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| + | ====== DO SER E DO SENTIDO DA VIDA ====== | ||
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| + | Além de todas as contradições em que incorre a negação verbal do ser, contradições de ordem lógica, gnoseológica, | ||
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| + | Claro está que a vida só pode ter um valor e um sentido, dada a objetividade do real e a transcendentalidade do ser, dentro duma ontologia realista, a qual nos faça do ponto de vista intelectual, | ||
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| + | O ato vital, não é somente um ato volitivo e emotivo, mas também um ato intelectual. No entanto, o apriorismo kantiano, tendo socavado um abismo entre a inteligência e a cousa em si — entre a inteligência e o ser — eliminou do plano da inteligência o valor e o sentido da vida, os quais se confinam assim ao plano da emoção e da vontade. O valor e o sentido da vida adquiriram assim, na “filosofia dos valores”, um caráter puramente subjetivo, que o materialismo não tardou a eliminar, impondo uma ordem de ideias em que a vida não tem valor nem sentido. [] | ||
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| + | O materialismo no que tem de essencial, negando os seres na sua heterogeneidade e na sua essência e reduzindo tudo a puros fatos, nega também o sentido da vida, porque elimina a causa final da vontade, que supõe a afirmação do ser transcendente, | ||
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| + | Sem uma afirmação metafísica dos seres e do Ser, a vida não tem valor, nem sentido, a cultura se reduz a puro fato e o espírito nada mais será do que o resultado das reações físico-químicas. Fora do realismo torna-se inevitável o fanatismo da quantidade, tão expressivamente declarado na classificação das ciências em Comte, onde as ciências se distinguem, não pela heterogeneidade essencial de seus objetos, e sim apenas pelo grau da sua complexidade, | ||
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| + | O problema das origens e dos fins não cabe numa visão “científica” do mundo e é considerado insubsistente, | ||
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| + | Essência, existência e valor que o racionalismo destrói, destruindo inicialmente a objetividade do ser e finalmente o próprio sujeito para quem esses objetos têm um sentido, e reduzindo-o a um puro fato no mundo-, semelhante a todos os outros fatos. Para levar a cabo essa destruição a visão naturalista se serve de algumas observações exatas, como por exemplo, a de que o desenvolvimento de uma espécie está em relação com a complexidade do seu sistema nervoso: desta observação, | ||
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| + | A psicologia materialista [] negando a metafísica e a psicologia racional, nunca poderá dar conta da unidade substancial da pessoa humana, dessa unidade evidente que é um dado imediato da consciência e que faz com que nós, em nossa vida interior, nos sintamos em constante mutação, passando por uma infinidade de estados conscientes ou embebidos no inconsciente, | ||
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| + | Quando nos interiorizamos e nos sentimos como um fluxo vivente das mais variadas emoções, sentimentos e pressentimentos que perpassam envoltos na penumbra de não se sabe qual mistério — se assim nos sentimos como a perpétua mudança, também nos sentimos como a perfeita unidade. Diante deste testemunho vivente, intuitivo, pouco se nos dará dos admiráveis sofismas com que Locke explica a origem da ideia de substância. Se não fôssemos uma substância, | ||
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| + | Uma habitual interpretação da criação estética consiste em dar esta última como a recomposição, | ||
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| + | Mas o materialismo, | ||
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| + | Do mesmo modo, que a memória transborde das possibilidades do corpo, tal fato foi exaustivamente demonstrado por Henri Bergson e ainda, que o cérebro não explica absolutamente as atividades do espírito, senão como paciente e jamais como agente, é o que se infere de alguns estudos contemporâneos sobre a fisiologia do sistema nervoso e do cérebro ((NOTA: Os trabalhos mais recentes dos psico-fisiologistas vêm em apoio desta afirmação. Veja-se por exemplo a obra de P. E. Cornillier sobre as pesquisas do prof. William Thomson, da Academia de Medicina de Nova York.)), o qual por si mesmo tem unicamente dois atributos que são a sensibilidade e a motricidade. | ||
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| + | Esta super-abundância do espírito sobre o corpo, com a consequente imortalidade da alma, como forma substancial espiritual, dá um sentido e um valor transcendentes à vida humana, como também nos ensina a intuição do princípio de finalidade. Dentro duma ontologia realista a vida humana readquire o significado duma singular experiência em que a personalidade é trazida da essência para a existência pelo mistério da criação extra causas et extra nihilum. | ||
