de condução total, e as relações e dependências entre os sistemas são restabelecidas, | ||
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| + | * Sono, morte natural e predominância ganglionar nos estados aparentados ao sono | ||
| + | * É retomada uma tese segundo a qual não apenas o sono, mas também a morte natural podem ser produzidos por efeito retroativo de órgãos subordinados ao sistema ganglionar, isto é, por ação ascendente da vida vegetativa sobre o domínio cerebral. | ||
| + | * Os fenômenos do sono e estados aparentados são atribuídos ao sistema ganglionar, que adquire predominância sobre o sistema cerebral, e essa predominância é interpretada como atividade da alma consagrada à vida vegetativa. | ||
| + | * Essa atividade vegetativa é descrita como possuindo tendência particular à criação, manifestada espiritualmente quando sua função própria é perturbada ou quando falta material, articulando-se uma passagem da função orgânica para expressão imagética e espiritual. | ||
| + | * No sono pacífico e saudável, a atividade orgânica ganglionar predomina e a atividade cerebral é interrompida, | ||
| + | * É estabelecida uma oscilação: | ||
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| + | * Sonambulismo e loucura como revelações extremas da relação entre os sistemas | ||
| + | * O sonambulismo é descrito como estado em que o sentido interior aguçado percebe o exterior com clareza superior à vigília, inclusive com olhos convulsivamente fechados e inaptos para ver, o que exige um deslocamento do lugar da percepção. | ||
| + | * O creux épigastrique, | ||
| + | * Quando a sonâmbula se torna una com a alma do magnetizador e adquire adivinhação de pensamentos e sentimentos, | ||
| + | * O gesto instintivo de levar objetos ao epigástrio para observar com precisão é equiparado ao ato comum de levar objetos aos olhos, estabelecendo uma equivalência funcional entre órgãos de percepção. | ||
| + | * Apesar da ampliação de conhecimento e de sentimentos no estado de crise, no despertar tudo desaparece bruscamente, | ||
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| + | * Dupla série de estados e autonomia recíproca de duas individualidades | ||
| + | * A supressão do isolamento no sonambulismo é afirmada como associação do centro habitual do pensamento, o cérebro, ao sistema ganglionar, permitindo participação do cérebro em atos espirituais realizados com auxílio desse sistema. | ||
| + | * No despertar, o isolamento é restabelecido abruptamente, | ||
| + | * Surge o fenômeno de dupla série de estados: cada série é autônoma e sem relação com a outra, de modo que a sonâmbula não crê no relato de seu comportamento e sente impossível ter sido outra pessoa com capacidades diferentes. | ||
| + | * A coerência interna da série de crises é evidenciada pela memória nítida quando a pessoa retorna ao sono hipnótico, retomando conversas onde pararam e prometendo informações futuras, com ligação semelhante à continuidade entre hoje e ontem na vigília. | ||
| + | * O sonambulismo perfeito é dito possuir também visão lúcida do estado de vigília, lembrando eventos de passado longínquo que não podia recordar no estado ordinário, e assim a alma adquire capacidade de usar um sentido mais profundo, geralmente perdido no estado atual, de campo mais amplo do que os sentidos familiares. | ||
| + | * Uma analogia com instrumento dividido por parede espessa explica que acordes superiores só são percebidos quando a separação é removida; recolocada a separação, | ||
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| + | * Estados aparentados com duas individualidades, | ||
| + | * São descritos estados próximos ao sonambulismo em que o isolamento persiste como na vigília, mas aparece com nitidez o fenômeno de duas individualidades separadas e em bons termos, reunidas numa pessoa. | ||
| + | * Um caso relatado por Erasmus Darwin apresenta alternância regular de estado em que a jovem é insensível a impressões sensoriais do entorno, não vê nem ouve o que ocorre, mas conversa coerente com ausentes tomados por presentes, declama versos e resiste a ajuda externa para encontrar palavras faltantes, e se queixa quando mãos são retidas ou olhos fechados, sem compreender a causa. | ||
| + | * No despertar, há terror e amnésia total do ocorrido, e o retorno ao estado habitual dura até a reaparição da rêverie, levando observadoras a falar de duas almas alternantes, | ||
| + | * Um caso por Gmelin descreve paciente que se toma por outra pessoa, uma emigrada francesa, fala francês, tem dificuldade inicial com alemão, toma parentes por visitantes desconhecidos, | ||
| + | * A recorrência desses casos em notas médicas é usada para generalizar a estrutura: ausência de consciência fora da crise sobre o que ocorre na crise, e incompreensão inversa de que haja outra personalidade em outros momentos, com alternância de ser e tomar-se por pessoas distintas. | ||
| + | * A duplicidade é estendida à convalescença de longas doenças, e é afirmado como realmente presente na loucura e no sonho, onde a pessoa se torna frequentemente outra, inclusive em traços de caráter. | ||
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| + | * Esclarecimento pelo duplo sistema de nervos e a mediação do sonho | ||
| + | * A explicação geral é reconduzida à existência e divisão do duplo sistema nervoso: nos casos descritos, a atividade da alma através do sistema ganglionar justifica o estado estrangeiro à personalidade habitual. | ||
| + | * O caráter específico do sistema ganglionar é associado ao dom de profecia e a fenômenos de pressentimento extremamente aguçado, sugerindo uma natureza própria do modo de sentir e conhecer que emerge desse domínio. | ||
| + | * Quando a alma escolhe o sistema ganglionar como centro, ela fica cortada dos recursos do sistema cerebral e dos sentidos pela presença da barreira natural, e o inverso também ocorre, estabelecendo uma exclusão mútua de repertórios. | ||
| + | * O sonho é situado como terceiro estado intermediário, | ||
| + | * O sonho é definido como órgão de transmissão entre crise e vigília, comunicando à consciência desperta os fenômenos do primeiro estado, o que introduz uma função mediadora distinta da simples ruptura. | ||
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| + | * Nervo vocal, fígado e centro de gravidade orgânico como eixo de comunicação | ||
| + | * A ligação de muitos sonhos com a vigília é atribuída essencialmente ao nervo vocal, considerado mediador entre os dois sistemas. | ||
| + | * O nervo vocal, depois de assumir caráter e função do sistema ganglionar, torna-se um dos nervos essenciais do fígado, órgão descrito como excessivamente ativo desde o início da vida em funções de desenvolvimento do organismo e coagulação. | ||
| + | * O fígado é ligado ao centro de gravidade do corpo em certas posições, sobretudo deitado, e essa centralidade é estendida a outros aspectos, sendo ele entendido como fonte fundamental do desenvolvimento orgânico que liga intimamente à matéria e ao espaço. | ||
| + | * A sensibilidade do fígado a mudanças de residência é reafirmada, e são mencionadas doenças hepáticas em deslocamentos continentais e o mal de mar como afecção dos órgãos de secreção da bile, de modo que a geografia e o movimento físico são integrados à fisiologia afetiva. | ||
| + | * Movimentos bruscos e balanços são apresentados como agindo sobre esse centro de gravidade natural, e a utilidade terapêutica do balanço regular é vinculada a descobertas recentes para consumo e outras doenças de desordem vegetativa, expandindo a função do órgão no regime de cura. | ||
| + | * O fígado, como fonte do princípio amargo, é tomado como sede de paixões cujos movimentos são difíceis de dissimular e atravessam a barreira até a palavra, incluindo cólera, ódio, inveja e orgulho, e por isso sua atividade é conectada à loucura oriunda do domínio das paixões. | ||
| + | * A utilidade do balanço é estendida ao tratamento de loucura, epilepsia e outras doenças, e estabelece-se que a região ganglionar em relação com o fígado está, pelo nervo vocal, em ligação estreita com cérebro e consciência, | ||
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| + | * Posição corporal, digestão e qualidade dos sonhos | ||
| + | * No sono, mudanças de posição que deslocam o fígado são apresentadas como influenciando a natureza e vivacidade dos sonhos. | ||
| + | * Após sonhos penosos e agitados, uma sensação singular e desagradável na região do fígado é tomada como indício da fonte do fenômeno, conectando experiência subjetiva a causa orgânica. | ||
| + | * Digestão fácil é associada a sono saudável e pacífico, ao passo que perturbações digestivas são associadas a sono interrompido por imagens oníricas, integrando fisiologia digestiva e dinâmica imagética do sonho. | ||
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| + | * Atividade espiritual travestida na vida vegetativa e retorno sob impedimento | ||
| + | * As funções do sistema ganglionar são interpretadas como encerrando uma atividade espiritual travestida na vida vegetativa, isto é, uma potência que se apresenta disfarçada como operação orgânica. | ||
| + | * Uma analogia química compara o ácido que queima órgãos do gosto e tato com o ácido misturado ao gesso para obter gesso/ | ||
| + | * Uma analogia moral descreve o assassino acorrentado a uma tarefa: enquanto trabalha e dorme profundamente parece não ser o que é, pois sua natureza sanguinária se oculta; liberado por intervenção externa, reaparece em seu verdadeiro aspecto, como o devasso faminto que retorna a si sob melhor tratamento. | ||
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| + | * Desordens vegetativas como fonte de sonhos agitados, loucura e cura | ||
| + | * Afirma-se que não apenas a digestão perturbada produz sonhos agitados, mas também interrupções súbitas de secreções e processos corporais, como secreção láctea, hidropisia ou erupções, podendo gerar loucura. | ||
| + | * Inversamente, | ||
| + | * São listados vínculos entre repressão ou ausência prolongada de menstruação e melancolia profunda, entre vida vegetativa desregrada por onanismo e tendência ao suicídio, e entre dificuldades digestivas e hipocondria próxima da loucura, estabelecendo uma causalidade fisiológica que desafia teorias psicológicas comuns. | ||
| + | * É afirmado que o materialismo grosseiro de certos médicos se aproxima frequentemente mais da realidade por ensinar procedimentos concretos de restauração, | ||
| + | * Paralelamente, | ||
| + | * Um caso de idosa com constipação periódica é usado para mostrar variação de lucidez e regressão a fases de vida passada até hebetude profunda e perda de autoconsciência, | ||
| + | * A doença terrível que impele a matar é descrita com sinais corporais prévios: ardor na região dos gânglios abdominais e afluxo de sangue à cabeça, com urgência de afastar familiares, evidenciando uma dinâmica vegetativa antecedendo o ato. | ||
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| + | * Núcleo noturno e vergonhoso da alma vegetativa e sua liberação em estados patológicos | ||
| + | * Sustenta-se que não é a parte mais brilhante e melhor do ser que está atrelada como alma vegetativa, mas a parte vergonhosa de um ser em frangalhos, reconhecida quando se liberta por instantes. | ||
| + | * O terror diante do lado noturno visto em sonho é apresentado como experiência de confrontação com essa camada, e no somnambulismo simples indivíduos calmos podem inclinar-se a crimes, exigindo vigilância. | ||
| + | * Um caso clínico de dança de Saint-Guy descreve um menino calmo que, na crise, parece possuído, ri de modo assustador e busca ferir perfidamente os presentes, inclusive com agulha escondida sob flor, compondo uma imagem de malícia e destruição emergindo no estado alterado. | ||
| + | * A loucura, quando não se reduz a estupidez, é associada a inclinação surpreendente à destruição, | ||
| + | * Em alienados de grau superior, a capacidade de simular gentileza e ocultar tendência homicida é afirmada, sobretudo em quem teve razão destruída por sensualidade bestial, e estabelece-se a tese de que a sensualidade normal seria máscara sob a qual se esconde inclinação ao assassinato e destruição. | ||
| + | * Mesmo em supostamente curados, permanece eco de tendência homicida, e libertações precoces podem levar a parricídios ou matricídios, | ||
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| + | * Autodestruição e crueldade contra o próprio corpo | ||
| + | * Quando a loucura homicida carece de vítima, tende a voltar-se contra o próprio doente, que pode amputar membros, cortar-se ou morder mãos e dedos com crueldade. | ||
| + | * Nos graus mais graves de idiotia, afirma-se haver crueldade obscura contra o próprio corpo, sugerindo que o impulso destrutivo pode deslocar-se do outro para si. | ||
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| + | * Mentira coerente e teatralidade do delírio como produção ganglionar | ||
| + | * É destacada a astúcia e finura com que alienados podem tornar-se irreconhecíveis e narrar história totalmente inventada como se fosse própria, com coerência persuasiva. | ||
| + | * Casos de Gregory e de um alienado sedutor dos assaltantes da Bastille são usados para mostrar como tais narrativas podem induzir liberação de cadeias e, uma vez soltos, gerar perigo mortal, tornando a palavra instrumento de engano. | ||
| + | * A adoção de biografias mentirosas é afirmada como não rara na história da doença, e as produções do sistema ganglionar no sonho são ditas parcialmente fundadas em engano e mentira, conectando sonho e delírio por uma lógica produtiva comum. | ||
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| + | * Loucura furiosa com consciência preservada e fusão entre paixão e delírio | ||
| + | * Um gênero de loucura é descrito como associando destrutividade e homicídio a uma consciência aparentemente saudável, onde se encontram paixão selvagem e verdadeira loucura. | ||
| + | * Um caso de camponês que parece curado, retorna ao vilarejo e mata com premeditação esposa e filhos após aquecer o espírito no jogo de cartas mostra reaparição progressiva do impulso homicida sob influência de irascibilidade não reprimida. | ||
| + | * Um caso de dama sensível que nutre ódio frio contra o primeiro filho e tenta matá-lo com premeditação, | ||
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| + | * Gênese da loucura como inversão do rapport natural e concentração contra natureza | ||
| + | * A natureza do galeote acorrentado ao ser é reconhecida sobretudo pelo modo como a loucura é produzida: ela consiste no reverso do rapport natural, em que a atividade criadora da alma, desviando-se de sua função habitual, expressa-se psiquicamente. | ||
| + | * A vigor do organismo espiritual se concentra numa função contra natureza em que a atividade do sistema cerebral é obscurecida, | ||
| + | * A predominância da atividade vegetativa da alma sobre faculdades superiores pode manifestar-se negativamente pela perda de soberania do órgão superior sob doença ou erro, mas mais frequentemente positivamente por liberação da atividade travestida na função vegetativa e sua tomada de soberania, ou por despertar e nutrição da alma adormecida por influências aparentadas. | ||
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| + | * Lei de ressonância das paixões e despertar da atividade subalterna | ||
| + | * Uma analogia musical descreve que um som desperta ressonância de cordas em uníssono, e esse esquema é aplicado às paixões, desejos, ódios, simpatias e antipatias, cuja esfera e origem são situadas no sistema ganglionar. | ||
| + | * As paixões agem de modo estimulador ou destrutivo sobre o sistema ganglionar, e assim a disposição adormecida para a loucura pode ser despertada pela manifestação de capacidade aparentada. | ||
| + | * A maioria dos loucos teria perdido o uso da razão por paixões, enumerando-se irascibilidade, | ||
| + | * Em loucura ou melancolia religiosas, é afirmado frequentemente haver precedência de orgulho e autoelevação, | ||
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| + | * Orgulho, perversão do órgão do Verbo e casa de correção da matéria | ||
| + | * Se o tom de base da atividade subalterna é orgulho, uma velha expressão teosófica permitiria derivar o naufrágio de uma atividade superior do orgulho rumo a criação material inconsciente, | ||
| + | * Privado de forças originárias ou incapaz de usá-las, aprende subordinado ao conhecimento sensível e à vontade a obedecer, e uma sentença antiga, ganhar o pão com suor, é introduzida como limite pedagógico ao orgulho. | ||
| + | * Afirma-se que a disposição primordial destinada à obediência, | ||
| + | * A matéria e a região obscura do físico tornam-se casa de correção, de onde se sai curado se se usam os meios propostos; contudo, restos de orgulho resistem e fazem o doente sabotar esforços de cura, pois pressentem sua própria morte. | ||
| + | * Uma imagem dramática descreve o véu rasgado e a liberação do assassino interior, com fúrias que se erguem contra quem as protegeu, e o discurso culmina em exortação a não libertar o assassino acorrentado antes que se torne melhor. | ||
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| + | * Transição para análise das propriedades físicas do sistema ganglionar | ||
| + | * É anunciado estudo ulterior dos princípios da casa de correção no capítulo seguinte, e uma análise mais estrita das propriedades físicas do sistema ganglionar é indicada como via de acesso, reinserindo o discurso num fio fisiológico. | ||
| + | |||
| + | * Função vegetativa do sistema ganglionar como destruição e extração de princípios | ||
| + | * O sistema ganglionar é definido como assumindo funções vegetativas no organismo vivo, com papel de destruir a matéria presente e extrair princípios constitutivos, | ||
| + | * A figura do alquimista helmontista, | ||
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| + | * Mundo animal sem sistema cerebral e emergência de sentido novo | ||
| + | * O mundo dos moluscos é descrito como desprovido de verdadeiro sistema cerebral, vivendo unicamente pelo sistema ganglionar, sem órgãos dos sentidos e constituído apenas por tronco, mas ainda assim reconhecendo o que se relaciona ao campo de necessidades vitais. | ||
| + | * A capacidade de ruses e habilidade é comparada ao sonâmbulo que vê com olhos fechados e ouve sem uso da audição, pois um sentido novo emergiu no sistema ganglionar. | ||
| + | * No mundo dos insetos é constatado um sistema ganglionar simples que se aproxima do cerebral, com estágio larvar sem órgãos dos sentidos e sensibilidade excepcional ao exterior. | ||
| + | * A atividade vegetativa aparece como instinto de criação em obras de arte externas ao corpo para cobrir ou conservar, integradas fisiologicamente aos próprios tecidos como pelos e pele na periferia de animais mais evoluídos. | ||
| + | * A construção do ninho pela abelha dos muros é equiparada ao instinto vegetativo materno que organiza tecidos e órgãos nutritivos do feto, e ao mesmo tempo se afirma que manifestações de insetos e fenômenos de região superior, entre eles magnetismo animal, mostram que a força vegetativa originalmente podia agir além do domínio estreito do organismo material. | ||
| + | |||
| + | * Sistema ganglionar como sede de simpatias e atividades ditas mágicas | ||
| + | * O sistema ganglionar é posto como sede de simpatias e de atividades da natureza que não se explicam por leis de simples contato mecânico, sugerindo um regime causal distinto. | ||
| + | * Certas atividades da natureza subalterna podem ser comunicadas e inoculadas à natureza humana pelo sistema ganglionar, e a mordida de cão raivoso é usada como exemplo: o doente consciente sente instinto canino irresistível de morder e pede para ser amarrado, como se a natureza canina tivesse sido incorporada. | ||
| + | * Um exemplo do filho do Grand Condé é citado como inoculação que leva a crer-se transformado em cão e a desejar latir, e um caso de nonnas que miavam diariamente é acrescentado, | ||
| + | * Diante disso, a metempsicose antiga é dita não parecer totalmente absurda, e Nabucodonosor é lembrado como transformação em animal, compondo continuidade entre mito, religião e fisiologia do instinto. | ||
| + | |||
| + | * Contágio, imunidade aparente dos alienados e magnetismo animal | ||
| + | * A receptividade feminina e capacidade de reprodução do sistema ganglionar aparecem na história de substâncias contagiosas: | ||
| + | * Daí deriva a tese de que alienados não estariam expostos a contágio, permanecendo ilesos entre pestíferos e febris, como efeito da mudança de regime funcional. | ||
| + | * No magnetismo animal, os estados são ditos facilmente desencadeados por passes do alto para baixo, mas também por gesto inverso, sopro, toque das mãos ou do polegar, e até pela vontade à distância. | ||
| + | * Esses estados podem surgir sem magnetizador, | ||
| + | * Um estado semelhante à crise pode ser provocado por ausência de menstruação e, em experiências isoladas, por galvanismo; em naturezas muito sensíveis, a proximidade de gato ou predadores, e até de serpentes venenosas ocultas no quarto, pode produzir convulsões análogas às crises de loucura. | ||
| + | |||
| + | * Geração, gravidez e limitação atual de uma faculdade criadora | ||
| + | * A propriedade do sistema ganglionar manifesta-se sobretudo na geração e gravidez, e na mulher aparece como transformação interior do que originalmente deveria ser obra do Verbo da Conhecimento, | ||
| + | * Em contraste com a antiguidade suposta em que a natureza sensível era material e órgão dessa faculdade criadora, no estado atual ela é dita limitada ao estreito sistema ganglionar, reconfigurando a criação como função orgânica confinada. | ||
| + | |||
| + | * Sexto sentido, simpatia e clarividência espacial pelo sistema ganglionar | ||
| + | * Mesmo no estado atual, o sistema que liga à matéria deixaria disponível um sentido que ultrapassa limitações espaciais e obstáculos da gravidade e corporalidade, | ||
| + | * Sensações de calor e frio e fenômenos do chamado sexto sentido são atribuídos ao sistema ganglionar, como sentir no escuro a presença de objeto, calafrios durante o sono à aproximação de uma mão, e simpatias e antipatias. | ||
| + | * Em certos estados corporais, essa esfera se amplia a ponto de perceber mudanças iminentes de tempo, metais e massas líquidas distantes, incêndios e eventos semelhantes, | ||
| + | * No estado de clarividência magnética, as barreiras corporais entre indivíduos seriam abolidas, a alma do sensível torna-se una com a do magnetizador, | ||
| + | * Por vontade do magnetizador ou por contato, a somnâmbula pode ser posta em relação com terceira pessoa distante e saber sobre ela; a vontade concentrada do magnetizador pode agir a grande distância e induzir crise, e no estado de clarividência a pessoa sabe do que ocorre no país e percebe o mundo exterior inteiro como presente. | ||
| + | * Capacidades relatadas incluem ler livro desconhecido por mediações, | ||
| + | |||
| + | * Clarividência em estados de ravissement, | ||
| + | * Fenômenos de clarividência e pressentimento são estendidos a ravissement, | ||
| + | * Casos de aparição de ser querido no instante da morte ou em momentos importantes, | ||
| + | * A dificuldade usual de lembrar tais sonhos profundos e estados de inconsciência é reconhecida, | ||
| + | * Esses fenômenos são interpretados como lembrança de um dom superior do homem, sendo ainda apenas sombra do que o sentido superior abrange quando desperta de modo saudável; a analogia do bulbo aberto mostrando artificialmente o futuro lírio reforça a diferença entre sombra e desenvolvimento pleno. | ||
| + | |||
| + | * Periodicidade temporal e origem ganglionar do ritmo vital | ||
| + | * Os órgãos que acorrentam à matéria podem fazer ultrapassar limites materiais e isso inclui o tempo, pois toda periodicidade e divisão cronológica entrariam na vida animal pelo sistema ganglionar. | ||
| + | * Os movimentos dos órgãos ganglionares são descritos como rítmicos, periódicos, | ||
| + | * Fenômenos ligados a momentos precisos, como sono, vigília, digestão, crescimento, | ||
| + | * A capacidade reprodutiva do animal desperta naturalmente sob certas posições dos astros, e variações em animais domésticos e diversidade humana são atribuídas à modificação humana das épocas de acasalamento e à perda de ligação a épocas precisas. | ||
| + | |||
| + | * Menstruação, | ||
| + | * A dependência temporal reaparece no humano, e na mulher a natureza psicofísica hostil e destrutiva do sistema ganglionar seria mais facilmente liberada, sendo contida pela menstruação cujo cessar facilitaria despertar destrutivo. | ||
| + | * Esse fato corporal é posto em relação com elementos da história dos oráculos e sacrifícios humanos e sua associação, | ||
| + | * A exaltação píthica é vinculada ao despertar de capacidades psíquicas inibidas do sistema ganglionar cujo caráter essencial é loucura de destruição, | ||
| + | * O culto cruel do México antigo é apresentado como participante de conhecimento divinatório sacerdotal, e uma forma superior e pura de algo semelhante é afirmada como orientada a fim melhor, ainda que por reconciliação pelo sangue. | ||
| + | |||
| + | * Dias críticos, crise e insuficiência explicativa do pressentimento profético | ||
| + | * O caráter de dias e períodos críticos é dito valer sobretudo para doenças sediadas no sistema ganglionar, sendo mais discreto em mal-estares onde o sistema cerebral é mais afetado. | ||
| + | * A previsão do tipo de crise em dia decisivo é atribuída à relação com crises passadas, com exatidão comparável à das crises de somnambulismo, | ||
| + | * Propõe-se então que a visão profética se funda em clarividência no tempo, enquanto os fenômenos anteriores seriam clarividência no espaço. | ||
| + | * Os estados que o ser atravessa em diferentes momentos seriam regidos por lei rigorosa, e o distante amado e o próprio sujeito, o presente e o futuro, seriam reunidos numa terceira entidade cujo raio toca o sentido interior em momentos proféticos. | ||
| + | * Afirma-se inexistência de acaso na história do desenvolvimento do ser eterno, pois o ser escolhe o amor, e por eventos em ordem imutável é elevado a paz eterna ou a tormento eterno. | ||
| + | |||
| + | * Previsões específicas em clarividência e amplitude temporal do somnambulismo | ||
| + | * Pessoas em estado de abertura íntima predizem duração do estado quando reaparece e futuras crises, e também eventos não dependentes delas, como incidentes com torção do pé em casos associados a Wienholt. | ||
| + | * Um caso de previsão de ida ao campo, tentação de montar a cavalo e queda é relatado como confirmação inesperada, e a somnâmbula é dita saber quando uma ideia amadurecerá e quando responderá a certas perguntas. | ||
| + | * A aptidão de pressentimento é estendida a outras pessoas em relação com o somnâmbulo, | ||
| + | * O somnambulismo é descrito como frequentemente dotado de aptidão profética tanto para futuro quanto para passado, com lembrança admirável de pequenos eventos esquecidos há anos, e o sonho também faz retornar eventos da primeira infância. | ||
| + | * Essa capacidade se estende a pessoas estrangeiras ligadas ao somnâmbulo, | ||
| + | |||
| + | * Memória, barreira à vontade e fechamento progressivo com a idade | ||
| + | * Quase todos os fenômenos de memória incomum e imaginação reprodutora são colocados em relação estreita com o sistema ganglionar. | ||
| + | * Ao tentar reencontrar impressões sensíveis e atividades do sentido interior, uma grande parte das emoções passadas centradas no sistema ganglionar é necessariamente perdida para a memória, porque a vontade não pode renovar a propósito emoções ligadas a esse sistema devido à barreira. | ||
| + | * Na juventude, com vitalidade vegetativa no ápice, a natureza sensível consegue fazer junção entre sistemas e eliminar rapidamente a barreira; no envelhecimento, | ||
| + | * A obtusidade senil é descrita como esquecimento de eventos decisivos e de conhecimentos antes profundos, com exemplos de grandes intelectuais que não compreenderiam suas próprias obras e de perda de habilidades linguísticas elementares, | ||
| + | * Contudo, não se perderia de fato o patrimônio adquirido na infância, e experiências mostram que, frequentemente, | ||
| + | * Afirma-se que a loucura pode desaparecer como pesadelo, e que loucos ao dormir têm sonhos sensatos e coerentes, com a série de estados despertos prosseguindo por intermédio do sonho. | ||
| + | * É dito ainda que, em certos casos, por meio da loucura ou no meio dela, pode haver evolução e desenvolvimento de forças psíquicas superiores, com melhorias morais e intelectuais após cura. | ||
| + | * Um caso de mulher com loucura de vinte anos que desperta quatro semanas antes da morte e exibe elevação e sublimação de faculdades e expressão nobre é usado para afirmar que errâncias do espírito na velhice ou em estados obscuros não provam a tese materialista de perda definitiva. | ||
| + | |||
| + | * Lugar dos recuerdos e princípio afetivo da memória | ||
| + | * A questão de onde se escondem conhecimentos e lembranças aparentemente perdidos é respondida por remissão ao que foi dito sobre a barreira e o sistema ganglionar como sede das sensações. | ||
| + | * Afirma-se que fatos se gravam na memória na medida em que interessam, isto é, se relacionam ao amor como tendência fundamental, | ||
| + | * A memorização de reflexos mecânicos, como palavras estrangeiras sem sentido conhecido, só se mantém se houver relação, ainda que mínima, com sentimentos e tendência fundamental; | ||
| + | * O que não influi no domínio vivo tende a estar fora da esfera do conhecimento, | ||
| + | * Daí decorre que extensão da conhecimento é proporcional às proporções do amor: conhecimento mais alto acompanha amor mais elevado, e conhecimento mais modesto acompanha amor mais limitado, com comparação à natureza animal que conhece apenas o que se relaciona a necessidades. | ||
| + | |||
| + | * Sistema ganglionar como centro unificador de sentimentos e origem do coração afetivo | ||
| + | * O sistema ganglionar é definido como fonte e centro unificador dos sentimentos e tendências do ser. | ||
| + | * As funções sensíveis dependentes do sistema cerebral, como vista e audição, são ditas operar sem sensação própria de prazer ou dor, mas quando há elevação do sentimento diante de beleza natural ou sons harmoniosos, | ||
| + | * Em contraste, funções ganglionares no mundo animal são ligadas a prazer e dor, e alimentação, | ||
| + | * O sentimento sublime de bem-estar físico e paz interior é associado ao esmaecimento da barreira entre sistemas, com ampliação do círculo da consciência. | ||
| + | * Em sono, inconsciência, | ||
| + | * A frenesia é tomada como sinal favorável de cura próxima, e um relato de aliéné tratado por Willis descreve felicidade durante crises, facilidades em pensamento e ação, memória ampliada, capacidade de versificar e astúcia, o que sustenta a tese de intensificação cognitiva por rearranjo de sistemas. | ||
| + | * Nos somnâmbulos, | ||
| + | |||
| + | * Intensificação cognitiva, interação vontade-sistema ganglionar e vias de remediação | ||
| + | * A associação dos dois sistemas ocorre por atividade intensa de um deles: em embriaguez, somnambulismo e alegria extrema por ampliação do sistema ganglionar; em conhecimento profundo por elevação do poder psíquico. | ||
| + | * Em ambos os casos, o sentimento intensificado passa à alma a partir do sistema ganglionar, que é também órgão da Conhecimento em duplo sentido, conhecimento e procriação físicos e conhecimento espiritual. | ||
| + | * A faculdade de conhecimento espiritual é apresentada como mais livre pela manhã em jejum, quando a faculdade psíquica ganglionar ainda não se extinguiu em favor da digestão, e mais limitada quando o corpo está em estados opostos. | ||
| + | * A diferença entre grande talento e outro limitado é atribuída a maior poder da vontade sobre a esfera ganglionar e menor influência desta sobre o cérebro, enquanto no segundo a interação é mais difícil. | ||
| + | * Daí se explicaria remediar frequentemente a imbecillidade por movimentos ao ar livre, feridas sobretudo na cabeça e outras influências que facilitam a interação, | ||
| + | * Os somnâmbulos são descritos como receber conhecimentos elevados por meio do epigástrio e do sistema ganglionar, não pelo caminho habitual da conhecimento sensível, e esse sistema é declarado único órgão para apreender o que ultrapassa o mundo sensível. | ||
| + | * Quando o homem percebe regiões espirituais superiores ou conhece pensamentos e opiniões de outrem, isso é dito possível porque a alma recupera órgão de Conhecimento superior normalmente ocupado por funções inferiores, e tais possibilidades são vistas como representantes de felicidade rara associada a aspirações puras. | ||
| + | |||
| + | * Retorno de conhecimentos e recuerdos como efeito de reabertura da relação entre sistemas | ||
| + | * Se conhecimentos e recuerdos têm sede no sistema ganglionar, então a aparente perda e súbito retorno em velhice e neuropatias se esclarece. | ||
| + | * O recuerdo é definido como renovação mais ou menos arbitrária de emoções já sofridas, e o fechamento da região ganglionar à vontade impede renovação proposital de emoções, tornando conhecimentos inacessíveis sem serem destruídos. | ||
| + | * Um sonho, uma alegria súbita e sobretudo o estado que frequentemente precede a morte podem restabelecer bruscamente a relação interrompida, | ||
| + | * O estreitamento do campo da Conhecimento ensina o valor da região do sentimento e da materialidade grosseira: ela é terra nutriz ou ventre materno onde se confia fruto de esforços, renúncias e capacidades adquiridas no Bem e no Mal, incluindo germes de existência nova e superior. | ||
| + | * Analogias de metamorfose de larvas, do Phénix nascendo de verme, e de vida nova formando-se entre putrefação e morte, culminam na referência à ressurreição a partir do osselet Lus, como figura de geração do superior a partir do desprezado. | ||
| + | |||
| + | * Retomada do fio inicial: nervo vocal, Verbe criador e redução atual à linguagem vulgar | ||
| + | * O nervo vocal e a esfera dos órgãos vocais são reinseridos como parte de um sistema cujas funções são as do Verbe criador, isto é, criação de um universo em miniatura subordinado. | ||
| + | * Embora limitada, essa esfera mostraria, por fenômenos como poder psíquico do magnetizador sobre a somnâmbula e influências do homem sobre a natureza, que o sistema ganglionar foi originalmente órgão pelo qual o homem podia agir criando e modificando a natureza. | ||
| + | * Em estados mistos de corpo e espírito, quando a verdadeira natureza do sistema ganglionar se manifesta, ela se dedica, ainda que atenuada, à antiga ocupação, e sonho, somnambulismo e exaltação são descritos como condução a uma natureza nova, rica e sublime, criada de si mesma, universo de imagens e formas. | ||
| + | * Contudo, essas produções são apenas eco fraco de capacidades originárias, | ||
| + | * Do antigo idioma divino, cujas palavras eram objetos da natureza sensível e cujo conteúdo era Deus e amor do coração humano por ele, restaria apenas som sem ser e sem corpo: voz e linguagem vulgar de palavras, apresentada como eco enganador. | ||
| + | |||
| + | * Linguagem futura das almas e nome verdadeiro: Phosphorus como capacidade de amar | ||
| + | * Em estados de Conhecimento superior, alguns teriam lido na alma alheia e respondido a pensamentos não formulados, e isso fundamenta expectativa de linguagem futura das almas, comunicação de pensamentos e sensações mais eficaz que palavras. | ||
| + | * A pequena parcela remanescente da esfera de influências espirituais ainda é vista como quadro dos mais altos milagres da natureza atual, e recebe nome verdadeiro: Phosphorus, entendido como capacidade de amar. | ||
| + | * A região espiritual superior só se revelaria ao Amor, pois ele conhece ao elevar-se a objeto mais digno além do círculo estreito da existência cotidiana, e somente o Amor acompanharia no Além, com o que recebe de um ambiente mais amplo ou mais estreito. | ||
| + | * O Verbe revelado é identificado como natureza sensível, e o sonho, a exaltação e a bênção profética são descritos como linguagem atual do Amor superior, produzindo universo de formas vivas e sentimentos para expressar aspiração. | ||
| + | |||
| + | * Queda do amor, contaminação pelo sono da matéria e fidelidade relativa do sistema cerebral | ||
| + | * A capacidade de amar se desviou de seu objeto originário e voltou aspiração eterna para causa efêmera, e é traçado paralelo com o sono natural, prefiguração da morte, que nasce de transposição periódica da paralisação ganglionar sobre o sistema cerebral. | ||
| + | * Phosphorus teria sido contaminado pelo sono da matéria à qual se uniu, e um adágio é invocado segundo o qual o elemento conhecente torna-se um com aquilo que conhece; como a matéria é cega e inconsciente, | ||
| + | * A parte do ser capaz nem de amor nem de ódio, servindo à consciência pacífica de si, teria sofrido menos na antiga catástrofe, | ||
| + | * O estado atual do ser é comparado a convalescente de doença nervosa que retém apenas pequena parcela de consciência obscura; assim, com melhores faculdades de amor accaparadas por funções vegetativas, | ||
| + | * A recuperação de consciência plena no curado é usada como figura de possibilidade humana de reencontrar parte das faculdades perdidas; em certos casos, as limitações da grande idade são sinal de que disposições se transformaram em amor e o veículo se aligeira. | ||
| + | * A alma do velho é comparada à alma do feto, que dorme enquanto se forma o órgão, sugerindo que, na velhice, forma-se o feto da vida superior. | ||
| + | |||
| + | * Confusão das línguas, incompreensão entre sistemas e analogias físicas | ||
| + | * Quando no sistema cerebral desperta consciência de sua vocação, ele se encontra em contradição com sua verdadeira natureza porque uma parte fala língua do bisogno material e cego incompreensível ao órgão espiritual, e inversamente. | ||
| + | * Essa confusão babylonienne das línguas é usada para explicar o isolamento entre as duas partes do mesmo conjunto, como incompreensão mútua sem percepção recíproca. | ||
| + | * Uma regra geral é enunciada: só se compreende o que concerne ao domínio dos penchants e do amor; tendências diferentes impedem compreensão e até percepção. | ||
| + | * Analogias físicas incluem agulha magnética atraída por ferro mas quase insensível ao elétrico, luz e som não afetando diretamente a agulha, e analogia orgânica de que vista não percebe sons e audição não percebe cores. | ||
| + | * Exemplos de incompreensão entre disposições semelhantes são dados: a galinha choca não compreende o pato atraído pela água, o senso vulgar não compreende o espírito poético, o bom não compreende o mau, consolidando o princípio de afinidade por penchants como condição de influência. | ||
| + | * Quando atividade vegetativa ganglionar torna-se preponderante numa parte do corpo normalmente sob vontade, a parte se imobiliza e parece paralisada, reforçando a tese de domínio vegetativo como força de captura. | ||
| + | * Assim, o sistema ganglionar das funções vegetativas e o cérebro da atividade psíquica são incompreensíveis e isolados. | ||
| + | |||
| + | * Cérebro como parte não saturada da animalidade e abertura ao superior no homem | ||
| + | * Considerando o organismo na animalidade, | ||
| + | * Alimentação, | ||
| + | * Uma analogia química com mistura não saturada de ácido e potassa é usada para dizer que parte permanece insaturada e receptiva, figurando a abertura do sistema cerebral. | ||
| + | * No animal cuja tendência tem por único objeto a matéria, essa receptividade não ultrapassa necessidades materiais; no homem, cuja tendência é originalmente superior, permanece receptividade para coisas sublimes que prazeres materiais não satisfazem. | ||
| + | * A razão humana é descrita como percepção de linguagem de ordem superior, voz de causa superior de toda vida, e o espírito, livre no oceano dos prazeres materiais, eleva-se como consciência de si acima da singularidade. | ||
| + | |||
| + | * Loucura como fixação, cura e encerramento da receptividade espiritual no material | ||
| + | * A loucura é associada a parada cataléptica da atividade psíquica e fixação num problema mental particular, e ao mesmo tempo frequentemente é tratada como prenúncio de cura quando a fixação se desloca para outros objetos. | ||
| + | * A causa é atribuída a parada da receptividade espiritual, que então fica encerrada no círculo de atividades e penchants materiais e ali encontra satisfação. | ||
| + | * Essa parte receptiva, não encerrada em penchants materiais, é acessível apenas a amor superior, e quanto mais se volta a atividade espiritual boa ou má, mais se corta do sistema ganglionar e de sua atividade exclusivamente material. | ||
| + | |||
| + | * Cultura, aumento da separação e, além do limite, reunificação pela espiritualização do amor | ||
| + | * A separação entre sistemas aumenta pela cultura do espírito até certo limite, e o homem selvagem e o animal seriam mais abertos a manifestações ganglionares e a raios de sua luz natural, como instinto, pressentimentos e clarividência espacial, do que o europeu civilizado. | ||
| + | * Em tais sujeitos, os sistemas são mais próximos e se compreendem melhor, a região ganglionar permanece mais acessível à vontade e emoções da esfera dos sentimentos se acordam melhor com tendências do sistema cerebral. | ||
| + | * É afirmado que, por isso, os indianos selvagens da América não estariam expostos à loucura, conectando condição cultural e patologia. | ||
| + | * Contudo, além desse limite, o isolamento tenderia a desaparecer completamente: | ||
| + | * Com isso, a fronteira entre os sistemas desaparece, o isolamento cessa, e a vontade recupera uso de faculdades antes inutilizáveis e como que perdidas. | ||
| + | * Se tal reunificação se realiza na existência presente, o esforço supremo frutifica magnificamente numa existência futura, pois a maior parte das faculdades espirituais estaria normalmente ligada à matéria; quando libertada por estados patológicos como loucura, recupera constante psíquica e, por lei de similitude, exerce influência maior sobre o sistema cerebral, arrastando-o ao mundo de suas aspirações. | ||
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| + | * Horizonte final: civilização superior moral e reconfiguração da esfera dos sentimentos e da natureza | ||
| + | * Para além dos limites da civilização habitual começa uma civilização autêntica, superior e moral, acessível ao homem natural e considerada preocupação mais importante da existência atual. | ||
| + | * Nesse horizonte, toda a esfera dos sentimentos, | ||
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