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-====== Dauge (Virgile) – o caráter e as particularidades das elites ======+====== o caráter e as particularidades das elites (Virgile) ======
  
 Os romanos, por sua vez, tinham uma consciência aguda desse papel das elites, tanto por sua mentalidade de tipo aristocrático quanto por sua lucidez e realismo políticos: de Ênio a Rutílio Namaciano, seus escritos nunca variaram nesse ponto. Isso é demonstrado, entre outros, pelo estudo fundamental de Pietro de Francisci, Spirito della civiltà romana, e é o que procuramos ilustrar em nossa obra O Bárbaro. Roma sempre atribuiu sua grandeza a uma sucessão ininterrupta de homens superiores, a uma elite coesa e constantemente renovada, que soube criar e desenvolver um império arquitetônico, que soube adaptar seu ideal às vicissitudes da história. Lembremos apenas a célebre reflexão de Salústio (Cat. 53,4): "Ao meditar sobre essas questões, cheguei à convicção de que foi o valor eminente de alguns cidadãos que fez tudo..." — fórmula talvez paradoxal na aparência, mas profundamente justa. Aliás, na mesma linha de pensamento, ao interpretar a história universal, o romano colocava naturalmente na origem das sociedades e civilizações "grandes Instrutores da humanidade" — como Cronos/Saturno, Apolo, Dionísio/Baco, Mercúrio/Hermes/Thoth ou Orfeu — cujos benefícios os faziam reconhecer como "deuses" ou "divinos" (cf. o sucesso do evemerismo a partir do século II a.C.), e cuja ação se perpetuava graças a elites de inspiração tradicional. Os romanos, por sua vez, tinham uma consciência aguda desse papel das elites, tanto por sua mentalidade de tipo aristocrático quanto por sua lucidez e realismo políticos: de Ênio a Rutílio Namaciano, seus escritos nunca variaram nesse ponto. Isso é demonstrado, entre outros, pelo estudo fundamental de Pietro de Francisci, Spirito della civiltà romana, e é o que procuramos ilustrar em nossa obra O Bárbaro. Roma sempre atribuiu sua grandeza a uma sucessão ininterrupta de homens superiores, a uma elite coesa e constantemente renovada, que soube criar e desenvolver um império arquitetônico, que soube adaptar seu ideal às vicissitudes da história. Lembremos apenas a célebre reflexão de Salústio (Cat. 53,4): "Ao meditar sobre essas questões, cheguei à convicção de que foi o valor eminente de alguns cidadãos que fez tudo..." — fórmula talvez paradoxal na aparência, mas profundamente justa. Aliás, na mesma linha de pensamento, ao interpretar a história universal, o romano colocava naturalmente na origem das sociedades e civilizações "grandes Instrutores da humanidade" — como Cronos/Saturno, Apolo, Dionísio/Baco, Mercúrio/Hermes/Thoth ou Orfeu — cujos benefícios os faziam reconhecer como "deuses" ou "divinos" (cf. o sucesso do evemerismo a partir do século II a.C.), e cuja ação se perpetuava graças a elites de inspiração tradicional.
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