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jankelevitch:filosofia-schelling:mal

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jankelevitch:filosofia-schelling:mal [30/01/2026 14:07] – created mccastrojankelevitch:filosofia-schelling:mal [17/02/2026 18:34] (current) – external edit 127.0.0.1
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 +====== MAL ======
  
 +//JANKÉLÉVITCH, Vladimir. L’Odyssée de la conscience dans la dernière philosophie de Schelling. Paris: Felix Alcan, 1933.//
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 +  * Situação sistemática do problema do mal no interior da filosofia do devir
 +    * O problema do mal surge como consequência necessária da análise prévia da duração, das revoluções do tempo e da teoria do fundamento
 +    * A questão não é introduzida como tema moral isolado, mas como dificuldade estrutural que condiciona a inteligibilidade do devir
 +    * Antes de interrogar o termo final da história e sua possível reconciliação no eterno, impõe-se esclarecer a função e o estatuto do mal no processo
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 +  * Distinção preliminar entre Grund e mal
 +    * A ambiguidade do Grund exige distinguir cuidadosamente entre fundamento e mal propriamente dito
 +    * Nem tudo o que pertence ao fundamento pode ser imediatamente identificado com o mal
 +    * A confusão entre ambos conduziria a um dualismo ontológico insolúvel
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 +  * Dupla acepção do mal segundo sua relação com o fundamento
 +    * Distingue-se um mal que permanece fundamento e um mal que se torna malveillante ao recusar essa função
 +    * O primeiro não é hostil nem perverso, mas estrutural e necessário ao devir
 +    * O segundo emerge quando o princípio que deveria sustentar o processo pretende ocupar o lugar do resultado
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 +  * Deslocamento da problemática do mal da teosofia para a filosofia positiva
 +    * A reflexão tardia abandona progressivamente o imaginário teosófico excessivamente dramático
 +    * A figura do arcanjo rebelde é criticada como mitificação inadequada do problema
 +    * O mal passa a ser pensado em termos mais científicos, sistemáticos e estruturais
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 +  * Recusa do dualismo maniqueu
 +    * A afirmação de um princípio mau por natureza levaria à cisão radical do real
 +    * Tal hipótese destruiria a unidade do processo e a inteligibilidade da história
 +    * O mal não pode ser substância autônoma sem comprometer a filosofia do devir
 +
 +  * Satanás como princípio e não como indivíduo contingente
 +    * O diabo não é um personagem que surge arbitrariamente na história
 +    * Ele designa um princípio estrutural necessário ao processo
 +    * Sua função é ontológica e histórica, não psicológica nem acidental
 +
 +  * Inserção do mal na economia divina
 +    * O devir obedece a uma economia na qual nenhum momento é absurdo ou inútil
 +    * O mal é integrado como momento funcional e não como catástrofe irracional
 +    * Cada estágio do processo possui dignidade relativa enquanto momento necessário
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 +  * Historicidade do mal
 +    * O mal não é idêntico em todas as épocas
 +    * Ele se transforma conforme o avanço do princípio de vida
 +    * Aquilo que foi legítimo em um estágio torna-se inadmissível em outro
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 +  * Relatividade temporal do juízo moral
 +    * O mal só aparece como tal retrospectivamente, à luz do sentido do processo
 +    * Um princípio é julgado mau quando se revela provisório e ultrapassado
 +    * O juízo moral depende da posição temporal ocupada no devir
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 +  * Passado como bom-em-seu-tempo
 +    * Todo momento passado foi presente e legítimo enquanto durou
 +    * Nenhuma forma histórica nasce já como erro
 +    * O passado só se torna mau quando insiste em sobreviver fora de sua data
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 +  * Mal como anacronismo ontológico
 +    * O mal consiste na persistência atual do que deveria permanecer apenas como possível
 +    * A malveillance surge quando o passado reivindica existência presente
 +    * O erro fundamental é a usurpação de lugar no tempo
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 +  * Inversão dos princípios
 +    * O mal não nasce do conteúdo em si, mas da inversão de posições
 +    * Algo bom em sua função torna-se mau ao pretender universalidade
 +    * A desordem temporal substitui a hierarquia orgânica do devir
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 +  * Mal como ato e não como substância
 +    * O mal é definido como decisão, relação e exercício da vontade
 +    * Ele não possui ser próprio, mas ocorre como gesto
 +    * A negatividade é dinâmica e não ontologicamente fixa
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 +  * Relação entre liberdade e possibilidade do mal
 +    * A liberdade viva inclui necessariamente a possibilidade do desvio
 +    * Sem essa possibilidade não haveria devir real
 +    * O mal pertence à estrutura da liberdade enquanto risco
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 +  * Mal latente e mal ativo
 +    * Distingue-se o mal enquanto possibilidade recalcada e enquanto atuação efetiva
 +    * O primeiro corresponde a um momento legítimo do fundamento
 +    * O segundo aparece quando essa possibilidade se atualiza indevidamente
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 +  * Satanás como indigência ontológica
 +    * O princípio do mal é caracterizado como pobreza de ser
 +    * Ele carece de existência própria e depende da vontade alheia
 +    * Sua força reside na sedução e na exploração das brechas da consciência
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 +  * Função tentadora do mal
 +    * O mal solicita continuamente a vontade para obter atualidade
 +    * Ele propõe múltiplos possíveis para se infiltrar na decisão
 +    * A tentação exprime a pressão do possível não realizado
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 +  * Mal como resistência ao devir
 +    * A maioria dos males nasce da recusa em avançar com o processo
 +    * A saúde do ser consiste na evolução ordenada dos momentos
 +    * A doença aparece quando o passado escapa ao controle do presente
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 +  * Exemplos históricos e religiosos do anacronismo
 +    * Superstição, fetichismo e formalismo religioso ilustram a sobrevivência do passado
 +    * Essas formas persistem deslocadas, como resíduos de épocas extintas
 +    * São crenças que não aceitaram morrer no tempo devido
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 +  * Heresia como momento necessário e como desvio
 +    * A heresia possui função preparatória no devir da verdade
 +    * Ela se torna má ao isolar-se e pretender valer como totalidade
 +    * O erro nasce quando o parcial se absolutiza
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 +  * Mal como princípio noturno do espírito
 +    * O mal não é exterior ao espírito, mas sua face invertida
 +    * Ele constitui a Nachtseite, fonte de angústias e entusiasmos
 +    * O espírito mais vivo é também o mais exposto ao mal espiritual
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 +  * Ambivalência do princípio bárbaro
 +    * O princípio irracional possui fecundidade própria
 +    * Ele contém em germe tanto a catástrofe quanto a criação
 +    * Negá-lo integralmente seria mutilar a vida
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 +  * Combate espiritual como destino do homem
 +    * O mal não se dissolve automaticamente
 +    * Ele exige enfrentamento consciente e permanente
 +    * A luta contra o mal é condição de intensidade espiritual
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 +  * Mal como condição paradoxal do bem
 +    * O bem só se torna inteligível por contraste com o mal
 +    * A consciência se aguça na oposição
 +    * A supressão total do mal levaria à estagnação do espírito
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 +  * Síntese provisória da função do mal no devir
 +    * O mal não é acidente supérfluo nem substância rival do bem
 +    * Ele é momento necessário, relativo e temporal do processo
 +    * Sua negatividade só se torna destrutiva quando recusa sua própria finitude histórica
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 +{{tag>Schelling Jankélévitch mal}}

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