barbuy:barbuy-pavlovismo-como-teoria-da-vida
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Next revision | Previous revision | ||
| barbuy:barbuy-pavlovismo-como-teoria-da-vida [30/12/2025 12:14] – created - external edit 127.0.0.1 | barbuy:barbuy-pavlovismo-como-teoria-da-vida [13/04/2026 19:52] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== PAVLOVISMO COMO TEORIA DA VIDA ====== | ||
| + | |||
| + | 1. O pavlovismo se apresenta como o último remanescente das interpretações mecânicas da vida. Formulado no estilo e no espírito das teorias mecanicistas do século XIX, não ultrapassa os quadros do positivismo e constitui ainda hoje, como teoria, uma re-exposição do naturalismo científico. Como todo positivismo do século XIX, a teoria de Pavlov pretende ser o resultado de um rigoroso método indutivo, uma interpretação da vida fundada em experiência de laboratório, | ||
| + | |||
| + | O pavlovismo como fisiologia parece ter alcançado qualificação definitiva no mundo da ciência; pragmaticamente seus resultados são conhecidos na pedagogia, na obstétrica, | ||
| + | |||
| + | As experiências de Pavlov e seus discípulos puseram em relevo um fato que, com denominações diversas, foi reconhecido desde todos os tempos; sucede com o reflexo condicionado o mesmo que com o inconsciente: | ||
| + | |||
| + | A originalidade do pavlovismo não está pois em haver mostrado que existem reflexos condicionados; | ||
| + | |||
| + | 2. Segundo a escola de Pavlov, os reflexos incondicionados constituem, em cada indivíduo, a herança da espécie, estabelecida no sistema nervoso do animal desde o seu nascimento. De acordo com o pavlovismo, os reflexos incondicionados são comportamentos fixados no decurso da evolução; fixaram-se esses comportamentos a fim de que o organismo pudesse reagir com regularidade aos estímulos fixos do meio ambiente; os reflexos incondicionados são o que a psicologia normalmente denomina os instintos; constituem uma explicação dos “instintos”; | ||
| + | |||
| + | Assim, segundo o pavlovismo, os reflexos incondicionados são aqueles que se tornaram estáveis, inatos, e são explicáveis pela adaptação do organismo às condições permanentes do meio. Mas, que entidade é esta que se chama organismo? — Se o organismo é um centro de respostas condicionadas e incondicionadas aos estímulos do meio ambiente, é preciso que o organismo seja algo distinto dessas respostas; é preciso que o organismo se organize a si mesmo como centro de resposta; é preciso no mínimo que o organismo seja um todo, superior à cadeia dos reflexos, uma entidade anterior aos reflexos e capaz de condicionar os reflexos. Toda teoria do reflexo condicionado supõe a adaptação do ser vivo ao meio; mas, se essa adaptação depende do psiquismo do ser vivo, a explicação há de ser modificada, porque não é a adaptação que faz o ser vivo e sim o ser vivo que faz a sua adaptação, | ||
| + | |||
| + | O legítimo fundador do transformismo, | ||
| + | |||
| + | O incondicionamento de reflexos que já foram algum dia condicionados e que se fixaram graças à constância dos sinais que os determinaram e uma vez fixados se transmitiram hereditariamente, | ||
| + | |||
| + | Se por outro lado a noção de meio for examinada à luz das concepções biológicas vitalistas (por ex. J. von Uexküll e Hans Driesch), não se sabe o que fazer com o meio, qual o concebe o pavlovismo, no estilo do naturalismo-científico, | ||
| + | |||
| + | Segundo o pavlovismo há duas espécies de meios: o imutável e o mutável. Se todo meio fosse imutável, os reflexos incondicionados bastariam para garantir a sobrevivência do organismo. Mas o pavlovismo descobre que o meio, além dos seus caracteres constantes, tem também inúmeros caracteres mutáveis, aos quais o organismo deve adaptar-se para sobreviver. Os reflexos condicionados, | ||
| + | |||
| + | O fato de que só se podem condicionar reflexos temporários sobre a base dos permanentes, | ||
| + | |||
| + | 3. Esta eliminação do sentido e dos fins da vida se faz pela redução de toda realidade a supostos fatos e séries de fatos e pela interpretação mecânica e puramente fisiológica do todo vital. A explicação do psíquico pelo fisiológico e a redução da psicologia à fisiologia é característica marcante do pavlovismo. | ||
| + | |||
| + | É certo que o sentido da dignidade da vida em geral e da vida humana em particular decaiu na medida em que prosperaram o determinismo e o mecanicismo com sua noção do ser vivo, concebido à imagem e semelhança da máquina e quando a fisiologia foi vista como a ciência do funcionamento das engrenagens, | ||
| + | |||
| + | Não é privilégio do pavlovismo pensar que procura inutilmente uma linguagem científica que não incorra na mecanização do vital; segundo Bergson, toda explicação científica é necessariamente mecânica e o pavlovismo não difere de outras teorias quando confunde o movimento com a mobilidade, quando se vê incapaz de apreender o tempo sob outra forma que não seja a de um espaço de tempo; quando em suma considera o organismo e a vida, o tempo e o espaço como puras quantidades. Segundo Meyerson, a ciência não pode explicar nada, porque não capta o heterogêneo, | ||
| + | |||
| + | Não se julgue porém que o pavlovismo interprete mecanicamente a vida por deficiência de linguagem, por não encontrar palavras que traduzam o inefável do fluxo vital. Ao contrário, o pavlovismo não vê nada de inefável no fluxo vital e tem uma linguagem perfeitamente adequada ao que quer dizer; não é por falta de palavras, mas por natureza, que o pavlovismo interpreta mecanicamente a vida em linguagem científica; | ||
| + | |||
| + | 4. Mas a reflexologia tem valor inestimável como diagnóstico de uma época, para a qual toda manipulação do homem é, não só legítima como também necessária, | ||
| + | |||
| + | Os reflexos condicionados se gravam sobre os incondicionados como um tecido de arcos reflexos sobre uma base fundamental. Essa base fundamental são os antigos instintos que constituem cadeias de reflexos incondicionados; | ||
| + | |||
| + | Foi exatamente para não confundir os movimentos instintivos com os movimentos livres, que os escolásticos e em particular Santo Tomás distinguiram entre a vis aestimativa, | ||
| + | |||
| + | Os psicólogos costumam dividir a personalidade em crosta e núcleo, o núcleo podendo ser o que a personalidade realmente é, e a crosta o que a personalidade se torna, adaptando-se e respondendo convenientemente às diferentes situações. E uma noção paralela à da sociologia, a qual, como é lógico, não tem por objeto o indivíduo como tal, inverbalizável e profundo, mas o indivíduo enquanto social, enquanto posto em relação com os demais; o indivíduo está então imerso no social, posto num status e executando um papel correspondente. Mas enquanto a psicologia sabe que a personalidade não se reduz à crosta, e enquanto a sociologia sabe que o indivíduo não se reduz ao papel, o pavlovismo pretende, ao contrário, reduzir o indivíduo à corrente dos reflexos. O pavlovismo só vê na personalidade o posto transmissor e receptor de perguntas e respostas adrede preparadas; só vê na personalidade o seu aspecto reflexológico, | ||
| + | |||
| + | Este problema da liberdade incide em cheio no pavlovismo, o qual, não só na obra de Pavlov, como também e principalmente na obra de seus discípulos, | ||
| + | |||
| + | 5. As experiências mais correntes e mais fáceis do pavlovismo são aquelas que consistem em associar uma série de respostas reflexas ao instinto fundamental da fome. As experiências sobre a salivação dos cães tornaram-se clássicas. O bater de um metrônomo faz salivar um cão à representação da carne, se toda vez que lhe derem carne fizerem preceder esse ato pelo bater do metrônomo. O metrônomo estabelece na zona cortical um arco reflexo, que nos animais superiores se condiciona rapidamente (o condicionamento de reflexos é possível até nos peixes, cujo córtex é dos mais rudimentares); | ||
| + | |||
| + | Esta mecânica da excitação e da inibição, sugerindo a ideia da antítese, foi já transpolada para a terminologia filosófica, | ||
| + | |||
| + | 6. A reflexologia mostrou que a inibição põe em atividade centros nervosos de importância para a sobrevivência do animal, suprimindo a reação temporária estabelecida pelo excitante. Esta atitude de defesa cede quando o novo excitante se repete muitas vezes, tornando-se habitual: recomposto o quadro da experiência com o novo ingrediente, | ||
| + | |||
| + | Outro fato é a inibição “interna”: | ||
| + | |||
| + | Sabe-se que, uma vez obtido, o reflexo pode ser modificado segundo o capricho do cientista. Quando um cachorro foi condicionado a receber o alimento anunciado pelo metrônomo, novos condicionamentos podem retardar ou apressar a manifestação do reflexo salivar; facilmente os experimentadores obtêm que a salivação comece um minuto depois do término da aplicação do excitante. Podem alterar o ritmo do metrônomo; quando este bate na cadência de oitenta por minuto, não será dado alimento ao animal: quando bate a 120 é dado o alimento; ao fim de certo tempo, o ritmo de oitenta não produz mais a salivação; | ||
| + | |||
| + | Examinando os arcos reflexos divisíveis e sub-divisíveis, | ||
| + | |||
| + | Toda a reflexologia supõe a adaptação do ser vivo ao meio; é o meio que modela o ser vivo; mas, por outro lado, se essa adaptação depende do psiquismo do ser vivo ou ainda, se o que muda nas experiências da inibição interna não é o excitante externo, mas as relações internas entre o estímulo e a resposta, como explicar o psíquico pelo fisiológico, | ||
| + | |||
| + | O reflexo é sempre psíquico e altera o físico. Nisto se funda a terapêutica pavloviana, tanto na psiquiatria, | ||
| + | |||
| + | O problema se põe também de outro modo, porque os reflexos não seriam possíveis se as experiências anteriores não fossem guardadas na memória; e a memória pavloviana é apenas a memória cortical, aquela memória de repetição e automatização que Bergson demonstrou poder estar situada realmente no cérebro. Mas, assim como o pavlovismo não poderia nunca explicar o psíquico espiritual, assim também não poderia nunca interpretar a memória do espírito. Bergson demonstrou que a memória espiritual não pode estar situada no cérebro; o córtex e o sub-córtex responderão, | ||
| + | |||
| + | 7. A aplicação pavloviana do psiquismo dos reflexos se estende em muitas direções. A fisiologia dos estados dolorosos é um dos campos prediletos da escola pavloviana. Sabe-se que o reflexo condicionado supõe a base do incondicionado. Porém, um reflexo incondicionado de defesa pode ser convertido artificialmente em reflexo condicionado alimentar; uma excitação elétrica dolorosa, que incondicionalmente põe a vítima em atitude defensiva, pode ser transformada em excitante alimentar. Deste fato concluirão, | ||
| + | |||
| + | As suposições pavlovianas têm como fim mostrar que os santos suportaram com alegria os maiores tormentos, unicamente porque, no processo de análise e de síntese dos reflexos, o terminal dos “analisadores” nervosos, com seus receptores periféricos, | ||
| + | |||
| + | Se é possível estabelecer uma cadeia de reflexos tão prodigiosa que transforme as dores mais insuportáveis em fontes de alegria, então o pavlovismo, que nega o espírito, deve supor da parte do organismo uma sabedoria infusa que permita uma auto-educação total, dirigida segundo a vontade do agente. O elemento perturbador do pavlovismo é justamente essa Vontade, que se manifesta como força organizadora do reflexo e que não se pode explicar pelos estereótipos dinâmicos, nem por toda a rede nervosa do córtex e do sub-córtex. Se aprendo a falar grego, organizo no meu cérebro uma região cortical que alojará o novo conhecimento; | ||
| + | |||
| + | O pavlovismo, como qualquer outro materialismo, | ||
| + | |||
| + | A reflexologia não consegue afinal esclarecer o fundamento dos reflexos, que nascem de uma tensão para a vida. Aplica-se a um cão a prova da agulha elétrica, que o põe em atitude de defesa, fazendo agir um reflexo básico. Mas, com o tempo, a agulhada elétrica se torna o sinal do alimento que vem depois dela; associam-se os dois reflexos com o estabelecimento da ligação entre os centros nervosos sub-corticais (sede do reflexo incondicionado) e os competentes centros nervosos corticais (sede do reflexo condicionado); | ||
| + | |||
| + | Por outro lado, não há nada mais gratuito do que supor que os santos não sofreram as dores do martírio: o martírio indicava realmente a morte física; punha em perigo todas as forças vitais físicas; não se apresentava como o preço da sobrevivência física; era o sinal claro e ineludível da morte. E se os mártires puderam suportar sem desfalecimento os suplícios mais indizíveis, | ||
| + | |||
| + | A explicação reflexológica do estado doloroso não atinge na dor o essencial, que é o seu sentido. A dor, quando vista acima da sua perspectiva física, é algo que atravessa e constrange a vida, como um elemento contrário, diabólico, que ofende a plenitude da existência. Sua origem transcende o físico em que se estampa. A dor, vista na sua amplitude, como ruptura do equilíbrio e do ritmo vital, é de ordem metafísica e não de ordem fisiológica. Não cai sob o domínio da ciência porque não é mensurável como a quantidade. É uma intensidade posta entre a vida e a morte. A dor não é uma sensação, mas um sentimento. Existe a dor mórbida. Existe a dor santificada. Existe a dor alegre. Existe a dor desesperada. Mas a dor não é capítulo da reflexologia, | ||
| + | |||
| + | 8. Se o excitante doloroso do reflexo incondicionado pode tornar-se indiferente, | ||
| + | |||
| + | Mas, se é possível descondicionar tão rapidamente (a partir, por exemplo, da trigésima semana de gestação) um reflexo que durante milênios as religiões e os preconceitos inculcaram no espírito feminino, como pode dar-se esse processo senão pela predominância absoluta do psíquico espiritual sobre o fisiológico, | ||
| + | |||
| + | Os parteiros pavlovianos, | ||
| + | |||
| + | 9. O fato de que, no parto chamado psicoprofilático as contrações uterinas obtêm como resposta uma respiração adequada, um relaxamento muscular e uma colaboração ativa que suprime relativamente as dores, esse fato, longe de confirmar as teorias fisiológicas e psicológicas do pavlovismo, confirma somente suas práticas []. São práticas aliás rudimentares em face dos velhos processos hindus, que punham na respiração a chave da vida, porque, com a respiração nós nos comunicamos com o mundo exterior, com a grande alma cósmica — Atman —; e, postos em estado mental adequado, inspiramos a grande energia vital do Prana. Práticas difundidas em quase todas as religiões orientais mostram a possibilidade e cs métodos de transformação dos processos vitais. Na mesma linha, o faquirismo chega a resultados maravilhosos no domínio’ do corpo pelo espírito; e as religiões sempre viram a dor como o fruto do erro, do pecado e do vício; os métodos respiratórios yogas são universalmente conhecidos como capazes de eliminar a fadiga e as sensações dolorosas; mas para tanto, nunca esses métodos se fundaram em teorias fisiológicas. A fisiologia contida nos testamentos sagrados hindus, como por exemplo, a fisiologia dos plexos nervosos, tem como fim tornar mais eficientes os métodos espirituais de domínio integral do corpo. — Ao contrário, porém, do que sucede com a fisiologia sacra vedanta, a fisiologia de Pavlov perturba os métodos pavlovianos. — A preparação para o parto sem dor é um processo de persuasão psíquica, por via de sugestão anti-dolorosa. Sua explicação pelo jogo das atividades corticais pode cair num círculo vicioso em que essas mesmas atividades são susceptíveis de se apresentar como causa ou como efeito das atividades puramente psíquicas. O parto indolor revela em suma que o psíquico espiritual pode atuar sobre o físico, não por causa, mas apesar de todos os reflexos condicionados. | ||
| + | |||
| + | 10. Como tudo no pavlovismo prático depende do psíquico, era justo que Pavlov procurasse elaborar uma classificação dos tipos psicológicos, | ||
| + | |||
| + | Quanto à diversidade dos tipos humanos, é este um mistério que desafia a ciência. Toda classificação é arbitrária e falsa; não corresponde nunca à realidade, onde só se encontram os tipos intermediários e não os tipos puros dos esquemas psicológicos. Os psicólogos sabem que a riqueza da vida se sobrepõe à pobreza dos esquemas. Pavlov com certeza quis traçar apenas um quadro ideal quando descreveu os quatro tipos de temperamento nervoso dos cães. Os tipos nervosos segundo Pavlov podem ser: fleugmático, | ||
| + | |||
| + | 11. A concepção pavloviana de sinal e de cultura é a mais simples possível: a cultura é um sistema psicológico de sinalizações, | ||
| + | |||
| + | Segundo a perspectiva em que nos coloquemos, o mundo nos aparece como conjunto de sinais divinos, sinais místicos, sinais escatológicos, | ||
| + | |||
| + | Descartes, a quem se atribui a honra de ter fundado a reflexologia, | ||
| + | |||
| + | O mecanismo “dialético” do estímulo e da resposta, da excitação e da inibição, se encontra na definição pavloviana de sinal, segundo.a qual o sinal é um elemento primitivamente indiferente para o organismo, o qual traz uma reação biológica, desde que assinale um excitante absoluto. Quer dizer, o sinal, segundo Pavlov, é algo indiferente por si, mas que se torna sinal desde que se torne estímulo de uma resposta, ou causa de um reflexo; o metrônomo é um sinal porque, indiferente para a cobaia, torna-se depois excitante da salivação; | ||
| + | |||
| + | Não é preciso dizer que o pavlovismo é, de todos os materialismos, | ||
| + | |||
| + | 12. Segundo o pavlovismo, os sistemas de sinalização para o homem são dois: o primeiro, constituído pelos objetos que nos cercam, pelas suas imagens sensoriais, pelas emoções, pelo nosso corpo, que é fonte permanente de sinais. E o segundo, constituído pela linguagem, as palavras, as formas gramaticais que designam os objetos do primeiro sistema e suas relações objetivas. A colaboração entre os dois sistemas, sua interpenetração, | ||
| + | |||
| + | É dentro deste âmbito que se estabelecem os tipos nervosos próprios do homem; o tipo artístico, no qual a importância do primeiro sistema é excessiva; o contato direto com as realidades objetivas individuais, | ||
| + | |||
| + | Como é claro, a noção pavloviana de sinal e de tipo nervoso não visa apenas definir a cultura como conjunto de sinais biológicos e de suas traduções verbais. Visa também fins práticos e particularmente psiquiátricos: | ||
| + | |||
| + | Como filosofia da civilização, | ||
| + | |||
| + | Segundo Pavlov, o tipo nervoso não é fixo: pode mudar segundo o meio, pois o organismo vivo é considerado exclusivamente produto do meio; assim, a mudança das condições de vida pode mudar parcial ou totalmente o tipo nervoso. O meio interno e externo conforma o tipo nervoso, de sorte que este tipo, no pavlovismo, deve ser determinado a partir dos seus reflexos, que são reflexos dos sinais do meio. | ||
| + | |||
| + | A importância patogênica da fadiga foi posta em grande relevo pelo pavlovismo, que por isso mesmo introduziu a terapêutica do sono. A neurose está associada à fadiga. Sinais contrários, | ||
| + | |||
| + | O campo da psiquiatria é um dos mais desenvolvidos no pavlovismo. E o resultado espetacular de seus métodos, atestado pelos que entendem do assunto, vem de que o pavlovismo se desenvolve em perfeita coincidência com as condições da civilização urbana e mecânica. Contestável e contestado como teoria, falso na explicação do mundo e da vida, o pavlovismo é por outro lado um conjunto de palavras, de sinais, que traduzem reflexologicamente a realidade fragmentada e mecânica de uma civilização que perde dia a dia os suportes da cultura. O pavlovismo desconhece a cultura, mas traduz a civilização. A civilização é a técnica, a ciência, o progresso: a palavra, | ||
| + | |||
| + | Como portador da palavra biológica, o pavlovismo não se reconhece a si mesmo no reino multiforme da cultura; não sabe porque é que o sentido das palavras se renova; porque é que as palavras nascem, vivem e morrem independentemente do meio físico. Porque já houve palavras que foram criadoras e hoje são estéreis. Segundo Pavlov a palavra é sinal do meio. Mas os pavlovistas hão de concordar com que são as palavras que explicam o meio e não o meio as palavras. O meio é afinal em grande parte projetado pela cultura; a cultura seleciona certos aspectos que denomina meio; e este meio, se não é o meio físico em si, é o meio real do ser vivo, é o meio sentimental, | ||
| + | |||
| + | E o pavlovismo é a expressão de certa visão subjetiva do mundo, a qual projeta e seleciona os aspectos quantitativos, | ||
