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schelling:abismo-comeco-schuback

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 +====== ABISMO DO COMEÇO OU O FUNDAMENTO DA LIBERDADE (SCHUBACK) ======
 +//SCHUBACK, Marcia Sá Cavalcante. O Começo de Deus. A filosofia do devir no pensamento tardio de F.W.J. Schelling. Petrópolis: Editora Vozes, 2021.//
  
 +Resumos:
 +{{topic>Schuback}}
 +
 +----
 +  * Formulação do problema do começo como abismo e não como princípio positivo dado
 +    * O começo não é apresentado como fundamento plenamente determinável, mas como abismo no qual toda determinação se origina
 +    * O abismo do começo designa a impossibilidade de reduzir o fundamento a um ente ou a uma razão suficiente
 +    * O pensamento do começo exige assumir a negatividade como dimensão constitutiva do fundamento
 +
 +  * Distinção rigorosa entre fundamento da existência e começo de Deus
 +    * O fundamento não é aquilo a partir do qual algo é produzido como efeito
 +    * Ele é o outro de si mesmo, isto é, aquilo que se diferencia de si para poder existir
 +    * O começo de Deus não é exterior a Deus, mas o modo como Deus se relaciona consigo mesmo enquanto outro
 +
 +  * Deus como Deus vivo e não como substância imóvel
 +    * Deus é definido como vida que emerge de sua própria força
 +    * A vida divina implica diferenciação interna e não identidade indiferenciada
 +    * A imutabilidade substancial é substituída pela ideia de um devir originário
 +
 +  * A alteridade interna como condição da liberdade
 +    * A liberdade divina exige que Deus não coincida plenamente consigo mesmo
 +    * O outro em Deus não é negação externa, mas dimensão interna de diferenciação
 +    * A liberdade é pensada como poder de ser outro de si
 +
 +  * Crítica ao princípio clássico do fundamento como causa
 +    * O fundamento não funciona como causa eficiente no sentido tradicional
 +    * A causalidade pressupõe uma exterioridade que não se aplica ao fundamento
 +    * O fundamento é condição ontológica e não mecanismo explicativo
 +
 +  * O ser-em-não como estrutura ontológica originária
 +    * O ser não é pensado como presença plena
 +    * Ele emerge a partir de um não-ser que lhe é constitutivo
 +    * O não-ser não é privação negativa, mas potência originária
 +
 +  * Interioridade do fundamento e impossibilidade da exteriorização plena
 +    * O fundamento não pode ser colocado fora de Deus
 +    * Ele permanece interior mesmo quando dá origem ao existir
 +    * Toda exteriorização preserva uma retração essencial
 +
 +  * Aproximação com a analítica existencial do estar-em
 +    * O estar-em não designa localização espacial
 +    * Ele indica pertencimento ontológico
 +    * O fundamento é aquilo em que o ser habita sem jamais dominá-lo
 +
 +  * Diferença entre estar-em e ser-junto-a
 +    * O estar-em exprime uma interioridade originária
 +    * O ser-junto-a indica uma relação derivada
 +    * A confusão entre ambos obscurece o sentido do fundamento
 +
 +  * Abertura como estrutura do fundamento
 +    * O fundamento não fecha o ser em uma identidade fixa
 +    * Ele mantém o ser aberto ao devir
 +    * A abertura é condição de possibilidade da existência
 +
 +  * O ser-junto-a-si como forma originária da relação
 +    * Deus é junto a si mesmo enquanto outro
 +    * Essa junção não elimina a diferença
 +    * A unidade preserva a cisão como condição de vida
 +
 +  * A não possibilidade como dimensão real do fundamento
 +    * O fundamento não é pura possibilidade indeterminada
 +    * Ele inclui a impossibilidade como limite interno
 +    * A liberdade só é absoluta se inclui a possibilidade de não-ser
 +
 +  * Eterna liberdade e distinção em relação a Deus
 +    * A eterna liberdade não se identifica simplesmente com Deus
 +    * Ela designa a dimensão originária do poder-ser
 +    * Deus se relaciona com essa liberdade como com seu próprio fundo
 +
 +  * Liberdade como poder de configuração e não como arbitrariedade
 +    * A liberdade não é indiferença
 +    * Ela é capacidade de assumir forma
 +    * Toda forma emerge de uma decisão originária
 +
 +  * Crítica à compreensão negativa da não-determinação
 +    * A não-determinação não equivale à inexistência
 +    * Ela expressa a reserva ontológica do fundamento
 +    * O fundamento permanece inapreensível sem ser irracional
 +
 +  * O começo como começo interior
 +    * O começo não se situa fora do ser
 +    * Ele acontece no interior do próprio existir
 +    * Cada começar retoma o começo originário
 +
 +  * Repetição do começo em todo devir
 +    * O começo não ocorre uma única vez
 +    * Ele se repete em cada acontecimento do ser
 +    * O devir é a atualização incessante do começo
 +
 +  * Diferença entre começo do mundo e começo do fundamento
 +    * O mundo começa enquanto algo determinado
 +    * O fundamento não começa no mesmo sentido
 +    * O fundamento é aquilo que sempre já começou
 +
 +  * Força como conceito ontológico do fundamento
 +    * O fundamento é compreendido como força de ser
 +    * Força não significa violência, mas potência de diferenciação
 +    * A força sustenta o devir sem anulá-lo
 +
 +  * Crítica à redução do fundamento à substância
 +    * A substância fixa o ser em identidade
 +    * O fundamento pensado como força mantém o ser em movimento
 +    * A ontologia desloca-se da substância para o acontecimento
 +
 +  * Relação entre fundamento e mundo
 +    * O mundo não esgota o fundamento
 +    * Ele é expressão parcial de sua potência
 +    * O fundamento permanece excedente em relação ao mundo
 +
 +  * Liberdade do fundamento como condição da liberdade humana
 +    * A liberdade humana não é autônoma em sentido absoluto
 +    * Ela participa da liberdade originária do fundamento
 +    * A possibilidade do mal e do bem radica nessa participação
 +
 +  * Conclusão ontológica do abismo do começo
 +    * O fundamento não oferece segurança última
 +    * Ele expõe o ser ao risco do devir
 +    * Pensar o fundamento é pensar a liberdade como abismo originário
 +
 +{{tag>Schelling deus Schuback}}

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