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| + | ====== CIÊNCIA (5) ====== | ||
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| + | 5. A tentativa de tudo explicar por meio de discursos racionais e métodos matemáticos parte da ignorância de que, se umas verdades foram expressas em mitos, outras em poesia, outras em música, isto se deve a que tais verdades não podiam | ||
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| + | A ciência não é do domínio do especular, nem sequer do domínio do agir, mas unicamente do domínio do fazer; era necessária uma completa subversão da ordem dos valores reais para que a ordem do fazer englobasse e pretendesse explicar as ordens do especular e do agir, que os gregos souberam distinguir com a rigorosa precisão que se pode observar na divisão aristotélica da filosofia e no uso dos verbos theorein, prattein e poiein, que se referem à teoria, à prática e à poiética. Ora bem, a ciência não é senão uma poiética, uma técnica de fazer, não uma visão da realidade, uma theorese, nem uma sabedoria da ação moral, uma prática. Por isso, a ciência poderá ser um instrumento de ação cada vez mais completo, mas não poderá responder a nenhuma das inquietações do espírito humano, que são todas da ordem metafísica do ser e do dever-ser. Já se disse com grande propriedade que a inquietação humana não vem da existência de problemas e sim da existência de mistérios: porque o problema, segundo o termo indica, é algo jogado na frente, que pode talvez ser objeto de ciência, mas o mistério significa etimologicamente o redondo e fechado, aquilo em que não se pode penetrar, porque é da ordem do ser, não da ordem do ter ou do fazer. Ao homem hodierno, desorientado no labirinto das relatividades, | ||
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| + | O objeto da ciência não é a realidade que se vive, mas inversamente a realidade que se vive não é objeto da ciência e tudo quanto se torna objeto da ciência deixa de ser objeto da vida. A árvore a cuja sombra meditamos não é o objeto da botânica, da geografia ou da química, mas é esta determinada árvore inconfundível, | ||
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| + | Cada ciência trata de um aspecto desta árvore no que ela tem de geral, mas nem todas as ciências reunidas podem dizer o que é esta árvore, porque o todo não é a soma dos seus aspectos, assim como a substância não é o produto da soma dos acidentes. A ciência destruiu aquela Metafísica que tinha como fim atingir a substancialidade do real, declarando que nada havia senão aspectos e fenômenos; mas a realidade é justamente o essencial e o substancial e não os aspectos e fenômenos prospectados pela ciência. A ciência em suma não passa de uma técnica e quando denominada “ciência pura” consiste em projetar objetos que possam depois ser alvo de manipulação, | ||
