realismo-especulativo:debaise:cosmologia-modernos
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| + | ====== BIFURCAÇÃO DA NATUREZA EM WHITEHEAD ====== | ||
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| + | * Contexto e Gênese do Conceito de Bifurcação | ||
| + | * Expressão cunhada por Whitehead em //Le Concept de nature// (1920), seu primeiro livro filosófico propriamente dito. | ||
| + | * Surge de um diagnóstico de crise fundamental nas ciências naturais, exigindo uma reorientação completa. | ||
| + | * Contexto: ruptura nos fundamentos da física clássica e afirmação da fisiologia como via de conhecimento. | ||
| + | * Conceitos como tempo, espaço, matéria, éter, eletricidade, | ||
| + | * A bifurcação, | ||
| + | * Não é uma constante transcendental, | ||
| + | * Seu espaço de aplicação é aparentemente ilimitado, tocando todos os registros da experiência (epistemológico, | ||
| + | * Tarefa da filosofia: estudo crítico das cosmologias, | ||
| + | * Definição e Mal-entendidos sobre a Bifurcação | ||
| + | * Protesto de Whitehead contra a divisão da natureza em dois sistemas de realidade: | ||
| + | * Realidade das entidades estudadas pela física (elétrons), | ||
| + | * Outra realidade, resultado da intervenção da mente, que é o que efetivamente conhecemos. | ||
| + | * Leitura comum e equivocada: identificar bifurcação com dualismo (ex: cartesiano). | ||
| + | * Autores como Merleau-Ponty, | ||
| + | * Proposta de interpretação alternativa: | ||
| + | * Argumentos para esta distinção: | ||
| + | * Indiferença de Whitehead em ligar os dois conceitos em seus escritos. | ||
| + | * Relação de inversão: a filosofia cartesiana herdou, sem questionar, a cosmologia da bifurcação. | ||
| + | * Sentido literal: bifurcação designa um // | ||
| + | * A questão central da bifurcação não é a relação mente/ | ||
| + | * O Gesto da Bifurcação: | ||
| + | * O exemplo paradigmático: | ||
| + | * Qualidades primárias (originais): | ||
| + | * Exemplo do grão de trigo: mesmo dividido até partes insensíveis, | ||
| + | * A natureza reduzida a apenas qualidades primárias seria " | ||
| + | * Crítica ao " | ||
| + | * Qualidades secundárias: | ||
| + | * Teoria das " | ||
| + | * Exemplo: a bola de bilhar vermelha é percebida com suas qualidades primárias, mas a cor vermelha e o som do impacto são adições psíquicas. | ||
| + | * Operação da bifurcação: | ||
| + | * Natureza causal conjectural (moléculas e radiação). | ||
| + | * Natureza aparente apreendida pela consciência (a grama verde). | ||
| + | * Conhecimento, | ||
| + | * A invenção moderna da natureza se dá por operações locais de qualificação dos corpos, não por uma posição ontológica prévia. | ||
| + | * Os dispositivos experimentais (ex: plano inclinado de Galileu) são artefatos que realizam e ocultam este gesto de bifurcação. | ||
| + | * A Localização Simples da Matéria: Complemento Formal da Bifurcação | ||
| + | * Segunda operação constitutiva da cosmologia moderna: a " | ||
| + | * Definição: | ||
| + | * Consequência radical: a matéria é definida como um //ponto localizável// | ||
| + | * A pergunta fundamental muda de "o que é a matéria?" | ||
| + | * Na física newtoniana, cada partícula de matéria é concebida como independente, | ||
| + | * Três postulados da localização simples: | ||
| + | * Postulado 1: A matéria ocupa apenas um espaço-tempo (aqui-agora). Whitehead rejeita: o tempo não é sucessão de instantes, mas duração com extensão temporal. | ||
| + | * Postulado 2: Os outros modos de existência da matéria (duração, persistência) são exclusivamente fenomênicos, | ||
| + | * Postulado 3: A matéria seria o que há de mais concreto. Paradoxo: os pontos materiais, existências últimas, dependem de uma formalização prévia do espaço-tempo. | ||
| + | * O materialismo científico assimila o formalismo do espaço-tempo à realidade física da matéria. | ||
| + | * A bifurcação e a localização simples se reforçam mutuamente, formando o núcleo da concepção moderna da natureza. | ||
| + | * A Reificação das Abstrações e o " | ||
| + | * Proximidade e diferença com a crítica bergsoniana da " | ||
| + | * Bergson: a espacialização é uma necessidade inerente ao intelecto, ligada à ação prática. A ciência, como o senso comum, isola momentos. | ||
| + | * Whitehead: concorda com a descrição, | ||
| + | * Crítica à " | ||
| + | * Função da filosofia para Whitehead: crítica das abstrações que governam modos de pensamento particulares. | ||
| + | * Abstrações são ferramentas para controlar nossa noção dos fatos concretos, com modos próprios de fabricação e ação. | ||
| + | * O erro não está na bifurcação ou na localização em si (são operações abstrativas legítimas e eficazes), mas na sua // | ||
| + | * " | ||
| + | * Exemplo: transformar a entidade abstrata (ponto localizável), | ||
| + | * Toda a filosofia moderna (dualistas, monistas materialistas, | ||
| + | * Para Além da Bifurcação: | ||
| + | * Solução inicial de Whitehead (em //Le Concept de nature//): uma abordagem fenomenológica da natureza. | ||
| + | * Decisão metodológica: | ||
| + | * Método empírico radical: não excluir nada da experiência imediata, não acrescentar elementos externos. | ||
| + | * Tudo o que conhecemos da natureza está "no mesmo barco" | ||
| + | * O fato imediato para a consciência sensível é a " | ||
| + | * A natureza é essencialmente // | ||
| + | * Este " | ||
| + | * Tudo é evento: a noção de evento torna-se central. | ||
| + | * Evento como ocorrência singular e única (ex: acidente em Chelsea). | ||
| + | * Evento como persistência (ex: o Obelisco de Cleópatra). A persistência é uma " | ||
| + | * Evento como correlação objetiva (ex: linhas escuras no espectro solar). As teorias científicas são eventos de correlação. | ||
| + | * Os eventos são reconhecidos por meio de " | ||
| + | * Os objetos são reconhecidos em ocasiões específicas; | ||
| + | * Esta teoria dos eventos da natureza, baseada na percepção, | ||
| + | * Limites da Abordagem Fenomenológica e Virada Metafísica | ||
| + | * A solução fenomenológica de //Le Concept de nature// dependia de uma exclusão deliberada de questões metafísicas. | ||
| + | * A decisão de limitar a investigação à experiência perceptiva era heurística, | ||
| + | * No entanto, a própria análise apontava para além de si mesma, para a questão dos entes que compõem a natureza. | ||
| + | * Whitehead reconhece que essa limitação é frustrante e artificial para a filosofia. | ||
| + | * A necessidade de uma fundamentação mais profunda levará Whitehead, em obras posteriores como //Procès et réalité//, | ||
| + | * A superação completa da bifurcação exigirá não apenas uma fenomenologia da natureza, mas uma metafísica que dê conta da experiência em toda a sua amplitude, incluindo a subjetividade, | ||
