grassi:sinais-e-espirito-ii
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| + | ====== Sinais e espírito (II) ====== | ||
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| + | **2. A " | ||
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| + | Referimo-nos à tese de Muller de que a lei da causalidade (causa e efeito) é inadequada a uma explicação do fenômeno da vida, isto é, da função dos seus órgãos. Segundo o ponto de vista de Muller, os órgãos vivos só revelam as " | ||
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| + | A pesquisa de Boehme sobre a " | ||
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| + | 'Tudo o que é falado, escrito ou ensinado a respeito de Deus, sem o reconhecimento da ' | ||
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| + | Na tradição filosófica da antiguidade, | ||
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| + | O segundo parágrafo do texto de Boehme — que estabelece novamente uma relação com Deus - refere-se basicamente ao fenômeno da linguagem. " | ||
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| + | Mas como acontece a comunicação, | ||
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| + | Os seres humanos, no entanto, não estão em condições de se comunicarem simplesmente como o fazem os animais; eles precisam começar pela procura do significado dos elementos fonéticos com os quais desejam transmitir algo; assim sendo, esses significados estão sujeitos a mutações históricas. Os idiomas humanos emergem e desaparecem e, além disso, têm formas diferentes para cada povo. | ||
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| + | Pelos primeiros dois parágrafos da obra de Boehme nós sabemos que os sinais, as " | ||
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| + | Há duas maneiras de se compreender o que o outro diz: positiva e negativa. A compreensão é positiva se aceitamos a razão da assertiva do outro (explicamos a nós mesmos porque ele fala daquela maneira); é negativa se, a despeito de compreendermos as razões de suas assertivas, nos desviamos de suas definições. No segundo caso, devemos primeiramente mostrar que compreendemos a assertiva do outro e então provar que a razão que ele deu não é justificativa. A unidade da razão aparece — conforme a metáfora de Boehme, no segundo parágrafo — como o martelo que faz com que soe tanto o nosso quanto o sino do outro. A fala, então, não é mero som (" | ||
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| + | Nesta altura das nossas reflexões, citaremos as seguintes características da definição de termo " | ||
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| + | O terceiro parágrafo de De signatura rerum diz: "Disto aprendemos que todas as qualidades humanas têm sua origem numa única; têm uma única raiz e origem; de outra forma, um homem não seria capaz de compreender o outro através de sons" (Idem, ibidem). | ||
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| + | À primeira vista, este parágrafo parece não conter nada de novo, pois o " | ||
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| + | Como dissemos, a conversação com outros consiste no esforço em mostrar aos outros que — e por que — as razões das nossas próprias definições (desde que sejam diferentes das dos outros) são mais consistentes. Consistente ou correto, aqui, quer dizer que as nossas razões são objetivas; isto é, são atraentes a todos, e permitem convencer a todos. A razão, como tal, deve provar ser necessária no sentido de ser reconhecida por todos e, além disso, de obrigar aos outros (de maneira a sentirem a necessidade) a usá-la como base para suas definições. Se a razão não possuísse a característica da necessidade e, portanto, da validade universal, na realidade não haveria possibilidade de compreensão mútua: cada um estaria fechado dentro do seu mundo de símbolos subjetivos. Nos ater íamos ao domínio das " | ||
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| + | Há tentativas de explicação biológica para o fato do homem não conhecer as " | ||
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| + | A " | ||
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| + | Mesmo a busca dos sinais dos fenômenos não surge por nossa livre vontade pois sem a definição dos sinais pereceríamos no âmbito dos fenômenos. | ||
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| + | O fato mesmo da busca das " | ||
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| + | O quarto parágrafo de De signatura rerum contém uma alusão à relação entre o espírito e a razão (" | ||
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| + | Uma nova indicação: | ||
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| + | Este é o motivo pelo qual Boehme diz que a ressonância "capta e move a outra" | ||
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| + | O texto que citamos também indica de onde o espírito toma suas formas. Ele diz: "e no som, o espírito desenha sua forma que obtém da essência" | ||
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| + | Mas como devemos interpretar a afirmação de Boehme de que o espírito desenha (copia, obtém) suas próprias formas "da essência"? | ||
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| + | Talvez seja de espantar quando Boehme diz que, nesse processo, "o espírito se concebeu no bem ou no mal". Não deveria ser absolutamente " | ||
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| + | No quarto parágrafo da obra de Boehme que estivemos discutindo, pela primeira vez aparece um novo conceito: a vontade. "... então é um conceito, uma vontade e um espírito, e também uma compreensão" | ||
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| + | 0 quinto e último parágrafo do nosso texto contém uma tese surpreendente e decisiva: cada " | ||
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| + | Se o espírito representa o processo através do qual chegamos ao conhecimento, | ||
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| + | No processo dialógico e com base no reconhecimento original, o homem atinge as causas originais que determinam seu mundo; remontar a elas significa lembrar-se. Se, através da escrita ou de outros sinais externos, nos afastamos desse processo auto-efetivante, | ||
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| + | O passado (lembrar) e o futuro (previsão) se abrem — a fim de se tornarem " | ||
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