pascal:pascal-p60-294-justica
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| + | ====== JUSTIÇA (P:60/294) ====== | ||
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| + | <tabbox Mario Laranjeira> | ||
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| + | (Em verdade ele se livraria da vaidade das leis, portanto é útil enganá-lo.) | ||
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| + | Sobre que fundamentará ele a economia do mundo que quer governar? Será sobre o capricho de cada indivíduo? Que confusão! Será sobre a justiça? ele a ignora. Certamente se ele a conhecesse não teria estabelecido essa máxima, a mais geral de todas as que existem entre os homens, que cada um siga os costumes do seu país. O esplendor da verdadeira equidade teria subjugado todos os povos. E os legisladores não teriam tomado como modelo, em vez dessa justiça constante, as fantasias e os caprichos dos persas e dos alemães. Vê-la-íamos implantada em todos os estados do mundo e em todos os tempos, em lugar de não se ver nada de justo ou de injusto que não mude de qualidade ao mudar de clima, três graus de aproximação do pólo invertem toda a jurisprudência; | ||
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| + | Confessam que a justiça não está nesses costumes, mas que reside nas leis naturais comuns a todos os países. Por certo sustentariam pertinazmente isso, se a temeridade do acaso que semeou as leis humanas tivesse (22) encontrado pelo menos uma delas que fosse universal. Mas a irrisão é tamanha que o capricho dos homens se diversificou a ponto de não haver nenhuma. | ||
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| + | O furto, o incesto, o assassínio das crianças e dos pais, tudo teve seu lugar entre as ações virtuosas. Pode haver algo mais engraçado do que o fato de um homem ter o direito de me matar porque mora do outro lado da água e porque o seu príncipe tem alguma desavença com o meu, embora eu não tenha nenhuma desavença com ele próprio? | ||
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| + | Existem sem dúvida leis naturais, mas essa bela razão corrompida tudo corrompeu. Nihil amplius nostrum est, quod nostrum dicimus artis est [[Cícero, De finibus, V, 21: “Os inícios da virtude são obra da natureza e só; nossa parte (aquilo a que chamo nossa é o que é pura convenção) está em tirar as conseqüências dos principios que recebemos.”]]. Ex senatusconsultis et plebiscitis crimina exercentur [[Sêneca, Ep. 95: “É em razão dos senatusconsultos e dos plebiscitos que se cometem crimes." | ||
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| + | Dessa confusão advém que um diz que a essência da justiça é a autoridade do legislador; outro, a comodidade do soberano; outro, o costume presente, e é o mais seguro. Nada, segundo a razão apenas, é justo por si, tudo balança com o tempo. O costume (é) toda a eqüidade, pela simples e só razão de que é recebido. É esse o fundamento místico de sua autoridade. Quem a reduzir ao seu princípio a aniquilará. Nada é mais eivado de erros do que essas leis que consertam os erros. Quem obedece a elas porque elas são justas, obedece à justiça que imagina, mas não à essência da lei. Ela é toda concentrada em si mesma. É lei e nada mais. Quem quiser examinar-lhe o motivo, vai achá-lo tão fraco e tão leviano que, se não estiver acostumado a contemplar os prodígios da imaginação (23) humana, ficará admirado de que um século lhe tenha atribuído tanta pompa e reverência. A arte de intrigar, subverter os estados está em abalar os costumes estabelecidos, | ||
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| + | <tabbox Original> | ||
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| + | … Sur quoi la fondera-t-il, | ||
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| + | Ils confessent que la justice n'est pas dans ces coutumes, qu' | ||
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| + | Le larcin, l' | ||
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| + | Il y a sans doute des lois naturelles ; mais cette belle raison corrompue a tout corrompu : Nihil amplius nostrum est ; quod nostrum dicimus, artis est [[« Il n'y a plus rien qui soit nôtre ; ce que nous appelons nôtre relève de la convention », Cicéron, De Finibus , V, 21.]]. Ex senatus consultis et plebiscitis crimina exercentur [[« C'est en vertu des sénatus-consultes et des plébiscites que l'on commet des crimes », Sénèque, Lettres , 95 (cité par Montaigne, Essais , III, 1).]]. Ut olim vitiis, sic nunc legibus laboramus [[« Comme autrefois nous étions écrasés par les vices, maintenant nous le sommes par les lois », Tacite, Annales , III, 25 (cité par Montaigne, Essais , III, 13).]]. | ||
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| + | De cette confusion arrive que l'un dit que l' | ||
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