sansonetti:presenca-do-hermetismo-nos-romances-do-graal
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revision | |||
| sansonetti:presenca-do-hermetismo-nos-romances-do-graal [30/01/2026 15:40] – removed - external edit (Unknown date) 127.0.0.1 | sansonetti:presenca-do-hermetismo-nos-romances-do-graal [30/01/2026 15:40] (current) – ↷ Page moved and renamed from sansonetti:presenca-do-hermetismo-nos-romances-do-graal:start to sansonetti:presenca-do-hermetismo-nos-romances-do-graal mccastro | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Presença do hermetismo nos romances do Graal ====== | ||
| + | // | ||
| + | |||
| + | Já abordamos o tema da presença do hermetismo nos romances do Graal, especialmente em Perceval, de Chrétien de Troyes, durante a redação de nosso Doutorado em Letras, intitulado //O Corpo de Luz na Literatura Arturiana// ((Sob a direção de G. Durand, S. Vierne e J. Ribard, defendido em 7 de março de 1980 na Universidade de Grenoble III)). Na época, ainda não conhecíamos o impressionante trabalho de P. Duval, //O Pensamento Alquímico e o Conto do Graal// ((Paris, 1979)). | ||
| + | |||
| + | Na nossa visão, o autor tem o grande mérito de direcionar sua pesquisa não apenas para o hermetismo—nesse aspecto, só se pode louvar a excelência de sua demonstração—mas também para o xamanismo. Seguindo a linha de nosso doutorado, pareceu-nos indispensável aproximar certos temas arturianos das tradições do norte da Europa (//celtas// e // | ||
| + | |||
| + | As duas civilizações eram tão semelhantes! E foi G. Dumézil quem demonstrou brilhantemente a proximidade dos temas mitológicos entre esses dois ramos indo-europeus. Assim, no presente relato, não será surpresa ver surgir, no início e, sobretudo, no final—em um momento solene—, a imagem de um imenso pilar, no qual foram cravados pregos de ouro. Trata-se, certamente, do //Eixo do Mundo//, mas como não pensar no // | ||
| + | |||
| + | Dito isso, Jacques Ribard, já em 1972, nos ofereceu um estudo valioso e exemplar, //O Cavaleiro da Carreta//, cujo subtítulo, //Ensaio de Interpretação Simbólica//, | ||
| + | |||
| + | Também devemos mencionar a obra abrangente de Paule Le Rider, *O Cavaleiro no Conto do Graal// ((Paris, 1978)), assim como outro trabalho frequentemente citado em nossa pesquisa atual: o de P. Gallais, //Perceval e a Iniciação// | ||
| + | |||
| + | Desde já, afirmamos que não é nosso propósito declarar categoricamente ou demonstrar, com provas, que o (pseudo) //Wauchier de Denain// introduziu deliberadamente em seu relato toda uma simbologia anterior ao cristianismo, | ||
| + | |||
| + | Convém esclarecer que esse relato (assim como outros romances arturianos) impõe-se como um reflexo do clima simbólico da época: a arte românica, seguida da arte gótica, a ciência heráldica, os escritos de //Herrade de Landsberg//, | ||
| + | |||
| + | Para um pensamento dessa época, assim como para qualquer civilização tradicional, | ||
| + | |||
| + | Nada disso é contraditório ou caótico—muito pelo contrário!—pois esses dois //fluxos// são constantemente reconciliados pela //mensagem do hermetismo//, | ||
| + | |||
| + | Esses signos podem ser definidos como Forças que tomam Forma... //Força//, //Forma//: escreveremos essas palavras com maiúscula para destacá-las da banalização imposta pela linguagem contemporânea. Outros termos também merecem essa distinção, | ||
| + | |||
| + | Assim, como imagem introdutória para nosso estudo, escolhemos este trecho do // | ||
| + | |||
| + | //"No chão da sala, havia fixado um grande grampo de ferro, que a mão de um guerreiro mal poderia deslocar."// | ||
| + | |||
| + | "Pegue essa espada", | ||
| + | |||
| + | Peredur se levantou e golpeou o anel, que se partiu em dois pedaços—assim como a espada. | ||
| + | |||
| + | //" | ||
| + | |||
| + | Peredur as colocou juntas, e elas se fundiram como antes. Mais uma vez, o herói quebrou e recompôs o anel e a espada. Ele tentou uma terceira vez, mas então //"os pedaços do anel e da espada já não puderam ser reunidos."// | ||
| + | |||
| + | "Muito bem, jovem", | ||
| + | |||
| + | A capacidade do herói de ressoldar misteriosamente o anel e a espada prova que essa Força não deriva de um mero potencial muscular: uma Força sobrenatural está em ação—destruindo e recriando duas vezes, afetando a estrutura molecular do metal. Essa Força teria sido completa se tivesse atuado por três vezes. | ||
| + | |||
| + | Como símbolo, o anel está presente em diversas tradições—particularmente no hermetismo—sempre com o significado de uma Força fechada sobre si mesma, que deve ser rompida ou reconstituída, | ||
| + | |||
| + | Quanto à espada quebrada e ressoldada, ela representa, de fato, uma mesma Força de duplo efeito, aplicada não ao princípio de uma totalidade, mas ao de uma axialidade. | ||
| + | |||
| + | O anel, a espada e o número três—um autêntico ritual—reaparecerão no relato de // | ||
| + | |||
| + | Outro exemplo poderia ser o //Lia Fail//, ou Pedra da Soberania, que na tradição irlandesa solta um grito quando o rei legítimo coloca seu pé sobre ela. Aqui, mais uma vez, trata-se de uma Força sobrenatural, | ||
| + | |||
| + | Essas diferentes noções, complementares entre si e indispensáveis para a leitura simbólica da //Segunda Continuação//, | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
