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 ROSENZWEIG, Franz. The Star of Redemption. Tr. Barbara E. Galli. Madison: The University of Wisconsin Press, 2005 ROSENZWEIG, Franz. The Star of Redemption. Tr. Barbara E. Galli. Madison: The University of Wisconsin Press, 2005
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 +Franz Rosenzweig, proveniente de uma família judaica profundamente assimilada à cultura e à sociedade da Alemanha pós-bismarckiana, redescobre, prestes a converter-se ao cristianismo, o sentido e as fontes do judaísmo e permanece apaixonadamente fiel a eles, sem nunca esquecer sua abordagem do cristianismo. Na frente balcânica, onde se encontrava no final da guerra de 1914, escreveu, em cartões postais endereçados à sua mãe, a maior parte da obra A Estrela da Redenção. Após o armistício, ele renuncia à carreira universitária para a qual tudo o preparava, funda em Frankfurt uma casa de estudos judaicos e morre aos 43 anos, em 1929, de uma paralisia progressiva durante a qual, lutando contra dificuldades físicas crescentes, colabora, imobilizado em sua cama, com Martin Buber na tradução para o alemão do Antigo Testamento.
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 +Seu livro, escrito em seis meses, é extraordinário: criado como em um êxtase febril de gênio, é, no entanto, admiravelmente construído e equilibrado, reflete uma cultura universal impressionante e traz novas visões filosóficas. Dessas visões decorre, nomeadamente, a surpreendente ideia de que o Absolutamente Verdadeiro se divide, pela sua própria essência, em cristianismo e judaísmo, duas aventuras do espírito que seriam ambas — e com o mesmo título — necessárias à verdade do Verdadeiro. Posição filosófica e teológica sem precedentes na história do pensamento, pressentimento das tendências ecumênicas de hoje, fundamentalmente pura de qualquer sincretismo. Filosofia que, no entanto, não pretende limitar-se a responder a problemas confessionais, nem manifestar sua originalidade formulando teses inéditas. Sua profunda novidade reside na contestação do caráter primordial de uma certa racionalidade: aquela que ilumina a filosofia tradicional “das ilhas jônicas a Iéna” — dos pré-socráticos a Hegel — que consistia em totalizar a experiência natural e social, extrair e encadear entre si as categorias até construir um sistema que incluísse a própria ordem religiosa. A nova filosofia se esforça, ao contrário, para pensar a religião — a Criação, a Revelação e a Redenção que orientam sua espiritualidade — como horizonte original de todo sentido, até mesmo da experiência do mundo e da história. Mas uma filosofia que provavelmente merece esse nome na medida em que seria conduzida a essa intriga religiosa como abrindo um horizonte original do sentido, a partir de uma reflexão rigorosa sobre a crise da inteligibilidade do mundo, ou seja, sobre a crise da totalidade e do sistema hegeliano.
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 +É por essa crítica da racionalidade tradicional que começa o primeiro livro da Estrela da Redenção, que S. Mosès analisa com força e clareza. Homem, mundo, Deus — objetos da psicologia, da cosmologia e da teologia racionais da tradição metafísica e que, para a especulação hegeliana, se pensavam juntos na Ideia — são mostrados por Rosenzweig em sua irredutibilidade originária, refratários ao pensamento sintético que pretende reuni-los. Muito antes de Heidegger, Rosenzweig retoma os temas kierkegaardianos da angústia. Na angústia da morte — que nenhum sistema poderia dissipar ao confrontá-la ou abraçá-la — a totalidade hegeliana se divide em três elementos absolutamente separados: o homem mortal não encontra paz — e, portanto, não encontra seu lugar — no todo que o abraça; ele continua sem se compreender e, a partir daí, Deus e o mundo também voltam ao seu isolamento. Eles se colocam e se impõem em sua separação, frustrando assim o pensamento que, na especulação idealista, passava por onicompreensivo. Separação que seria a “verdade” do paganismo: de um deus mítico metafísico, de um mundo plástico metalogico, de um homem trágico metaético. [MOSÈS, Stéphane. Système et Révélation: la philosophie de Franz Rosenzweig. Paris: Éditions du Seuil, 1982]
  
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