jankelevitch:filosofia-schelling:grund
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| + | ====== DO FUNDAMENTO (GRUND) ====== | ||
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| + | * Distinção entre descontinuidade e incoerência no devir | ||
| + | * A duração dramática do devir é marcada por negações energéticas e contradições agudas que instauram descontinuidades reais | ||
| + | * Essa descontinuidade não implica incoerência nem caos arbitrário, | ||
| + | * A consciência rompe com seu passado, mas o faz de modo organizado, conservando-o sob outra forma | ||
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| + | * Repressão do passado e sua não aniquilação | ||
| + | * A consciência religiosa conjura os momentos ultrapassados de sua própria história como se realizasse um exorcismo | ||
| + | * O passado reprimido não é reduzido ao não-ser, mas relegado a uma condição latente | ||
| + | * O esquecimento suprime a presença ativa do passado sem eliminar sua existência ontológica | ||
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| + | * Função mediadora da teoria do fundamento | ||
| + | * A teoria do Grund permite articular conjuntamente as revoluções do devir e a continuidade do devir | ||
| + | * O passado deve ser suprimido enquanto forma vigente, mas deve sobreviver como base sustentadora | ||
| + | * O fundamento explica como a negatividade do passado pode servir de condição positiva do presente | ||
| + | |||
| + | * Metáfora da matéria transparente | ||
| + | * O passado do devir assemelha-se à matéria invisível de um corpo transparente | ||
| + | * Ele não aparece, mas sustenta a solidez do corpo | ||
| + | * Negar o passado equivale a chocar-se contra uma resistência invisível que continua operando | ||
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| + | * Jogo semântico de zu Grunde gehen | ||
| + | * Desaparecer não significa cair no nada, mas tornar-se fundamento | ||
| + | * O tempo não destrói, mas torna invisível | ||
| + | * O passado é confinado à inação, não ao não-ser | ||
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| + | * Dimensão mítica do passado como potência latente | ||
| + | * A figura de Hades simboliza o passado tornado impotente, mas ainda temido | ||
| + | * O passado subterrâneo conserva um poder destrutivo potencial | ||
| + | * O equilíbrio do presente depende do recalcamento contínuo desse passado | ||
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| + | * Eutanásia do passado na mitologia grega | ||
| + | * O passado grego morre suavemente e deixa atrás de si figuras ainda vivas | ||
| + | * A mitologia não renega brutalmente suas fases anteriores | ||
| + | * Essa continuidade explica sua vitalidade, variedade e vigor duradouros | ||
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| + | * Conversão simbólica do princípio resistente na mitologia egípcia | ||
| + | * O princípio real não é eliminado, mas interiorizado | ||
| + | * Typhon não é destruído, mas transformado em potencialidade | ||
| + | * A força hostil é convertida em harmonia e música | ||
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| + | * Patologia da descontinuidade radical | ||
| + | * Onde o princípio antigo é expulso sem conversão, o devir torna-se anormalmente descontínuo | ||
| + | * A mitologia hindu ilustra essa ruptura excessiva | ||
| + | * A eliminação do fundamento conduz à inconsistência simbólica | ||
| + | |||
| + | * Existência do passado para ser superado | ||
| + | * O passado existe para ser vencido, não para permanecer soberano | ||
| + | * Sua função é fornecer assento e suporte ao processo ulterior | ||
| + | * Ele não é anulado, mas rebaixado à função de base | ||
| + | |||
| + | * Definição do passado como Grund | ||
| + | * O passado é o fundamento do presente | ||
| + | * A teoria do fundamento é um caso particular da teoria do devir | ||
| + | * Cada momento vencido torna-se condição do momento vencedor | ||
| + | |||
| + | * Distinção boehmiana entre Grund e Wesen | ||
| + | * O Grund corresponde à natureza antes da existência | ||
| + | * O Wesen corresponde à existência manifestada | ||
| + | * O fundamento é princípio do começo e não forma acabada do ser | ||
| + | |||
| + | * Relatividade e recorrência do sacrifício do fundamento | ||
| + | * O sacrifício do fundamento não ocorre uma única vez | ||
| + | * Ele se renova a cada instante da duração | ||
| + | * Cada progresso exige a supressão de um fundamento anterior | ||
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| + | * O sacrifício como motor do devir | ||
| + | * O sacrifício contínuo permite ao devir avançar | ||
| + | * O sacrifício inicial do fundamento desencadeia a criação | ||
| + | * O progresso repete estruturalmente o gesto originário | ||
| + | |||
| + | * Rejeição do fundamento como causa eminente | ||
| + | * O Grund não é causa eficiente no sentido clássico | ||
| + | * Ele é germe, base humilde, suporte do desenvolvimento | ||
| + | * A causa não é superior ao efeito em dignidade ontológica | ||
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| + | * Inversão da explicação descendente | ||
| + | * A explicação racionalista que concentra a perfeição no início é rejeitada | ||
| + | * A explicação verdadeira é ascensional | ||
| + | * A revelação progride do inferior ao superior | ||
| + | |||
| + | * Princípio em baixo e não em cima | ||
| + | * O fundamento é inferior e primeiro no tempo | ||
| + | * Ele torna-se matéria, órgão e condição das formas superiores | ||
| + | * O princípio é vítima do desenvolvimento que inaugura | ||
| + | |||
| + | * Oposição a Jacobi e ao emanatismo | ||
| + | * A dedução do todo à parte elimina o devir real | ||
| + | * O racionalismo esvazia a significação do desenvolvimento | ||
| + | * A filosofia do devir pensa a geração efetiva dos seres | ||
| + | |||
| + | * Realismo do nascimento do ser | ||
| + | * A vida nasce pequena, obscura e concentrada | ||
| + | * O desenvolvimento é uma expansão progressiva | ||
| + | * A existência se elabora sempre na obscuridade | ||
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| + | * Preformação e novidade | ||
| + | * O fundamento contém tudo de forma comprimida | ||
| + | * O adulto não acrescenta conteúdos, mas muda o regime de manifestação | ||
| + | * O real difere do possível por uma distância ontológica decisiva | ||
| + | |||
| + | * Ambiguidade constitutiva do Grund | ||
| + | * O Grund é simultaneamente menos e mais que a existência desenvolvida | ||
| + | * Ele é semente e obstáculo | ||
| + | * Ele prepara o futuro e resiste à sua realização | ||
| + | |||
| + | * O Grund como laboratório obscuro do ser | ||
| + | * É no fundamento que se engendram as existências | ||
| + | * O princípio tenso se transmuta em luz desde o interior | ||
| + | * O devir é sustentado continuamente, | ||
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| + | * Negação como condição do movimento | ||
| + | * O repouso é o fundamento do movimento | ||
| + | * O ponto é a negação da linha | ||
| + | * Toda positividade nasce de uma supressão prévia | ||
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| + | * Estrutura sacrificial do progresso | ||
| + | * O devir exige vítimas | ||
| + | * A vida nasce de vitórias sobre a morte | ||
| + | * Cada nova forma se ergue sobre a ruína da anterior | ||
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| + | * O passado como resistência ativa | ||
| + | * O fundamento vencido continua resistindo | ||
| + | * Ele retarda o avanço do novo | ||
| + | * O progresso engendra seu próprio freio | ||
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| + | * Conservação subterrânea do passado | ||
| + | * O passado subsiste como socle e tuf do presente | ||
| + | * Ele reaparece nos momentos decisivos da liberdade | ||
| + | * O esquecimento suprime a presença, não a eficácia | ||
| + | |||
| + | * Multiplicidade e relatividade dos fundamentos | ||
| + | * Todo momento passado é fundamento do seguinte | ||
| + | * Cada fundamento nasce para sucumbir | ||
| + | * A série dos sacrifícios estrutura a duração | ||
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| + | * Ambivalência dos momentos do devir | ||
| + | * Cada momento é positivo em si | ||
| + | * Ele é negativo em relação ao futuro | ||
| + | * Ele se afirma recusando sua própria sucessão | ||
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| + | * Realismo trágico da filosofia schellinguiana | ||
| + | * O fundamento sobrevivente lembra a fragilidade do presente | ||
| + | * O passado atua como reproche silencioso | ||
| + | * O espírito permanece ameaçado por forças arcaicas | ||
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| + | * Permanência do princípio noturno | ||
| + | * A necessidade subsiste na liberdade | ||
| + | * A natureza subsiste no espírito | ||
| + | * O não-eu subsiste no eu | ||
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| + | * Limite interno da racionalização do real | ||
| + | * O real não é totalmente convertível em conceitos | ||
| + | * O princípio noturno resiste à disciplina lógica | ||
| + | * A filosofia última reconhece essa contingência íntima | ||
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