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| + | ====== SOPHIA E EPISTEME ====== | ||
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| + | Sophia, sabedoria, se distingue de episteme, ciência. E distingue-se de doxa, opinião. De onde, o sentido mais radical da Filosofia, é o da Sabedoria, que se distingue do saber. A filosofia não é o conjunto das cousas que se sabem, não é uma synthèse scientifique (como se diria no século XIX), mas uma sabedoria da realidade profunda. O saber se distingue da sabedoria, como a ciência se distingue da filosofia. Ou seja, a filosofia pode englobar todas as ciências, dando-lhes validade e sentido, sem todavia confundir-se com nenhuma delas. Não haveria nada mais positivista do que julgar, por exemplo, que os primeiros filósofos gregos, que puseram a realidade na Physis, foram porisso precursores da física ou da química. O que os primeiros filósofos gregos procuraram foi a essência da realidade, posta na Água, na Terra, no Fogo ou no Ar, não como nalguma cousa material e sim como numa essência última dos fenômenos: procuravam a realidade trans-física do físico e não a composição química dos corpos a partir de algum suposto corpo simples. Ninguém melhor do que Heidegger pôs em relevo o alto significado da filosofia pré-socrática, | ||
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| + | Procurando a realidade de dentro para fora, como totalidade radical, e não de fora para dentro, como soma de aspectos, a filosofia é essencialmente intuitiva; é intuitiva, no sentido original de in-tuitus e do verbo in-tueri que significa olhar dentro. Esta intuição, ou a comunhão com a cousa, é o que se chama hodiernamente a vivência, termo traduzido do alemão Erlebnis, como significando a experiência interiorizada e sentida do objeto; por outro lado, a intuição como associada ao verbo ver, intueri, conserva ainda o seu sentido originário no termo alemão Anschauung que quer dizer intuição ou visão (profunda), do verbo schauen, ver. Filosofia é intuição e vivência. É intuição porque é Sophia e é vivência porque é Philia; de fato, o termo grego philia, vai além da simples significação atual de amizade e abrange uma amplitude tão profunda que frequentemente os filósofos gregos, como Pythagoras e Epicuro, punham na Philia, amor desinteressado, | ||
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| + | Mas a filosofia é intuição também no sentido pelo qual seu método consiste em captar diretamente um objeto, que transcende as experiências e as operações ao cabo das quais as ciências do particular elucidam, ou pretendem elucidar certas modalidades do ser. Essas operações, | ||
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| + | A filosofia se apresenta, originalmente, | ||
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| + | Desde suas origens a filosofia constitui contemplação e meditação sobre a essência da realidade e principalmente sobre a essência da Natureza (Physis) nos filósofos anteriores à época socrática. A inocente atitude que consiste em perguntar porque algo é, ou porque uma cousa é o que ela é, está na base de toda a filosofia. Ambas as perguntas se reduzem a uma só, porque, quando se pergunta porque algo é, pergunta-se também porque a cousa é o que ela é. Pergunta-se pela essência da realidade. A filosofia se põe, desde seu início, como ciência das essências. | ||
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| + | Mas a filosofia tem, ao mesmo tempo, um sentido estrito, como ciência da essência e da existência de todos os seres; e um sentido lato, como sabedoria da vida e como visão do mundo. De todo modo, a filosofia se distingue do saber vulgar, inclusive do saber científico. A filosofia é sophia e não episteme. Os pitagóricos faziam claramente essa distinção entre sabedoria e saber e distinguiam entre a mente, a sabedoria e a “ira” ((D. Laércio, L.VIII. O conhecimento vulgar e o instinto se distinguem do entendimento e da racionalidade (estes se distinguem da sabedoria e da contemplação).)). — Mas é claro que se a filosofia procura saber como as cousas são, procura também como devemos ser; o conhecimento de como as cousas são, implica no como devemos ser. De toda filosofia como ciência da essência e da existência, | ||
