conche:conche-2007-montaigne-ciencia-e-sabedoria
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Next revision | Previous revision | ||
| conche:conche-2007-montaigne-ciencia-e-sabedoria [30/12/2025 12:14] – created - external edit 127.0.0.1 | conche:conche-2007-montaigne-ciencia-e-sabedoria [17/02/2026 18:34] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== MONTAIGNE, CIÊNCIA E SABEDORIA (2007) ====== | ||
| + | |||
| + | CONCHE, Marcel. Montaigne ou La conscience heureuse. Paris: Presses universitaires de France, 2007. | ||
| + | |||
| + | * Fundamentação da filosofia na busca da sabedoria como modo de vida ideal, o que implica necessariamente a investigação sobre a essência do homem e seu lugar no ser. | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Reconhecimento de Michel de Montaigne como figura singular que transita da questão universal "Que é o homem?" | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Conclusão cética sobre a impossibilidade de estabelecer uma verdade objetiva e universal sobre a natureza humana mediante os recursos exclusivos da razão filosófica. | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Crítica radical à capacidade da razão humana de fundamentar um saber positivo sobre o homem, desenvolvida principalmente na //Apologie de Raymond Sebond//. | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Demonstração da fraqueza constitutiva da razão, evidenciada pela contradição insolúvel entre os sistemas filosóficos e a arbitrariedade na escolha dos princípios. | ||
| + | |||
| + | * Rejeição da ideia greco-cristã de uma hierarquia fixa dos seres, na qual o homem ocupa uma posição privilegiada na junção do corpóreo e do espiritual. | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Desconstrução da suposta superioridade humana mediante a comparação minuciosa com os animais. | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Apresentação de exemplos de conduta animal que rivalizam ou superam a prudência humana, como a arquitetura do alción ou a previsão meteorológica do ouriço. | ||
| + | |||
| + | * Identificação da presunção como o vício originário e doença natural do homem, que o leva a se considerar como fim e medida da natureza. | ||
| + | |||
| + | * Conclusão de que o homem é um vivente de condição média, sem preexcelência essencial, distinguindo-se apenas por uma liberdade desregrada e doentia. | ||
| + | |||
| + | * Investigação sobre os objetos metafísicos fundamentais – Deus, a natureza e a alma – para concluir pela sua inacessibilidade ao conhecimento humano. | ||
| + | | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Caracterização da natureza como um livro selado, cuja profundidade misteriosa excede infinitamente os fracos meios do entendimento humano. | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Análise da doutrina da alma, mostrando a discórdia dos filósofos sobre sua existência, | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Diagnóstico da causa última do fracasso da filosofia: a natureza da própria razão humana e seus meios de conhecimento. | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Constatação de que a razão, privada de princípios certos não revelados, está condenada a errar, não podendo transmitir às conclusões uma verdade que não possui nos seus fundamentos. | ||
| + | |||
| + | * Adoção da posição cética como a mais sábia, recomendando a suspensão do juízo e o reconhecimento de que "não temos comunicação alguma com o ser". | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Releitura dos grandes filósofos dogmáticos – Platão, Aristóteles, | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Caracterização da filosofia em sua essência como uma poesia sofisticada, | ||
| + | |||
| + | * Proposta de uma nova forma de filosofar que supera a oposição entre dogmatismo e ceticismo, encontrando sua realização nos //Ensaios// de Montaigne. | ||
| + | | ||
| + | |||
| + | * Transformação do sentido da filosofia: de revelação das coisas tais como são para medium de autoconhecimento, | ||
| + | |||
| + | * Afirmação de que a vida da inteligência, | ||
