schelling:philosophie-de-la-mythologie-livre-ii:licao-8
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| + | ====== LIÇÃO 8 ====== | ||
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| + | * Consciência originária e seu caráter de pura substancialidade, | ||
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| + | * Apresentação efetiva da possibilidade de ser-outro à consciência como momento terceiro, caracterizado como ilusório e enganador, a Primeira Tromba (Tromperie Première), correspondente a Áte (Átē) em Hesíodo, filha de Nix (Núx). Exibida essa possibilidade à vontade, inaugura-se o quarto momento, no qual a vontade até então imóvel quer o ser que lhe foi mostrado, abandonando assim o poder-ser límpido que era para erigir-se ao ser contingente e revestido. | ||
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| + | * Evento primordial (Urereignis) ou fato irrecusável (factum) que marca o início da história e da mitologia, ocorrendo inteiramente na meta-história, | ||
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| + | * Consequência não intencional do ato primordial, que surpreende a vontade com o não-desejado e inesperado, fixando-se na consciência emergente após o evento. A nova consciência efetiva, radicalmente alterada pelo ato que a gerou, não pode recordar-se do próprio evento, pois perdeu a identidade com sua condição anterior. A abolição dessa identidade, analogamente ao que ocorre com sonâmbulos, | ||
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| + | * Vestígios obscuros do evento primordial, que somente serão descobertos na mitologia posterior, especialmente na mitologia grega, entendida como termo de um processo. Figuras como Nêmesis e Perséfone encarnam os momentos iniciais desse processo. Perséfone particularmente reúne em si todos os momentos distinguidos: | ||
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| + | * Essência originária do homem como mestre de si mesmo (A), contendo em si B como matéria e potência, portanto como possibilidade de ser-outro e de não ser A. A essa potência, entregue ao homem para ser conservada como possibilidade, | ||
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| + | * Arqui-possibilidade como entidade efetiva e inteligível, | ||
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| + | * Estado de inocência e virgindade de Perséfone, correspondente à consciência originária em sua condição primeira, onde a dualidade genérica não está separada e não há antítese. Nesse estado, a potência permanece em pura essencialidade, | ||
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| + | * Duplicidade de Perséfone, distinguindo entre a que permanece interior (éndon hólē méneusā) e a que sai para fora (proíeisā). Sua emergência (próodos) é um movimento silencioso e inesperado, um pro-serpere (rastejar para frente), associado ao caráter furtivo da serpente. Ao aparecer, torna-se o inopinado, o impensado, identificada como Fatum, Móros e Fortuna Adversa, o primeiro infortúnio de onde derivam todos os demais. | ||
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| + | * Processo de subjugação de Perséfone, que, ao sair de seu retiro virginal e voltar-se para fora, submete-se a um processo inevitável, | ||
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| + | * Ilusão da consciência de que a possibilidade (B) lhe foi entregue para ser efetivada, quando na verdade deveria apenas conservá-la como potência. O homem, ao erigir essa possibilidade à efetividade, | ||
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| + | * Interpretação da passagem bíblica em que Deus diz “eis que o homem se tornou como um de nós”. O sentido correto é que o homem, outrora igual à totalidade da Divindade, tornou-se igual apenas a um dos Elohim (B), separando-se da unidade divina e assim perdendo a semelhança com Deus. O Deus que exclui os outros não é o verdadeiro Deus, que sempre é unidade que inclui as três potências (1+2+3). | ||
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| + | * Surgimento do politeísmo sucessivo a partir da consciência que, ao fazer de B um Deus exclusivo e falso, nega as potências superiores (A²). Essas potências, não sendo nada absoluto mas também não sendo não-Deus, são postas como deuses que irromperão sucessivamente na consciência. Esboça-se assim um politeísmo no qual as potências divinas intervêm de maneira sucessiva, iniciando um processo de restauração necessária da vida divina frente ao enclausuramento da consciência em B. | ||
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| + | * Preliminares da mitologia delineados não apenas filosoficamente, | ||
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