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realismo-especulativo:debaise:potencialidade-atualidade

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 +====== POTENCIALIDADE E ATUALIDADE ======
  
 +Debaise2017
 +
 +  * Introdução dos "Objetos Eternos": Uma Distinção Fundamental
 +    * No "Esquema Categorial", Whitehead distingue dois tipos fundamentais de entidades: //entidades atuais// e //objetos eternos//.
 +    * Objetos eternos possuem uma "finalidade extrema", estando no mesmo plano fundamental que as entidades atuais.
 +    * Risco de leitura: ver nisto um dualismo radical (esferas separadas da realidade), o que violaria os princípios do monismo ontológico e do princípio ontológico até então seguidos.
 +    * Função dos objetos eternos: responder à questão do //como// (the "how") da individuação.
 +  * A Necessidade dos Objetos Eternos: A Fonte da Novidade
 +    * Sem objetos eternos, só haveria preensões //físicas// (unificação de outras entidades atuais).
 +    * Neste cenário, a nova entidade seria apenas uma repetição da diversidade disjuntiva anterior. A novidade seria redutível a causas preexistentes (mecanicismo).
 +    * O problema: embora uma entidade seja uma "herança" ou "repetição", ela é uma repetição de um //modo particular//, de uma //maneira// (manner, mode, how) irreduzível ao que ela repete.
 +    * Este "modo" é a origem e fonte da novidade. Os objetos eternos determinam este "como": //como// as entidades atuais incluem outras? //Como// elas se realizam? //Como// herdam e deixam herança?
 +    * Objetos eternos são, portanto, //determinantes// da preensão e da individuação. Termo mais adequado: "determinantes eternos".
 +  * O Que São Objetos Eternos? Uma Tipologia do "Como"
 +    * Não são "objetos" no sentido comum. Referem-se a formas abstratas, apartadas de nossos modos de percepção.
 +    * Incluem:
 +        * //Sensa// qualitativos: "verde", "azul", nuances de cor, vermelhidão "sentida com fruição emocional".
 +        * Qualidades de forma e intensidade.
 +        * Estados ou convicções: "ser amado", "alegria".
 +        * Objetos de tipo objetivo: formas matemáticas.
 +        * Termos relacionais: "cada", "exatamente aquilo".
 +        * Padrões (patterns) e relações.
 +    * São potencialidades //puras//, em contraste com a potencialidade //real// da diversidade disjuntiva.
 +  * A Eternidade como Consequência Técnica, não Postulado
 +    * Por que "eternos"? Resposta técnica, derivada das restrições do sistema:
 +        * O conceito de entidade atual identifica-se com a //existência//.
 +        * Existência é essencialmente um //devir// (becoming).
 +        * Todo devir é gênese de uma entidade atual.
 +        * Se objetos eternos fossem sujeitos a um devir, eles viriam de entidades atuais (devires concretos), o que os reduziria a "dados".
 +    * Eternidade refere-se a um regime de ser onde não há nascimento, origem, transformação ou fim – qualidades exclusivas das entidades atuais.
 +    * Objetos eternos são "potencialidades puras", possibilidades puras que não se referem diretamente a nada que exista.
 +  * Transformando o Platonismo: Ingressão vs. Participação
 +    * Whitehead afirma uma linhagem platônica para seu pensamento, mas se refere às "riquezas de ideias gerais" dispersas nos escritos de Platão, não ao esquema sistemático extraído pelos estudiosos.
 +    * Interesse específico no //Timeu//: dualismo sem hierarquia entre duas ordens irredutíveis:
 +        * 1. Ordem das "ideias" ou "formas" (que mantêm sua forma imutavelmente, não são geradas, não percebidas pelos sentidos) → equivalente aos //objetos eternos//.
 +        * 2. Ordem do sensível (que compartilha o nome e se assemelha ao inteligível, é percebido, gerado, perece) → equivalente às //entidades atuais//.
 +    * Crítica à teoria platônica da //participação//, que reduz o sensível ao inteligível por semelhança e valoriza excessivamente o modelo matemático/dedutivo, "absorvendo a atualidade na possibilidade".
 +    * Operação alternativa de Whitehead: //ingressão// (ingression).
 +        * Processo pelo qual a potencialidade de um objeto eterno é realizada numa entidade atual particular, contribuindo para a definitude (definiteness) dessa entidade.
 +        * A relação é invertida: as potencialidades encontram sua existência //nas// entidades atuais, através da ingressão, e não o contrário.
 +        * Isto fundamenta um empirismo radical: objetos eternos nada nos dizem sobre sua ingressão na experiência. Para vê-la, é preciso aventurar-se no domínio da experiência.
 +    * Dualismo mantido (ação vs. potencialidade pura), mas pensado internamente a um monismo onde toda potencialidade está conectada a uma atualidade.
 +  * O Modo de Realidade dos Objetos Eternos: Três Proposições Gerais
 +    * 1. Objetos eternos são //abstratos por natureza//.
 +        * Existem apenas através de suas ingressões, sem jamais serem totalmente adequados ou identificáveis a elas.
 +        * Mantêm uma "neutralidade ontológica", um "sobrevoo" (être-en-survol) da potencialidade, permitindo serem encarnados em várias entidades sem alterar sua natureza.
 +    * 2. //Não há novos objetos eternos//.
 +        * Consequência lógica da eternidade. O que é eterno não tem começo nem fim.
 +        * Inspiração leibniziana: há ideias e princípios que encontramos em nós mesmos sem tê-los formado, sendo os sentidos a ocasião para tomarmos consciência deles.
 +        * Como determinantes da individuação, não podem ser produzidos //por// a individuação.
 +    * 3. Objetos eternos têm //dimensões relacionais//.
 +        * Cada objeto eterno é um indivíduo, mas não pode ser divorciado de suas relações com todos os outros.
 +        * Há um universo relacional de objetos eternos, um tecido de conexões e sistemas que varia continuamente conforme suas ingressões nas entidades atuais.
 +        * Em sua essência, há uma determinidade quanto às relações com outros objetos eternos, e uma indeterminação quanto às relações com ocasiões atuais (entidades).
 +        * Analogia com o matemático Albert Lautman: dialética de ideias como dinamismo de "potencialidades puras", relações ideais que se realizam na matemática (e, para Whitehead, na existência concreta).

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