jankelevitch:filosofia-schelling:revolucoes-tempo
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| + | ====== AS REVOLUÇÕES DO TEMPO ====== | ||
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| + | * Caráter essencialmente conflitivo da história da consciência | ||
| + | * A história da consciência é compreendida como um processo intrinsecamente não pacífico, no qual a vida só se afirma por meio de lutas, crises e angústias | ||
| + | * Não existe progresso sem enfrentamento, | ||
| + | * A consciência não se desenvolve por acumulação tranquila, mas por meio de confrontos que a obrigam a romper com formas anteriormente estabilizadas | ||
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| + | * Analogia entre a história da consciência e a história da filosofia | ||
| + | * A própria história da filosofia manifesta uma guerra civil dos sistemas, marcada por instabilidade permanente | ||
| + | * Cada sistema filosófico afirma-se negando seus predecessores e preparando, por sua vez, sua própria superação | ||
| + | * O pensamento avança por renúncias sucessivas, nas quais a fidelidade ao passado cede lugar à coragem de abandoná-lo | ||
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| + | * Temporalidade como apostasia contínua | ||
| + | * O tempo aparece como movimento incessante de deserção em relação ao que foi | ||
| + | * Avançar no tempo significa negar aquilo que ficou para trás, ainda que esse passado tenha sido condição necessária do presente | ||
| + | * A temporalidade é definida como dinâmica de renúncia produtiva, e não como conservação integral | ||
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| + | * Centralidade da contradição na experiência do devir | ||
| + | * A experiência fundamental que sustenta essa concepção do tempo é a vivência aguda da contradição | ||
| + | * A contradição não paralisa o movimento, mas o estimula | ||
| + | * Ela constitui o solo a partir do qual a consciência se tensiona e se projeta para além de si | ||
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| + | * Influência decisiva de Jakob Böhme na concepção da vontade | ||
| + | * A leitura de Böhme introduz a compreensão da vontade como essencialmente excitada pela recusa e pela cólera | ||
| + | * A vontade não existe sem oposição, contrariedade e resistência | ||
| + | * A alegria não se encontra na posse estável, mas na vitória obtida pela superação da resistência | ||
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| + | * Rejeição da contradição como impasse racional | ||
| + | * A contradição não é concebida como o desespero da inteligência nem como um beco sem saída lógico | ||
| + | * Ela não representa uma antinomia insolúvel, mas um momento positivo de superação | ||
| + | * A contradição é interpretada como força dinâmica que impulsiona o surgimento de uma síntese superior | ||
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| + | * Estrutura relacional de toda afirmação | ||
| + | * Não existe afirmação absolutamente pura ou isolada | ||
| + | * Toda afirmação se define em oposição a uma negação implícita ou explícita | ||
| + | * O sim carrega sempre em si um não virtual, assim como toda negação conserva um sim pressuposto | ||
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| + | * Exemplaridade da nescience socrática | ||
| + | * A afirmação de não saber nada só adquire sentido quando pronunciada por alguém que poderia saber | ||
| + | * A renúncia ao saber constitui um sacrifício consciente, e não uma simples ignorância | ||
| + | * O valor dessa negação reside precisamente na força afirmativa que dela emerge | ||
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| + | * Caráter erístico e combativo do conhecimento | ||
| + | * Toda posição do espírito nasce de um confronto | ||
| + | * A verdade não se estabelece por evidência imediata, mas por oposição e resistência | ||
| + | * O conhecimento ganha vigor na luta contra erros e formas insuficientes de compreensão | ||
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| + | * Valor formativo do erro | ||
| + | * O erro não é um acidente exterior ao processo do saber | ||
| + | * Ele desempenha uma função salutar no amadurecimento da consciência | ||
| + | * A verdade só se torna viva após ter atravessado a experiência das falsas verdades | ||
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| + | * Superação do pessimismo voluntarista | ||
| + | * A contradição não conduz a uma visão trágica e insolúvel da existência | ||
| + | * Ela não é miséria definitiva da vida, mas condição de sua cura | ||
| + | * O conflito existe para ser superado e não para se eternizar como absurdo | ||
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| + | * Devir como polaridade ativa | ||
| + | * A contradição integra uma concepção geral de polaridade universal | ||
| + | * O devir é pensado como processo militante e não como harmonia prévia | ||
| + | * A vontade encontra prazer em contestar soberanias adquiridas e em exercer seu poder de veto | ||
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| + | * Morte e supressão como condições da vida | ||
| + | * Nenhuma existência se afirma sem que outra seja sacrificada | ||
| + | * Toda presença se ergue sobre uma ausência forçada | ||
| + | * Algo deve perecer para que outra coisa possa viver e adquirir relevo | ||
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| + | * Relação entre presença e não-ser | ||
| + | * O ser só se destaca em oposição ao não-ser | ||
| + | * A existência se afirma contra um fundo negativo que a torna visível | ||
| + | * O não-ser não é simples vazio, mas condição estrutural da manifestação | ||
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| + | * Devir como autodevoração da vida | ||
| + | * A vida consome continuamente suas próprias produções | ||
| + | * Ela se alimenta de sua própria substância | ||
| + | * Essa autodevoração não é decadência, | ||
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| + | * Função positiva do esquecimento | ||
| + | * O esquecimento é condição de saúde espiritual | ||
| + | * Ele impede que o passado se torne um peso paralisante | ||
| + | * Sem esquecimento não há espaço para a criação nem para a ação nova | ||
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| + | * Crítica à concepção conservadora do tempo | ||
| + | * O tempo não conserva integralmente tudo o que foi | ||
| + | * O passado que se recusa a morrer subsiste de modo artificial e dissonante | ||
| + | * O excesso de memória transforma-se em remorso e entrave à vida | ||
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| + | * Devir como processo impiedoso | ||
| + | * O devir não tolera estagnações | ||
| + | * Quem se detém perde vigor, juventude e entusiasmo | ||
| + | * A pressão do tempo obriga a consciência a seguir adiante ou a perecer | ||
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| + | * Exemplificação mítica do devir conflitivo | ||
| + | * A sucessão das divindades na consciência grega ilustra a lógica da superação violenta | ||
| + | * Nenhuma divindade abdica espontaneamente de seu domínio | ||
| + | * Cada nova forma de consciência emerge da derrota da anterior | ||
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| + | * Teogonia como processo de superações sucessivas | ||
| + | * A mitologia exprime simbolicamente o caráter revolucionário do devir | ||
| + | * O conflito entre princípios divinos traduz a luta entre formas de consciência | ||
| + | * O real do mito reside no movimento histórico e não na coexistência estática | ||
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| + | * Diferença entre politéismo sucessivo e simultâneo | ||
| + | * O politéismo autêntico projeta a pluralidade no tempo | ||
| + | * A simultaneidade das potências não produz verdadeiro devir | ||
| + | * O devir exige exclusão, substituição e conflito | ||
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| + | * Temporalidade orgânica e finita | ||
| + | * O tempo não é um meio homogêneo e vazio | ||
| + | * Ele se articula em épocas qualitativamente distintas | ||
| + | * Cada período possui uma duração, uma força interna e um esgotamento próprio | ||
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| + | * Rejeição do progresso indefinido | ||
| + | * O progresso não se estende de maneira contínua e ilimitada | ||
| + | * Ele comporta regressões provisórias e rupturas | ||
| + | * O surgimento do novo pode implicar simplificação e perda momentânea | ||
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| + | * Centralidade das crises e catástrofes | ||
| + | * As grandes transformações exigem interrupções bruscas | ||
| + | * Nenhuma transição decisiva ocorre sem salto | ||
| + | * A novidade exige o risco de uma ruptura radical | ||
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| + | * Origem psicológica da descontinuidade | ||
| + | * A descontinuidade do tempo possui raiz na experiência da vontade | ||
| + | * A vontade é o poder de começar | ||
| + | * O drama teogônico reflete o drama mais profundo da decisão humana | ||
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| + | * Preparação da transição para a doutrina do fundamento | ||
| + | * A multiplicidade de rupturas exige um princípio que explique a continuidade | ||
| + | * O passado deve ser suprimido sem ser aniquilado | ||
| + | * A teoria do fundamento emerge como tentativa de pensar conjuntamente revolução e permanência | ||
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