chaui:construcao-espinosismo
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| + | ====== DIALÉTICA DO MAL E NECESSIDADE ONTOLÓGICA: | ||
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| + | * Início da correspondência entre Espinosa e Willem van Blijenbergh em dezembro de 1664, motivada pela leitura dos // | ||
| + | * Debate centrado na origem e natureza do mal, tema que angustia Blijenbergh devido à aparente contradição entre a presciência divina e a liberdade humana em um sistema onde criar e conservar são atos idênticos. | ||
| + | * Questionamento sobre o concurso direto de Deus na determinação da alma, sugerindo que, se Deus é causa conservadora de todos os movimentos, seria também a causa imediata das volições más, como o pecado de Adão ou a soberba dos demônios. | ||
| + | * Refutação inicial de Blijenbergh à tese cartesiana do mal como // | ||
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| + | * Resposta de Espinosa sobre a impropriedade terminológica do pecado e a negação da positividade do mal no intelecto divino. | ||
| + | * Argumentação de que mal e pecado não possuem conteúdo positivo ou determinado, | ||
| + | * Identificação absoluta entre essência e perfeição, | ||
| + | * Análise da volição de Adão como expressão necessária de sua essência atual singular, a qual realiza um ato correspondente ao seu próprio ser sem contrariar uma lei divina entendida como mandamento arbitrário. | ||
| + | * Crítica à visão antropomórfica de Deus como legislador movido por paixões, reafirmando que um acontecimento contrário à vontade divina seria tão impossível quanto a concepção de um círculo quadrado. | ||
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| + | * Introdução da segunda regra para filosofar por Blijenbergh e o conflito entre o conhecimento natural e a palavra revelada. | ||
| + | * Estabelecimento de uma barreira metodológica onde o Verbo divino possui autoridade superior sobre os conceitos claros e distintos do intelecto, transformando a racionalidade em instrumento apologético da fé. | ||
| + | * Distinção entre //lumen naturale// e //lumen gratiae//, seguindo a tradição agostiniana e calvinista para purificar o intelecto e orientar a razão em direção às verdades celestes imunes à demonstração. | ||
| + | * Acusação de impiedade e indiferença divina no sistema espinosano, denunciando que a negação da positividade do pecado rouba a esperança de salvação e retira o valor ético da conduta humana. | ||
| + | * Percepção de Blijenbergh sobre o perigo de reduzir o homem a uma besta selvagem ou a uma pedra, eliminando a distinção moral entre virtude e vício através de um frio intelectualismo. | ||
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| + | * Confronto com Lambert van Velthuysen e a denúncia do ateísmo dissimulado sob a forma do fado inelutável. | ||
| + | * Crítica ao //Tratado Teológico-Político// | ||
| + | * Identificação da imanência como consequência fatal de um universo que emana necessariamente da natureza de Deus em vez de ser criado por um ato de vontade livre e transcendente. | ||
| + | * Argumentação de que a filosofia de Espinosa destrói a autoridade das Escrituras e a possibilidade de milagres ao submeter tudo à necessidade rigorosa da natureza, tal como as propriedades de um triângulo. | ||
| + | * Defesa de Espinosa contra a pecha de fatalismo, distinguindo entre agir pela necessidade da própria natureza e ser constrangido por causas externas, o que preservaria a verdadeira liberdade divina. | ||
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| + | * Diálogo com Henry Oldenburg sobre o impacto social da necessidade fatal e o uso da metáfora paulina do barro e do oleiro. | ||
| + | * Advertência de Oldenburg para que Espinosa não publique obras que comprometam a prática da virtude religiosa em um século considerado degenerado e corrupto. | ||
| + | * Reafirmação da necessidade inevitável como fundamento precípuo do sistema espinosano, asseverando que Deus não é coagido pelo destino, mas age livremente por ser a única causa de Si mesmo. | ||
| + | * Debate sobre a inescusabilidade humana perante Deus, onde Oldenburg questiona como alguém pode ser punido por atos que lhe eram impossíveis evitar devido à pressão de uma mão inflexível. | ||
| + | * Interpretação da beatitude não como prêmio externo, mas como o próprio amor por Deus que nasce do conhecimento da essência divina, tornando a virtude desejável por si mesma e não pelo medo do castigo. | ||
