ortega:mt:mt-c9-ix-os-estadios-da-tecnica
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| ortega:mt:mt-c9-ix-os-estadios-da-tecnica [17/02/2026 18:34] – created - external edit 127.0.0.1 | ortega:mt:mt-c9-ix-os-estadios-da-tecnica [15/09/2026 20:19] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== IX OS ESTÁDIOS DA TÉCNICA (MT:C9) ====== | ||
| + | |||
| + | |||
| + | |||
| + | ==== Meditação da Técnica ==== | ||
| + | |||
| + | === IX LOS ESTADIOS DE LA TÉCNICA === | ||
| + | |||
| + | //ORTEGA Y GASSET, José. [Meditação da Técnica.-> | ||
| + | |||
| + | <tabbox português> | ||
| + | O assunto é difícil e eu vacilei não pouco antes de decidir-me por um ou outro princípio seguindo ao qual pudéssemos distinguir esses estádios. Evidentemente é preciso rejeitar o que fora mais óbvio: segmentar a evolução fundando-se no aparecimento de tal ou qual invento que se considera muito importante e característico. Tudo o que venho dizendo neste ensaio conspira à correção do erro tópico que acredita que o importante na técnica é este ou aquele invento. Qual é o de maior calibre que se possa citar em comparação com a mole enorme da técnica toda numa época? O que esta seja em seu modo geral é o verdadeiramente importante, o que pode significar uma mudança ou avanço substantivos. Não existe nenhum invento que seja, em última instância, medido com as dimensões gigantes da evolução integral. Ademais já vimos como técnicas magníficas se perdem depois de obtidas ou desaparecem definitivamente — entende-se, até agora — ou tiveram que ser redescobertas. De resto, não basta que se invente alguma coisa em certa data e lugar para que o invento represente sua verdadeira significação técnica. A pólvora e a imprensa, dois dos descobrimentos que parecem mais importantes, | ||
| + | |||
| + | A meu entender, um princípio fundamental para periodizar a evolução da técnica é atender a própria relação entre o homem e sua técnica ou, em outras palavras, à ideia que o homem foi tendo de sua técnica, não desta ou doutra determinadas, | ||
| + | |||
| + | Partindo deste princípio podemos distinguir três enormes estádios na evolução da técnica: | ||
| + | |||
| + | 1.° A técnica do acaso. 2.° A técnica do artesão. 3.° A técnica do técnico. | ||
| + | |||
| + | A técnica que chamo do acaso, porque o acaso é nela o técnico, o que proporciona o invento, é a técnica primitiva do homem pré e proto-histórico e do atual selvagem — entende-se, dos grupos menos avançados — como os Vedas do Ceilão, os Semang de Borneo, os pigmeus de Nova Guiné e do centro africano, os australianos, | ||
| + | |||
| + | Como se apresenta a técnica à mente deste homem primitivo? A resposta pode ser aqui sobremaneira taxativa: o homem primitivo ignora sua própria técnica como tal técnica; não se apercebe que entre suas capacidades existe uma especialíssima que lhe permite reformar a natureza no sentido de seus desejos. | ||
| + | |||
| + | Com efeito: | ||
| + | |||
| + | 1.° O repertório de atos técnicos que usa e desfruta o primitivo é sumamente escasso e não chega a formar um corpo suficientemente volumoso para que possa destacar e diferenciar-se do repertório de atos naturais que é em sua vida incomparavelmente maior que aquele. Isto equivale a dizer que o primitivo é minimamente homem e quase todo ele puro animal. Os atos técnicos, pois, se dispersam e submergem no conjunto de seus atos naturais e se apresentam à sua mente como pertencendo à sua vida não técnica. O primitivo acha que pode fazer fogo da mesma forma que acha que pode andar, nadar, esmurrar, etc. E como os atos naturais são um repertório fixo e dado de uma vez para sempre, assim também seus atos técnicos. Desconhece por completo o caráter essencial da técnica, que consiste em ser ela uma capacidade de mudança e progresso, em princípio, ilimitados. | ||
| + | |||
| + | 2.° A singeleza e escassez dessa técnica primígena trazem consigo que sejam exercidos seus atos por todos os membros da coletividade. Todos fazem fogo, elaboram arcos e flechas, etc. Isto é, que a técnica não parece destacada nem sequer pelo fato que constituirá a segunda etapa na evolução, ou seja, que somente certos homens — os artesãos — sabem fazer determinadas coisas . A única diferenciação que se produz bem cedo estriba em que as mulheres se ocupam em certas fainas técnicas e os varões em outras. Mas isto não basta para isolar o fato técnico como alguma coisa peculiar aos olhos do primitivo, porque também o repertório de atos naturais é um pouco diferente na mulher e no varão. Que a mulher cultive o campo — foi a mulher a inventora da técnica agrícola — lhe parece tão natural como que de quando em quando se ocupe em parir. | ||
| + | |||
| + | 3.° Mas também não adquire consciência da técnica em seu momento mais e delator — na invenção. O primitivo não sabe que pode inventar, e porque não o sabe, seu inventar não é um prévio e deliberado buscar soluções . Como antes sugeri, é antes a solução que o busca, e não o contrário. No manejo constante e indeliberado das coisas circundantes se produz de imediato, por puro acaso, uma situação que dá um resultado novo e útil. Por exemplo, atritando por diversão ou prurido um pau com outro nasce o fogo. Então o primitivo tem uma súbita visão de um novo nexo entre as coisas. O pau, que era alguma coisa para brigar, para apoiar-se, aparece como alguma coisa nova, como o que produz fogo. O primitivo, assim temos que imaginá-lo, | ||
| + | |||
| + | Este homem, pois, não se sabe a si mesmo como inventor de seus inventos. A invenção lhe aparece como uma dimensão mais da natureza — o poder que esta tem de proporcionar-lhe, | ||
| + | |||
| + | Mas voltemos à técnica primitiva. Dá-se, pois, no homem ainda como natureza. A expressão mais própria dela seria dizer que verossimilmente as invenções do homem auroral, produto do puro acaso, obedecem ao cálculo de probabilidades; | ||
| + | |||
| + | <tabbox original> | ||
| + | El asunto es difícil y yo he vacilado no poco antes de decidirme por uno u otro principio siguiendo al cual pudiésemos distinguir esos estadios. Desde luego, hay que rechazar el que fuera más obvio: segmentar la evolución fundándose en la aparición de tal o cual invento que se considera muy importante y característico. Todo lo que vengo diciendo en este ensayo conspira a la corrección del error tópico que cree que lo importante en la técnica es éste o el otro invento. ¿Qué es el de mayor calibre que se pueda citar en comparación con la mole enorme de la técnica toda en una época? Lo que ésta sea en su modo general es lo verdaderamente importante, lo que puede significar un cambio o avance sustantivos. No hay ningún invento que sea, en última instancia, importante, medido con las dimensiones gigantes de la evolución integral. Además, ya hemos visto cómo técnicas magníficas se pierden después de logradas o desaparecen definitivamente —se entiende hasta la fecha— o hubo que redescubrirlas. Además, no basta que se invente o en cierta fecha y lugar para que el invento represente su verdadero significado técnico. La pólvora y la imprenta, dos de los descubrimientos que parecen más importantes, | ||
| + | |||
| + | A mi entender, un principio radical para periodizar la evolución de la técnica es atender la relación misma entre el hombre y su técnica o, dicho en otro giro, a la idea que el hombre ha ido teniendo de su técnica, no de ésta o la otra determinadas, | ||
| + | |||
| + | Partiendo de este principio podemos distinguir tres enormes estadios en la evolución de la técnica: | ||
| + | |||
| + | 1.º La técnica del azar. | ||
| + | |||
| + | 2.º La técnica del artesano. | ||
| + | |||
| + | 3.º La técnica del técnico. | ||
| + | |||
| + | La técnica que llamo del azar, porque el azar es en ella el técnico, el que proporciona el invento, es la técnica primitiva del hombre pre y protohistórico y del actual salvaje —se entiende, de los grupos menos avanzados—, | ||
| + | |||
| + | ¿Cómo se presenta la técnica a la mente de este hombre primitivo? La respuesta puede ser aquí sobremanera taxativa: el hombre primitivo ignora su propia técnica como tal técnica; no se da cuenta de que entre sus capacidades hay una especialísima que le permite reformar la naturaleza en el sentido de sus deseos. | ||
| + | |||
| + | En efecto: | ||
| + | |||
| + | 1.º El repertorio de actos técnicos que usufructúa el primitivo es sumamente escaso y no llega a formar un cuerpo suficientemente voluminoso para que pueda destacar y diferenciarse del repertorio de actos naturales que es en su vida incomparablemente mayor que aquél. Esto equivale a decir que el primitivo es mínimamente hombre y casi todo él puro animal. Los actos técnicos, pues, se desperdigan y sumergen en el conjunto de sus actos naturales y se presentan a su mente como perteneciendo a su vida no técnica. El primitivo se encuentra con que puede hacer fuego lo mismo que se encuentra con que puede andar, nadar, golpear, etcétera. Y como los actos naturales son un repertorio fijo y dado de una vez para siempre, así también sus actos técnicos. Desconoce por completo el carácter esencial de la técnica que consiste en ser ella una capacidad de cambio y progreso, en principio, ilimitados. | ||
| + | |||
| + | 2.º La sencillez y escasez de esa técnica primigenia traen consigo que sean ejercitados sus actos por todos los miembros de la colectividad. Todos hacen fuego, elaboran arcos y flechas, etcétera. Es decir, que la técnica no parece destacada ni siquiera por el hecho que va a constituir la segunda etapa en la evolución, a saber, que sólo ciertos hombres —los artesanos— saben hacer determinadas cosas. La única diferenciación que se produce muy pronto estriba en que las mujeres se ocupan en ciertas faenas técnicas y los varones en otras. Pero ésta no basta para aislar el hecho técnico como algo peculiar a los ojos del primitivo, porque también el repertorio de actos naturales es un poco diferente en la mujer y en el varón. Que la mujer cultive campo —fue la mujer la inventora de la técnica agrícola— le parece tan natural como que de cuando en cuando se ocupe en parir. | ||
| + | |||
| + | 3.º Pero tampoco cobra conciencia de la técnica en su momento más característico y delator —en la invención. El primitivo no sabe que puede inventar, y porque no lo sabe, su inventar no es un previo y deliberado buscar soluciones. Como antes sugerí, es más bien la solución quien le busca a él. En el manejo constante e indeliberado de las cosas circundantes se produce de pronto, por puro azar, una situación que da un resultado nuevo y útil. Por ejemplo, rozando por diversión o prurito un palo con otro brota el fuego. Entonces el primitivo tiene una súbita visión de un nuevo nexo entre las cosas. El palo, que era algo para pegar, para apoyarse, aparece como algo nuevo, como lo que produce fuego. El primitivo, así tenemos que imaginarlo, queda anonadado, porque siente como si la naturaleza de improviso hubiese hecho penetrar en él uno de sus misterios. Ya el fuego era para él un poder divinoide del mundo y le suscitaba emociones religiosas. El nuevo hecho, el palo que hace fuego, se carga por una y otra razón de sentido mágico. Todas las técnicas primitivas tienen originariamente un halo mágico y sólo son técnicas para aquel hombre por lo que tienen de magia. Ya veremos luego cómo la magia es, en efecto, una técnica, aunque fallida e ilusoria. | ||
| + | |||
| + | Este hombre, pues, no se sabe a sí mismo como inventor de sus inventos. La invención le aparece como una dimensión más de la naturaleza —el poder que ésta tiene de proporcionarle ella a él, y no al revés, ciertos poderes. La producción de utensilios no le parece provenir de él, como no provienen de él sus manos y sus piernas. No se siente homo faber. Se encuentra, pues, en una situación muy parecida a la que Köhler describe cuando el chimpancé cae súbitamente en la cuenta de que un palo que tiene en la mano puede servir para un cierto fin antes insospechado. Köhler la llama «impresión del ¡ajá!», ya que ésta es la expresión del hombre cuando de pronto se le hace patente una nueva relación posible entre las cosas. Se trataría, pues, de la ley biológica llamada trial and error, ensayo y error, aplicada al orden consciente. El infusorio «ensaya» innumerables posturas y encuentra que una de ellas le produce efectos favorables. Entonces la fija como hábito. | ||
| + | |||
| + | Pero volviendo a la técnica primitiva. Se da, pues, en el hombre todavía como naturaleza. La expresión más propia de ella sería decir que verosímilmente las invenciones del hombre auroral, producto del puro azar, obedecen al cálculo de probabilidades; | ||
| + | |||
| + | </ | ||
