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| + | ====== ARTHUR BRADLEY ====== | ||
| + | //BRADLEY, Arthur. Derrida’s Of Grammatology: | ||
| + | **Introdução** | ||
| + | * Jacques Derrida é reconhecido como um dos filósofos mais influentes do século XX, nascido na Argélia colonial francesa em 1930 e formado na École Normale Supérieure de Paris. | ||
| + | * A trajetória inicial de Derrida concentrou-se na fenomenologia, | ||
| + | * Em 1967, Derrida afirmou-se definitivamente no cenário filosófico com a publicação simultânea de três obras — A Voz e o Fenômeno, A Escritura e a Diferença e Da Gramatologia — que consolidaram sua abordagem singular da escrita. | ||
| + | * A tradução dessas obras para o inglês nos anos 1970 projetou Derrida internacionalmente, | ||
| + | * A desconstrução tornou-se um fenômeno cultural de alcance amplo, influenciando disciplinas acadêmicas das mais diversas e penetrando no imaginário popular por meio de filmes, canções e até estilos arquitetônicos. | ||
| + | * Após os anos 1960, Derrida expandiu suas investigações para arte, política, psicanálise, | ||
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| + | **Da Gramatologia** | ||
| + | * Da Gramatologia é o primeiro ponto de contato da maioria dos leitores anglófonos com Derrida, sendo sua obra mais conhecida, embora permaneça um desafio formidável — inclusive porque sua frase mais célebre é sistematicamente mal traduzida ou mal compreendida. | ||
| + | * A dificuldade do livro decorre do contexto intelectual específico em que surgiu — pressupondo familiaridade com a tradição filosófica de Hegel a Heidegger e com o estruturalismo francês — e do método derridiano de leitura minuciosa e quase claustrofóbica de textos de Rousseau, Saussure e Lévi-Strauss. | ||
| + | * O obstáculo mais fundamental da obra não é seu estilo nem seu contexto histórico, mas seu argumento central, que coloca em questão tudo o que se pressupõe sobre leitura, sentido, intenção autoral e a própria ideia de livro como repositório fixo de significado. | ||
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| + | **O Argumento** | ||
| + | * A gramatologia designa literalmente a ciência da escrita — seu objeto, origem e diferença em relação à fala — e Derrida situa sua própria investigação no interior de uma revolução mais ampla do pensamento moderno que recorre à escrita como modelo explicativo em campos como a linguística, | ||
| + | * O título Da Gramatologia encerra uma ambiguidade essencial: a obra não é uma defesa da gramatologia, | ||
| + | * A gramatologia revela um conjunto mais amplo de pressupostos filosóficos denominado metafísica da presença — a tradição ocidental inteira, de Platão ao presente, entendida como busca de um fundamento último identificado com a noção de presença plena e pura. | ||
| + | * Tudo o que se experimenta como plenamente presente — a voz, o pensamento, o instante — é, para Derrida, atravessado por diferenças e adiamentos infinitesimais; | ||
| + | * Da Gramatologia analisa a oposição metafísica central entre fala e escrita sob o nome de logocentrismo — a tentativa filosófica de fundar o logos, entendido como razão e presença, por meio da fala, à qual a escrita é subordinada como mera mediação ou corrupção. | ||
| + | * A hierarquia logocêntrica entre fala e escrita é questionada pela tese de que toda linguagem — falada ou escrita — partilha aquela condição de mediação atribuída apenas à escrita; a escrita originária ou arque-escrita torna-se a base de uma filosofia inteiramente nova da linguagem. | ||
| + | * A marginalização da escrita no pensamento ocidental não é um acidente, mas o sintoma privilegiado de um preconceito metafísico mais amplo em favor de um sentido fixo e presente — e a desconstrução não pode superar a metafísica de fora, pois não existe linguagem ou pensamento alheios a essa tradição; resta habitá-la e evidenciar sua instabilidade de dentro. | ||
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| + | **Conclusão** | ||
| + | * O guia oferece ao leitor uma introdução ao contexto filosófico de Derrida — sua crítica à fenomenologia e ao estruturalismo — seguida de um comentário capítulo a capítulo da obra, abordando a ciência da escrita, a leitura de Saussure, a relação entre escrita e violência em Lévi-Strauss, | ||
| + | * O próprio guia se reconhece como produto das premissas logocêntricas que Derrida questiona — pressupõe um sentido original e uma voz autoral recuperável —, o que faz de toda leitura de Da Gramatologia um processo potencialmente interminável, | ||
