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-====== Denis de Rougemont (1906-1985) ======+====== Prefácio a "O Amor e o Ocidente" ======
  
-Escritor suíço que se notabilizou por um estudo sobre o amor no Ocidente, O AMOR E O OCIDENTE (DRAmor), que se consagrou como referência no século XXDe sua tradução abreviada da obra original em francês, estaremos apresentando alguns extratos abaixo.+//ROUGEMONTDenis de. amor e o OcidenteTrde Paulo Brandi. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988//
  
 Atendendo à sugestão de meu editor inglês — que, por um acaso que muito me honra, é T. S. Eliot — decidi empreender a revisão desta obra. Atendendo à sugestão de meu editor inglês — que, por um acaso que muito me honra, é T. S. Eliot — decidi empreender a revisão desta obra.
  
-Três lustros se passaram desde sua publicação, e também uma guerra e muitas experiências que submeteram minhas teses a duras provas. Nada esqueci, mas aprendi um pouco e, aliás, antes vivendo que lendo os meus críticos, pois estes não chegavam a um acordo entre si. Alguns, porém, me convenceram: substitui, nesta nova versão, vários excessos literários por análises que, desconfio, agravam o meu caso.+Três lustros se passaram desde sua publicação, e também uma guerra e muitas experiências que submeteram minhas teses a duras provas. Nada esqueci, mas aprendí um pouco e, aliás, antes vivendo que lendo os meus críticos, pois estes não chegavam a um acordo entre si. Alguns, porém, me convenceram: substitui, nesta nova versão, vários excessos literários por análises que, desconfio, agravam o meu caso.
  
 Os historiadores deploraram minha insistência nas perturbadoras relações que observei entre cátaros e trovadores: eles próprios não se sentiram perturbados, dada a ausência de “provas” suficientes. Vários teólogos de tradição romana ou grega censuraram-me amigavelmente por contrastar Eros e Agape de uma maneira demasiado irremediável ((Ver especialmente a bela obra do P.M.C. d’Arcy, S.J., The mind and heart of love, Londres, 1945, em boa parte consagrada à exposição critica dos pontos de vista representados por Anders Nygren (Eros et Agapè) e por este livro.)), que não dá margem às formas de passagem sem as quais não poderíamos viver. Aos historiadores, responderei simplesmente que estava à procura de um sentido existencial. Portanto, não pensava, absolutamente em lavrar na seara alheia. Os documentos que cito, as aproximações que sugiro, são muito menos provas do que ilustrações. Entretanto, novas pesquisas, a partir de 1939, vieram reforçar minhas hipóteses: utilizei-as sem parcimônia para reescrever quase inteiramente o Livro II, que trata do século XII, do “catarismo”, dos trovadores e de Tristão. Eis o essencial desta nova versão. Os historiadores deploraram minha insistência nas perturbadoras relações que observei entre cátaros e trovadores: eles próprios não se sentiram perturbados, dada a ausência de “provas” suficientes. Vários teólogos de tradição romana ou grega censuraram-me amigavelmente por contrastar Eros e Agape de uma maneira demasiado irremediável ((Ver especialmente a bela obra do P.M.C. d’Arcy, S.J., The mind and heart of love, Londres, 1945, em boa parte consagrada à exposição critica dos pontos de vista representados por Anders Nygren (Eros et Agapè) e por este livro.)), que não dá margem às formas de passagem sem as quais não poderíamos viver. Aos historiadores, responderei simplesmente que estava à procura de um sentido existencial. Portanto, não pensava, absolutamente em lavrar na seara alheia. Os documentos que cito, as aproximações que sugiro, são muito menos provas do que ilustrações. Entretanto, novas pesquisas, a partir de 1939, vieram reforçar minhas hipóteses: utilizei-as sem parcimônia para reescrever quase inteiramente o Livro II, que trata do século XII, do “catarismo”, dos trovadores e de Tristão. Eis o essencial desta nova versão.
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 As vias desta revolução ainda são imprevisíveis; é o que explico no Livro VI. Pretendo tão-somente sensibilizar a atenção de meus leitores para a presença do mito e, portanto, habilitá-los a detectar suas radiações tanto na vida como na obra de arte. Conduzir alguns espíritos a esta tomada de consciência não pode ser inteiramente vão. Porque se é verdade que as mutações do coração se preparam e se operam no inconsciente, elas datam de fato de sua epifania na expressão escrita, plástica ou pictórica — assim como um amor data de sua primeira declaração. As vias desta revolução ainda são imprevisíveis; é o que explico no Livro VI. Pretendo tão-somente sensibilizar a atenção de meus leitores para a presença do mito e, portanto, habilitá-los a detectar suas radiações tanto na vida como na obra de arte. Conduzir alguns espíritos a esta tomada de consciência não pode ser inteiramente vão. Porque se é verdade que as mutações do coração se preparam e se operam no inconsciente, elas datam de fato de sua epifania na expressão escrita, plástica ou pictórica — assim como um amor data de sua primeira declaração.
  
-   +Denis de Rougemont
-  * EROS E AGAPE +
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