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-====== Cristianismo e Atividade I ====== 
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-==== Refutação da Crítica Marxista ==== 
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-  * Crítica soviética antirreligiosa ao cristianismo: acusação de passividade e resignação. 
-    * Síntese vulgarizada dos argumentos de Voltaire, Holbach, Dupuy, Feuerbach, Marx, com crudeza máxima em Lênin. 
-    * Argumento central apresentado como verossímil: a religião cristã rejeita a atividade humana, prega submissão, resignação ante a injustiça e justifica a opressão. 
-    * Ilustração simplista: oposição entre oração (passividade) e técnica (atividade), exemplificada pela contraposição "trator versus oração". 
-    * Reconhecimento parcial: interpretações teológicas (ortodoxas, católicas, protestantes) frequentemente humilharam o homem, negando sua capacidade criadora e santificando a conservação social, com abuso da doutrina do pecado original. 
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-  * Resposta teológica: a verdadeira essência do cristianismo afirma a dignidade e vocação ativa do homem. 
-    * Coexistência de princípio divino e princípio humano na vida religiosa: a revelação é recebida e muitas vezes deformada pela limitação e interesses humanos. 
-    * A humilhação do homem é uma deformação humana do cristianismo, não sua doutrina genuína. 
-    * Essência do Evangelio: "Buscai primeiro o Reino de Deus" (Mateus 6:33). 
-        * Busca ativa, que exige força (Mateus 11:12), realização de uma vida perfeita e plena de justiça. 
-        * O pecado se vence pela busca ativa do Reino, não pela resignação. 
-    * O cristão é um "eterno revolucionário", insatisfeito com qualquer regime, que busca a transformação radical do homem, da sociedade e do mundo. 
-        * Diferença em relação aos revolucionários "exteriores": rejeição do ódio e da violência como meios, exigência de harmonia entre meios e fins. 
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-  * Rejeição da passividade e da expectativa milagrosa passiva. 
-    * Condenação da passividade como tentação. Vladimir Soloviev: "É ímpio esperar de Deus o que o homem pode realizar por si mesmo". 
-    * A técnica, a ciência e a civilização são instrumentos desejados por Deus para uma vida mais perfeita. 
-    * A transformação espiritual interior, contudo, não pode ser alcançada apenas por ciência ou técnica; requer atitude espiritual do homem para com Deus. 
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-  * Evidência histórica: o cristianismo como força dinâmica e criadora. 
-    * Os períodos e povos de maior atividade histórica coincidem com a influência cristã (povos ocidentais). 
-    * Civilizações não cristãs (China, Índia, Pérsia antigas) tendem ao anquilosamento e à vida do passado. 
-    * Explicação: o caráter mesiânico e escatológico do cristianismo, que orienta o olhar para o futuro. 
-        * Conceito de história como processo dinâmico com sentido e direção surge com o cristianismo. 
-        * A antiguidade pagã (grega) tinha visão cíclica e contemplativa, não dinâmica e orientada para o futuro. 
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-  * Dignificação do trabalho e da atividade criadora no cristianismo. 
-    * Santificação do trabalho, em contraste com o desprezo greco-romano (associado ao escravo). 
-        * Cristo como trabalhador; palavras de Cristo e de Paulo que dignificam o trabalhador e o trabalho. 
-        * Parábolas dos talentos e da vinha (Mateus 25:15-20; 21:28-31; Lucas 13:6-9) enfatizam a responsabilidade ativa, a multiplicação dos dons e a produtividade. 
-    * O homem é chamado a ser co-criador, a cultivar a terra e devolver multiplicado o que recebeu. 
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-  * Fundamentos antropológicos: o homem como imagem de Deus (imago Dei) e ser espiritual ativo. 
-    * O espírito é ativo por definição; o ser espiritual aspira à infinitude, perfeição e plenitude da vida, o que implica movimento e dinâmica. 
-    * O cristianismo libertou o homem do panteísmo demoníaco e do temor das forças caóticas da natureza. 
-        * Submissão do destino a Deus (princípio interno), não a demônios (forças externas). 
-        * Essa libertação espiritual foi condição de possibilidade para o desenvolvimento científico e técnico moderno, ao desencantar a natureza. 
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-  * Síntese final: a verdadeira atividade humana se funda na transcendência. 
-    * Só vence e transforma o mundo quem se eleva acima dele, possuindo uma fonte interior de energia (o espírito). 
-    * O mundo visível é parte de um mundo invisível, do qual o homem extrai força criadora e transfiguradora. 
-    * Esta é a profundidade do ensinamento cristão, ignorada por uma crítica que permanece na superfície.