jankelevitch:filosofia-schelling:mal
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| + | ====== MAL ====== | ||
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| + | * Situação sistemática do problema do mal no interior da filosofia do devir | ||
| + | * O problema do mal surge como consequência necessária da análise prévia da duração, das revoluções do tempo e da teoria do fundamento | ||
| + | * A questão não é introduzida como tema moral isolado, mas como dificuldade estrutural que condiciona a inteligibilidade do devir | ||
| + | * Antes de interrogar o termo final da história e sua possível reconciliação no eterno, impõe-se esclarecer a função e o estatuto do mal no processo | ||
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| + | * Distinção preliminar entre Grund e mal | ||
| + | * A ambiguidade do Grund exige distinguir cuidadosamente entre fundamento e mal propriamente dito | ||
| + | * Nem tudo o que pertence ao fundamento pode ser imediatamente identificado com o mal | ||
| + | * A confusão entre ambos conduziria a um dualismo ontológico insolúvel | ||
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| + | * Dupla acepção do mal segundo sua relação com o fundamento | ||
| + | * Distingue-se um mal que permanece fundamento e um mal que se torna malveillante ao recusar essa função | ||
| + | * O primeiro não é hostil nem perverso, mas estrutural e necessário ao devir | ||
| + | * O segundo emerge quando o princípio que deveria sustentar o processo pretende ocupar o lugar do resultado | ||
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| + | * Deslocamento da problemática do mal da teosofia para a filosofia positiva | ||
| + | * A reflexão tardia abandona progressivamente o imaginário teosófico excessivamente dramático | ||
| + | * A figura do arcanjo rebelde é criticada como mitificação inadequada do problema | ||
| + | * O mal passa a ser pensado em termos mais científicos, | ||
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| + | * Recusa do dualismo maniqueu | ||
| + | * A afirmação de um princípio mau por natureza levaria à cisão radical do real | ||
| + | * Tal hipótese destruiria a unidade do processo e a inteligibilidade da história | ||
| + | * O mal não pode ser substância autônoma sem comprometer a filosofia do devir | ||
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| + | * Satanás como princípio e não como indivíduo contingente | ||
| + | * O diabo não é um personagem que surge arbitrariamente na história | ||
| + | * Ele designa um princípio estrutural necessário ao processo | ||
| + | * Sua função é ontológica e histórica, não psicológica nem acidental | ||
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| + | * Inserção do mal na economia divina | ||
| + | * O devir obedece a uma economia na qual nenhum momento é absurdo ou inútil | ||
| + | * O mal é integrado como momento funcional e não como catástrofe irracional | ||
| + | * Cada estágio do processo possui dignidade relativa enquanto momento necessário | ||
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| + | * Historicidade do mal | ||
| + | * O mal não é idêntico em todas as épocas | ||
| + | * Ele se transforma conforme o avanço do princípio de vida | ||
| + | * Aquilo que foi legítimo em um estágio torna-se inadmissível em outro | ||
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| + | * Relatividade temporal do juízo moral | ||
| + | * O mal só aparece como tal retrospectivamente, | ||
| + | * Um princípio é julgado mau quando se revela provisório e ultrapassado | ||
| + | * O juízo moral depende da posição temporal ocupada no devir | ||
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| + | * Passado como bom-em-seu-tempo | ||
| + | * Todo momento passado foi presente e legítimo enquanto durou | ||
| + | * Nenhuma forma histórica nasce já como erro | ||
| + | * O passado só se torna mau quando insiste em sobreviver fora de sua data | ||
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| + | * Mal como anacronismo ontológico | ||
| + | * O mal consiste na persistência atual do que deveria permanecer apenas como possível | ||
| + | * A malveillance surge quando o passado reivindica existência presente | ||
| + | * O erro fundamental é a usurpação de lugar no tempo | ||
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| + | * Inversão dos princípios | ||
| + | * O mal não nasce do conteúdo em si, mas da inversão de posições | ||
| + | * Algo bom em sua função torna-se mau ao pretender universalidade | ||
| + | * A desordem temporal substitui a hierarquia orgânica do devir | ||
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| + | * Mal como ato e não como substância | ||
| + | * O mal é definido como decisão, relação e exercício da vontade | ||
| + | * Ele não possui ser próprio, mas ocorre como gesto | ||
| + | * A negatividade é dinâmica e não ontologicamente fixa | ||
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| + | * Relação entre liberdade e possibilidade do mal | ||
| + | * A liberdade viva inclui necessariamente a possibilidade do desvio | ||
| + | * Sem essa possibilidade não haveria devir real | ||
| + | * O mal pertence à estrutura da liberdade enquanto risco | ||
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| + | * Mal latente e mal ativo | ||
| + | * Distingue-se o mal enquanto possibilidade recalcada e enquanto atuação efetiva | ||
| + | * O primeiro corresponde a um momento legítimo do fundamento | ||
| + | * O segundo aparece quando essa possibilidade se atualiza indevidamente | ||
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| + | * Satanás como indigência ontológica | ||
| + | * O princípio do mal é caracterizado como pobreza de ser | ||
| + | * Ele carece de existência própria e depende da vontade alheia | ||
| + | * Sua força reside na sedução e na exploração das brechas da consciência | ||
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| + | * Função tentadora do mal | ||
| + | * O mal solicita continuamente a vontade para obter atualidade | ||
| + | * Ele propõe múltiplos possíveis para se infiltrar na decisão | ||
| + | * A tentação exprime a pressão do possível não realizado | ||
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| + | * Mal como resistência ao devir | ||
| + | * A maioria dos males nasce da recusa em avançar com o processo | ||
| + | * A saúde do ser consiste na evolução ordenada dos momentos | ||
| + | * A doença aparece quando o passado escapa ao controle do presente | ||
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| + | * Exemplos históricos e religiosos do anacronismo | ||
| + | * Superstição, | ||
| + | * Essas formas persistem deslocadas, como resíduos de épocas extintas | ||
| + | * São crenças que não aceitaram morrer no tempo devido | ||
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| + | * Heresia como momento necessário e como desvio | ||
| + | * A heresia possui função preparatória no devir da verdade | ||
| + | * Ela se torna má ao isolar-se e pretender valer como totalidade | ||
| + | * O erro nasce quando o parcial se absolutiza | ||
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| + | * Mal como princípio noturno do espírito | ||
| + | * O mal não é exterior ao espírito, mas sua face invertida | ||
| + | * Ele constitui a Nachtseite, fonte de angústias e entusiasmos | ||
| + | * O espírito mais vivo é também o mais exposto ao mal espiritual | ||
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| + | * Ambivalência do princípio bárbaro | ||
| + | * O princípio irracional possui fecundidade própria | ||
| + | * Ele contém em germe tanto a catástrofe quanto a criação | ||
| + | * Negá-lo integralmente seria mutilar a vida | ||
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| + | * Combate espiritual como destino do homem | ||
| + | * O mal não se dissolve automaticamente | ||
| + | * Ele exige enfrentamento consciente e permanente | ||
| + | * A luta contra o mal é condição de intensidade espiritual | ||
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| + | * Mal como condição paradoxal do bem | ||
| + | * O bem só se torna inteligível por contraste com o mal | ||
| + | * A consciência se aguça na oposição | ||
| + | * A supressão total do mal levaria à estagnação do espírito | ||
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| + | * Síntese provisória da função do mal no devir | ||
| + | * O mal não é acidente supérfluo nem substância rival do bem | ||
| + | * Ele é momento necessário, | ||
| + | * Sua negatividade só se torna destrutiva quando recusa sua própria finitude histórica | ||
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