| Diria de bom grado, parodiando Aristóteles, que a alegria de viver constitui uma substância totalmente independente de seus "acidentes". Sem dúvida, essa alegria está constantemente exposta a interrupções: pela tortura, física ou moral, pela morte. Mas essas são interrupções, não acidentes da alegria. Uma vez que a alegria da vida reina, não há nenhum fato ou circunstância que possa perturbá-la ou frustrá-la. Em uma palavra, ela é alheia aos acontecimentos, ao reino do eventual. As melhores circunstâncias, assim como as piores, têm pouco controle sobre ela. Pascal é um dos que melhor resumiu essa indiferença da alegria em relação a qualquer evento em poucas palavras: "Tenho meus nevoeiros e meu bom tempo dentro de mim; o bom e o ruim de meus assuntos, inclusive, fazem pouca diferença" [Pensées, fgt. 107]. | Diria de bom grado, parodiando Aristóteles, que a alegria de viver constitui uma substância totalmente independente de seus "acidentes". Sem dúvida, essa alegria está constantemente exposta a interrupções: pela tortura, física ou moral, pela morte. Mas essas são interrupções, não acidentes da alegria. Uma vez que a alegria da vida reina, não há nenhum fato ou circunstância que possa perturbá-la ou frustrá-la. Em uma palavra, ela é alheia aos acontecimentos, ao reino do eventual. As melhores circunstâncias, assim como as piores, têm pouco controle sobre ela. Pascal é um dos que melhor resumiu essa indiferença da alegria em relação a qualquer evento em poucas palavras: "Tenho meus nevoeiros e meu bom tempo dentro de mim; o bom e o ruim de meus assuntos, inclusive, fazem pouca diferença" [Pensées, fgt. 107]. |