grassi:auto-realizacao-humana-e-logos-i
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| + | ====== Auto-realização humana e " | ||
| + | (I) | ||
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| + | **Comportamento esquemático dos animais e " | ||
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| + | De nossas discussões anteriores nasceram dois grupos de problemas. Com a interpretação do " | ||
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| + | Qual é, então, a estrutura da posição " | ||
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| + | O segundo grupo de questões é o seguinte: As manifestações sensoriais usadas pela arte afetam as paixões, através do que lhes é dada uma função patética, como já vimos. Visto que o homem não é dominado apenas pelas paixões, mas também pela razão, é necessário esclarecer em que bases prevalece uma ou outra característica. Sabemos que discussões puramente racionais não despertam nem atenuam paixões. Estas, no entanto, são imediatamente suscitadas se, numa discussão, surgirem imagens ou manifestações sensoriais. | ||
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| + | Qual a relação existente entre o impacto emocional das imagens, isto é, as manifestações sensoriais, e a razão, isto é o " | ||
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| + | Voltando ao primeiro problema: a condição específica do homem deve ser confrontada com a dos animais, usando o exemplo do fenômeno da formação humana. | ||
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| + | O animal vive no seu ambiente; desde o nascimento ele dispõe de " | ||
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| + | Referimo-nos a Jakob von Uexkull, fundador da moderna ciência do comportamento e do ambiente. Baseado em investigações experimentais ele afirma que, para o animal, não existem objetos físicos ou mecânicos como tais, mas apenas como portadores de significados de vida. " | ||
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| + | Os sentidos de um ser vivo reagem somente a estímulos definidos de maneira específica, | ||
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| + | Um dos exemplos mais conhecidos, dados por J. von Uexkull é o do carrapato (idoxes rhicinus), cujos hospedeiros normais são mamíferos. O carrapato não ouve, não vê e não tem sentido de gosto; ele reage somente a um certo cheiro (do ácido láctico) e a uma certa temperatura (37 °C). Assim que esses dois indícios emergem como sinais, da escuridão que cerca o carrapato, ele cai e dá uma picada em qualquer objeto que apresente esses dois sinais, quer o objeto em que ele estiver sugando seja nutritivo ou não (Idem, p. 23 e ss). | ||
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| + | Essas observações experimentais mostraram o caminho para os métodos usados na moderna psicologia do comportamento, | ||
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| + | A pesquisa sobre o comportamento, | ||
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| + | Se as explicações puramente mecânico-causais sobre o comportamento dos animais forem insustentáveis, | ||
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| + | Lorenz, v. Holst e Tinnbergen libertaram o conceito do " | ||
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| + | É verdade que já em 1909 J. von Uexkull pronunciava esta advertência: | ||
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| + | E o ser humano? A interpretação de fenômenos é, para ele, baseada numa estrutura diferente? Os padrões com as suas características inatas têm um papel menos direto? Partindo de pontos diferentes, a zoologia moderna, a ciência do comportamento, | ||
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| + | Nietzsche referiu-se ao homem como o animal " | ||
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| + | Resultados da moderna antropologia (Bohlk na Holanda, Storch na Áustria, Portmann e Gehlen na Suíça e na Alemanha) e da etnologia (principalmente Malinowsky, Benedict e Mead nos EUA) sustentaram a tese fundamental de que os homens, em contraste com os animais, não possuem padrões estabelecidos para o reconhecimento do seu ambiente. O homem precisa buscar e construir a forma do seu próprio ambiente; somente o mundo exterior interpretado eleva-se ao significado do seu ambiente. | ||
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| + | Enquanto o animal se " | ||
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| + | Portmann (A. Portmann, Zoologie und das neuc Bild des Menschen, r.d.e., Vol. 20, Hamburgo, 1956, p. 29 e SS), começa pela conhecida diferenciação entre animais que "ficam no ninho" e os que " | ||
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| + | As discussões em torno deste duplo aspecto do homem (como um ser que "fica no ninho" e que " | ||
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| + | Sob outro ângulo, A. Gehlen chama atenção sobre a essência do homem no sentido interpretado por Portmann: "Para onde quer que olhemos, vemos o homem espalhar-se pelo mundo e, apesar da sua falta de recursos físicos, subjugar a natureza cada vez mais. No entanto, não se pode falar de ' | ||
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| + | Gehlen evidencia a relação essencial que existe entre " | ||
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| + | As pesquisas etnológicas de Malinowsky (B. Malinowski, Geschlecht und Verdrãngung in primitiven Gessellschaften, | ||
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| + | O significado cultural da sexualidade humana não pode ser corretamente avaliado a não ser que se evite a ilusão, demasiado evidente, de que todas as manifestações de motivação instintiva, no homem, são simplesmente " | ||
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