schelling:imagens-comeco-schuback
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| + | ====== IMAGENS DO COMEÇO (SCHUBACK) ====== | ||
| + | //SCHUBACK, Marcia Sá Cavalcante. O Começo de Deus. A filosofia do devir no pensamento tardio de F.W.J. Schelling. Petrópolis: | ||
| + | Resumos: | ||
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| + | * Condição humana caracteriza-se por devir irreversível, | ||
| + | * Exemplaridade humana em Schelling não deriva de princípio antropomórfico que projeta determinações humanas sobre universo, mas de ser humano como narração viva da experiência de ser como devir de si mesmo. Liberdade humana, entendida como capacidade de colocar para si próprio o fim dado como constituição, | ||
| + | * Passado constitui modo imediato de concretização do fundamento e dimensão cronológica onde devir se apresenta. Passado não é mero estado abandonado, mas passo para além de si que, ao perder irreversivelmente algo, preserva ter-passado e inaugura outro de si, fundando presente. Relação entre passado e presente enuncia-se como passagem de não-ser para ser, cujo passo aprofunda no ser seu próprio não. Este aprofundamento corresponde a ação singular de conquista, identificada com ποίησις (poiesis) platônica, reinterpretada como atividade poética que instaura começo. Passado apresenta-se, | ||
| + | * Começo não constitui ponto de partida fixo, mas salto de ser no ser, fundo sem fundo que só se fundamenta ao aprofundar seu não. Começo implica simultaneidade originária entre começo e começado, removendo precedência metafísica da origem. Diferença inerente a esta simultaneidade é diferença ontológica no próprio ser, definindo formalmente tempo. Temporalidade não é continente onde coisas estão, mas tempo interior das coisas, que é tempo do começo justamente por diferir dele. Autopotenciação do devir revela começo como sempre recomeçante, | ||
| + | * Natureza, em Schelling, não é âmbito de mera necessidade, | ||
| + | * Criação, tradicionalmente entendida como passagem de nada para algo mediada por criador, é reinterpretada por Schelling a partir de base ontológica do devir. Criação é identidade de ser em sua diferença, dinâmica de ser em não sendo, simultaneidade originária onde criador faz a si mesmo em tudo que faz. Deus, portanto, é ele mesmo devir, implicando diferença interna entre deus e sua divindade. Mundo é expansão e concreção da divindade, simultaneamente retração de deus. Antes do mundo não há deus como efetivador de projeto, mas deus em seu passado, em possibilidade de devir. Precedência de deus sobre mundo é abstração substancialista; | ||
| + | * Revelação (Offenbarung) constitui abertura essencial que implica simultaneidade de fechamento e passagem ao aberto, horizonte de conquista. Em deus, revelação é copertinência com velamento, mostrar-se retraindo-se. Devir de deus é mundo na totalidade, redimensionando existência como insistência para fora, fato revelatório que precede qualquer conteúdo quidditativo. Existência de deus diz que ele existe, não o que ele é, libertando-se de prova ontológica. Encontro humano com indeterminação radical é encontro exemplar com fato da existência como revelação, | ||
| + | * Vontade é ser originário (Ursein), estrutura de conquista inerente ao devir. Contudo, vontade contém em si condição de não-vontade, | ||
| + | * Crítica de Schelling ao entendimento metafísico de começo questiona estrutura analógica da substância como única via de determinação. Para superar aporia do começo (que exigiria usar o que se quer definir para defini-lo), é necessário admitir outro saber além da analogia substancial, | ||
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