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| + | ====== SER UNÍVOCO E SER ANÁLOGO I ====== | ||
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| + | Intuir na realidade o que a realidade é, qual é a sua estrutura, o seu — ontos ón — é o mesmo que buscar o ser da realidade. Mas este ser, como se apresenta? Heráclito, afirmando a perpétua mudança, o fluir incessante de todas as cousas do mundo incerto e transitório, | ||
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| + | Refutando esta contradição Parmênides enunciou o princípio de contradição, | ||
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| + | Se tudo quanto é, é — pensava Parmênides — o ser tem que ser universal e único. O ser não pode ter tido causa, pois, para causar o ser, seria preciso que a sua causa fosse; a causa, tem que ser também eterno; porque, se o ser tivesse tido mesmo, ou antes, o ser não tem causa. O ser é necessário. O ser é único porque se houver dois seres, um deles será o não-ser do outro, o que é absurdo. E dizer que o não-ser é, é o mesmo que afirmar o ser do não-ser. O ser, não tendo causa, tem que ser também eterno; porque, se o ser tivesse tido começo, antes de começar o ser, haveria o não-ser, o que é inconcebível, | ||
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| + | Por isso, o ser de Parmênides é único, eterno, imutável, ilimitado, imóvel. | ||
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| + | E aqui nos encontramos com a primeira e também a mais acabada das concepções unívocas do ser. A consequência necessária desta concepção (consequência que marcou depois profundamente a ontologia das essências em Platão) é que todo o espetáculo do mundo sensível se apresenta como diametralmente oposto ao mundo racional da univocidade do ser: a variedade, a multiplicidade dos seres, a finitude, a transitoriedade, | ||
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| + | E aqui se sublinha, desde Parmênides e os Eleatas, com a teoria unívoca do Ser, esse caráter permanente de toda concepção do ser como unívoco, que consiste em separar radicalmente o mundo inteligível do mundo sensível, enquanto o ser de razão se converte numa realidade única, negada a realidade dos seres concretos. | ||
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| + | A busca da realidade do que é, levando à conclusão pura e simples de que a realidade é o que é, a consequência que imediatamente se infere da teoria do ser como unívoco, é que, não sendo o mundo sensível absolutamente dotado de realidade verdadeira, e sendo a realidade constituída por um Ser único, precisamente o que existe não é: a existência é a negação da essência. Tudo quanto nos é dado pelos sentidos como existência, | ||
| + | Para Kant, ao contrario, “A razão deve apresentar-se à natureza tendo numa das mãos seus princípios, | ||
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| + | A verdade lógica se apresenta para o realismo como a adequação da inteligência com a cousa, reconhecido portanto o seu caráter subjetivo; mas a verdade ontológica se apresenta como a adequação da cousa à inteligência, | ||
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| + | A concepção unívoca do ser, tal como a elaborou Parmênides (homem digno de temor e de respeito, como disse Platão no Theetéte) influiu de modo decisivo na posterior formação da ontologia das essências, nas quais grandes correntes do pensar filosófico buscaram a realidade verdadeira, por oposição ao mundo das existências, | ||
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| + | E se por um lado Platão estabelece uma espécie de analogia proporcional do ser, pela multiplicação das essências, por outro a univocidade do Ser platônico ressalta claramente quando se pensa na teoria da unidade da Essência, em face da multiplicidade dos indivíduos particulares que dela participam. Se a essência se divide nesses indivíduos, | ||
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| + | Esta concepção unívoca do Ser, fonte verdadeira de todo panteísmo, terá que explicar a realidade do múltiplo por um processo circular de divisão e depois de reunificação. Uma teoria deste gênero foi defendida no século IX por Johannes Scotus Erigeno, em seu tratado De Divisione Naturae: a divisão da natureza é como a divisão de um gênero em espécies, tudo derivando de um único princípio e sendo a exteriorização em graus diversos desse princípio, que é o Ser único, unívoco, sendo tudo o mesmo Deus, de onde vimos por uma difusão e para onde voltamos por uma reabsorpção. | ||
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| + | Ora, em tal teoria, é impossível fugir à conclusão de que a realidade é tanto mais Ser, quanto menos é existente; o existir é a negação do ser, porque a Essência, longe de coincidir com a Existência no Ser absoluto (como ensina Santo Tomás para quem em Deus Essência e Existência são uma só e a mesma cousa), ao contrário a Essência no panteísmo contradiz a existência. — E quando, na concepção unívoca do Ser, se quer conciliar a Essência com a Existência, | ||
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| + | Entretanto, uma observação de suma importância, | ||
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| + | Efetivamente, | ||
